NOVA POSTURA
Uma postagem na internet, que poderia ser um simples gesto de comunicar o que estava fazendo, mostrou mais do que isso. O deputado Marcus Pestana, um dos principais interlocutores do senador Aécio Neves, passou a tarde de sexta-feira discutindo política pura com os cientistas políticos Luiz Werneck Viana, Rubem Barboza e Luiz Sérgio Rodrigues, no Rio de Janeiro. A preocupação do parlamentar, que faz parte do Instituto Teotônio Vilella, o núcleo pensante do PSDB, é o futuro da legenda e ações concretas para o processo político já em curso. Foi lhe dito que o ciclo do mensalão e o do bolsa família já estão ficando para trás, tornando-se agenda vencida no relacionamento com a opinião pública. Os tucanos precisam buscar um discurso renovado, devendo, inclusive, buscar experiências de sucesso, como a dos Democratas, nos Estados Unidos. O partido de Barack Obama ganhou a eleição não apenas por ter já o presidente no cargo mas também por entender a mudança na sociedade americana, que agora é menos branca, mais latina e com uma classe média composta por mais negros e uma juventude ativa. Os Republicanos continuam na América profunda, que está ficando para trás.
Aproximação
Marcus Pestana defende a ideia de um congresso nacional do partido já para o início do ano que vem, no qual tal temática teria prioridade. O PSDB, como recomendaram os cientistas políticos, precisa encontrar uma agenda voltada para temas vitais como energia, desenvolvimento, industrialização e juventude, hoje fora da pauta das agremiações. Há, ainda, um consenso que a sociedade brasileira, em vez da velha Europa, está cada vez mais parecida com a americana, daí a opção por uma aproximação com os Democratas americanos.
Renovação
Das eleições foram tiradas várias lições, tanto no Brasil como nos EUA. No caso brasileiro, o Partido dos Trabalhadores também está se articulando para novos tempos, sobretudo após o cumprimento de pena pelos condenados no processo do mensalão. Lideranças novas já estão em curso, e o ex-presidente Lula tem incentivado a renovação. Não foi à toa que indicou o ex-ministro Fernando Haddad, que nunca tinha enfrentado as urnas, para disputar a prefeitura paulista. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, percorre o país, e Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo, é incentivado a ter projetos mais ambiciosos.
Pela base
Algumas mudanças, porém, devem começar nas suas bases. No caso de Juiz de Fora, o PMDB foi o primeiro a agir nesse sentido ao apostar na candidatura de Bruno Siqueira para a Prefeitura. A legenda enfrentou forte resistência do ex-prefeito Tarcísio Delgado, que apostava numa aliança com o PT. O grupo de Bruno bancou, venceu a convenção e chegou à Prefeitura. O PSDB, já no intervalo entre o primeiro e segundo turno, quando saiu do páreo, apresentou os primeiros discursos da renovação. Se não for em dezembro, já no início do ano, o assunto estará na mesa de discussão.
Disputa interna
No Partido dos Trabalhadores, a dúvida é saber como vai agir a futura deputada Margarida Salomão. Ela tanto pode investir na renovação da legenda como também poderá se dedicar ao mandato de dois anos para se consolidar na disputa de 2014. A questão é manter os eleitores que a levaram ao Congresso num cenário em que já não será mais novidade. Ademais, numa legenda com várias tendências, terá que se articular para enfrentar a concorrência, inclusive do próprio presidente do diretório estadual, Reginaldo Lopes, que tenta montar uma base em Juiz de Fora.
