Efeitos do financiamento
Falar em desfecho para a Lava Jato tornou-se uma questão complicada até mesmo para os analistas políticos, uma vez que não se sabe a extensão dos fatos. Mas é possível considerar que a fila será longa por conta do modelo de financiamento de campanha que afetou a maioria das legendas. Para o cientista político Paulo Roberto Figueira, da UFJF, “as práticas viciosas de campanha e de promiscuidade na relação de governos com empresas são tão antigas, capilarizadas e disseminadas entre a maioria dos partidos que, se as investigações continuarem e não forem tendenciosas, têm chance de pegar várias outras lideranças de várias outras legendas”. Na sua avaliação, a exceção fica por conta dos pequenos partidos de esquerda, que já não recebiam doações de empresas em campanha. “No jogo político, algumas parcelas da sociedade quiseram demonizar apenas alguns partidos, mas, se falarmos de honestidade, é intelectualmente desonesto imaginar que o problema se resume àqueles casos com maior visibilidade. Há um problema sistêmico”, enfatizou.
De longo prazo
Num cenário em que as investigações não têm dia nem hora para terminar, a tendência é a manutenção da atual instabilidade. No entendimento do professor Paulo Roberto Figueira, “vivemos, e talvez vivamos por um bom tempo, um quadro de enorme instabilidade política. E, se compararmos com casos similares de investigação de corrupção que desmontaram os principais partidos de alguns países, como a operação Mãos Limpas, na Itália, nos anos 1990, abrem-se possibilidades para discursos antipartidários, messiânicos. Depois da derrocada do sistema partidário italiano, o que veio foi Berlusconi. Esse risco não podemos desprezar”.
Nova eleição
A realização de novas eleições presidenciais, como defendem diversos setores, inclusive expressiva parcela do Governo anterior, tornou-se a discussão da vez, sobretudo pelas dificuldades encontradas pelo presidente em exercício, Michel Temer, que têm os mesmos índices de sua antecessora nas pesquisas, como as da CNT, divulgadas esta semana. Para o cientista político Paulo Roberto, a proposta ganha consistência com a adesão da presidente Dilma a esse discurso. Mas adverte que será preciso avaliar como será a repercussão entre as forças políticas, sobretudo no Senado.
Tudo em dia
O vereador Léo Oliveira está com sua situação regularizada junto à Justiça Eleitoral. Ontem, ele fez questão de utilizar as redes sociais para apresentar fac símile de registro de sua transferência para o Partido Trabalhista Brasileiro. Quando do encerramento dos prazos de filiação, seu nome não tinha sido divulgado pelo Tribunal, indicando que a filiação não tinha chegado a Belo Horizonte. Embora não haja informações sobre as razões da lacuna, tudo indica ter sido problema de comunicação com o sistema de informática do TRE. Feitos os devidos esclarecimentos, o vereador, agora em nova legenda, está apto a disputar a reeleição. Léo ocupou a vaga de Isauro Calais, quando este se elegeu deputado estadual. Na ocasião, ambos eram filiados ao PMN.
