Cidades de Minas
No encontro que promove em Belo Horizonte, a Associação Mineira dos Municípios (AMM) constatou o estado de penúria de um expressivo número de municípios que não estão conseguindo fechar o mês, atrasando salários dos servidores. A situação se reflete em todas as regiões. No entorno de Juiz de Fora, os serviços são cada vez mais precários, com hospitais atuando à meia bomba e postos de trabalho sendo fechados. Até agências bancárias está deixando tais regiões. E, quando banco fecha agência, é sinal de crise aguda nos municípios. Juiz de Fora, como revelou ontem o prefeito Bruno Siqueira, durante encontro com o presidente da AMM, Antônio Júlio, prefeito de Pará de Minas, é uma das exceções. Em sua página no Facebook, ele acentuou que, a despeito desse cenário, “a Prefeitura vai honrar seus compromissos com os servidores”.
Incertezas
Mas o somatório de crise política com economia em sérias dificuldades mantém o clima de incertezas, inclusive na pré-hora das campanhas eleitorais. Ontem, antes de acompanhar a leitura do relatório do senador Antonio Anastasia, em que recomenda o impedimento da presidente Dilma Rousseff, o deputado Marcus Pestana revelou que esse cenário está refletindo diretamente nos municípios, nos quais as campanhas para prefeito e vereador estão em banho-maria. “Todos os entendimentos estão caminhando lentamente, salvo as questões de bastidores, pois ninguém sabe o que virá pela frente.”
E o depois?
No entendimento do parlamentar, quem se arriscar a dizer como ficará o país nos próximos dias, depois da votação do impeachment da presidente da República, estará fazendo exercício de adivinhação. “Há uma completa insegurança sobre o comportamento da sociedade após o impeachment e o fim da operação Lava Jato”, destacou. Pestana lembrou ainda que a própria campanha, em alguns aspectos, será uma incógnita, citando o caso dos recursos que serão utilizados pelos candidatos. Como as doações empresariais estão proibidas, não se sabe como os políticos vão respaldar seus projetos sem ferir a lei.
Nos bastidores
Nos bastidores, as conversas continuam intensas para elaboração de alianças de olho no tempo de televisão. Pelas primeiras avaliações, os partidos de menor porte irão repartir uma parcela de apenas 30%, enquanto as demais candidaturas ficarão com os 70%. Tudo dependerá, agora, não do número de aliados mas do tamanho desses partidos, o que, de uma certa forma, beneficia siglas como o PMDB, PSDB e PT. Os partidos também se avaliam mutuamente por meio de pesquisas, mas os números têm sido divergentes quando são colocadas lado a lado. No entanto, tais estudos, nessa fase, são mais para consumo interno, a fim de orientar a montagem das campanhas.
