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O que queremos de 2022?

Por Renato Salles

31/12/2021 às 07h00 - Atualizada 03/01/2022 às 07h53

Das minhas paixões, o futebol talvez seja a mais antiga. Sério. De moleque pequeno a adolescente quase rebelde, eu tinha uma brincadeira e um hobby únicos: jogar bola. Mas a treta é que esta é também uma relação de amor e ódio. Eu tenho birra com muita coisa no futebol. Por muitas vezes, falo delas por aqui.

A maior delas, certamente, é a mania que nós, torcedores brasileiros, temos de imputar toda a responsabilidade aos treinadores. Se o time vai mal, a culpa é sempre do técnico. Manda embora. Solução mágica que só poupa o amadorismo e a incompetência dos verdadeiros responsáveis, os dirigentes. Seja no esporte ou na política, somos afeitos ao engodo da figura do salvador da pátria.

Aliás, isso vai além de política e esporte. Nos últimos anos, por exemplo, botamos a culpa de tudo que é ruim que acontece nesse Brasil afora ao ano. 2015 foi ruim. 2016, pior. 2017, deu biziu. 2018, abriu a tampa do esgoto. 2019, parece que piorou. 2020, acabou-se o mundo. 2021 é 2020 remasterizado.

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Assim, já vi muitos botarem em 2022 aquela responsabilidade que, infelizmente, parecemos adorar: o ano será redentor, depois de tudo que sofremos – e alguns infelizmente, negaram – durante a pandemia. Se agarram em uma salvação da lavoura, mas, no primeiro obstáculo que surgir, logo ali, em janeiro, já vão começar a dizer que 2022 é a versão piorada de 2021.

O fato é que o problema não é o ano. Definitivamente, não. O problema é o que fazemos, como indivíduos e sociedade, de cada ano. Desculpe, amigos: na vida e no futebol, não existem salvadores da pátria. O jogo é coletivo. Se seguirmos na inércia, provavelmente, daqui a poucos meses, estaremos terceirizando a culpa para um novo inimigo imaginário: 2022.

Às vésperas do Ano Novo, deixo no ar uma pergunta: o que queremos fazer de 2022? Há muitas respostas para este questionamento. Infinitos. Mas, desde já, é possível fazer de 2022 um ciclo melhor, seja ajudando os milhares de brasileiros que têm sido castigados pelas fortes chuvas ou nos preparando de forma antecipada para em outubro votar em projetos para o país e não em nomes. 

São só dois exemplos. São importantes para mim, ao menos. Para além disso, há muita coisa que podemos fazer para ter um ano melhor. Mas é preciso atentar que o jogo da vida, assim como o futebol, é coletivo. Se depender de salvador da pátria, 2022 já subiu no telhado.

Renato Salles

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