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Livro Brasil no Espelho, de Felipe Nunes, revela valores, atitudes e percepções do país

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Autor de “Biografia do Abismo”, livro que trata da polarização política, em parceria com o jornalista Thomas Traumann, o cientista político Felipe Nunes apresenta, em seu novo livro, “Brasil no espelho”, uma profunda pesquisa sobre o brasileiro. Foram realizadas quase dez mil entrevistas, no maior levantamento já feito sobre valores, atitudes e percepções do país. No prefácio, Suzana Pamplona Miranda, diretora de Pesquisa & Conhecimento da Globo, editora responsável pela publicação, destaca que “o que emerge daqui não é apenas estatística: é humanidade medida em porcentagens”.

Pesquisa revela, sem surpresa, que o brasileiro é conservador

Diretor da Quaest, Felipe vai fundo na busca do perfil do brasileiro. “Na média, somos um país conservador”, constata. “Prevalecem os valores tradicionais da religião, a valorização da família acima de tudo, a preservação de um pensamento estereotipado sobre o papel dos homens na sociedade, com uma aceitação moderna e conflitiva do papel das mulheres dentro e fora de casa. Na média, somos um povo com pouca aceitação de minorias, onde o diferente é admitido, mas visto como incômodo”, destaca.

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O avanço dos evangélicos entre as religiões

A pesquisa constata, por exemplo, que a religião e a família têm forte influência no brasileiro. “Os brasileiros acreditam que Deus está no comando de suas vidas, está por trás de tudo o que acontece e é onipresente, como estabelece um dos principais conceitos da teologia cristã. Quando perguntados, 96% dos brasileiros dizem acreditar nisso.” O cristianismo continua forte, mas as denominações passam por profunda mudança. Se no Censo de 1872 – o primeiro a ser realizado no país – 100% se declararam católicos, a cara da fé, hoje, é outra: católicos, 51%; evangélicos, 31%; outras, 4%, e sem religião, 14%. A pesquisa constata, porém, que, entre os 14% que se declaram sem religião, 91% afirmam ter fé e acreditar em Deus ou em algum ser superior.

Brasileiro tem na família uma de suas principais referências

A família tem um significado amplo para os brasileiros. “Dada a centralidade desse conceito, 80% das pessoas consideram que família é com quem se pode contar em momentos difíceis, em quem se pode confiar, mesmo que essa pessoa não seja um parente por nascimento, alguém com que se tenha laços de sangue.” A relevância da família, contudo, varia dentro da pluralidade brasileira. Os homens dão mais importância ao conceito de família tradicional do que as mulheres. De forma geral, quanto maior a renda, menor é a importância dada à família no conceito tradicional.

Gerações divididas para mostrar a mudança de perfil do brasileiro

A pesquisa feita pela Quaest entre novembro e dezembro de 2023, com 9.994 pessoas, em 340 municípios, dividiu os brasileiros por escolaridade, renda, religião e idade. Na estratificação por idades, os entrevistados foram divididos por gerações: Bossa Nova, dos nascidos entre 1945 e 1964; Geração Ordem e Progresso, dos nascidos entre 1965 e 1984; Geração Redemocratização, dos nascidos entre 1985 e 1999; e Geração.Com, dos nascidos entre 2000 e 2009.

 

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