NINGUÉM QUER
Num ponto, Governo e oposição concordam: a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o contraventor Carlinhos Cachoeira é ruim para os dois lados, já que o banqueiro de caça-níqueis tinha trânsito suprapartidário nas instâncias de poder. Envolvido até o pescoço com políticos de Goiás, de Brasília, do Rio de Janeiro, ele é o mesmo flagrado, antes do mensalão, negociando com Waldomiro Diniz, na época, um dos principais assessores do então ministro da Casa Civil, José Dirceu. Na sua coluna de ontem, em O Globo, o jornalista Ilimar Franco chama a atenção para os atores que podem estar nas malhas de Cachoeira. Entre eles, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e o senador Demóstenes Torres (DEM). Abrir a comissão seria mexer em velhas e recentes feridas, coisa que ninguém quer.
Mesmo rumo
A mudança no primeiro escalão da Prefeitura não aponta para novos rumos. Exceção ao Procon, para o qual o prefeito Custódio Mattos optou por um político, mas com passagem pelo cargo, as outras substituições – Atividades Urbanas e Agenda Juiz de Fora – foram eminentemente técnicas. De maior apelo popular, a SAU será dirigida temporariamente por uma técnica. Graciela Marques, além de ser funcionária de carreira, conhece como poucos a estrutura da secretaria. Chefe da fiscalização, ela vivencia, sobretudo, o lado externo do processo, pois tem contato com as ruas.
Tem mais
O ciclo de desincompatibilização ainda não terminou. Os candidatos a vereador que são secretários foram os primeiros da safra, mas a Justiça Eleitoral tem prazos para outras ocupações, como dirigentes sindicais. Nesse caso, os vereadores José Emanuel e Roberto Cupolillo, ligados respectivamente às categorias dos eletricitários e dos professores, terão que se afastar dos cargos de dirigentes. Se também tiveram interesse em disputar as eleições municipais, os petistas Martvs das Chagas, na Fundação Palmares, e Biel Rocha, numa secretaria do Planalto, também terão que se afastar.
Lideranças
O deputado Lafayette Andrada (PSDB) foi eleito presidente da Comissão de Redação da Assembleia, mas é na liderança da maioria que terá trabalho. Na última quarta-feira, véspera do feriadão de Semana Santa, o governador Antonio Anastasia reuniu seus líderes no Legislativo para uma discussão das ações do Governo ainda neste primeiro semestre. A bancada de oposição, embora em menor número, tem causado preocupações no Executivo por conta de ações permanentes, criticando a administração. Anastasia quer mais empenho de sua bancada e dos aliados.
Ficha Limpa
A Lei da Ficha Limpa, que hoje em Minas atinge apenas deputados estaduais e cerca de 12 mil ocupantes de cargos de direção, assessoramento e chefia no serviço público estadual, pode ser ampliada. Está em tramitação na Assembleia uma Proposta de Emenda à Constituição estabelecendo que todos os 683.088 funcionários estaduais, incluindo quem ingressou no serviço por concurso público, podem estar sujeitos às mesmas regras da Ficha Limpa. A norma alcança ocupantes de cargos e empregos no Executivo, Legislativo e Judiciário. Ainda não há data para chegar ao plenário.
