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Não há o que se comemorar

Por Renato Salles

25/02/2022 às 07h00 - Atualizada 24/02/2022 às 16h58

Que dia triste foi esse 24 de fevereiro! Já nas primeiras horas da madrugada, aqui no Brasil, perdi o sono ao acompanhar as primeiras movimentações de tropas russas em solo ucraniano. Fui dormir ainda sobre os rumores das primeiras explosões. Já na hora do almoço, a confirmação de que os ataques aconteciam por terra, solo e ar. Baita tristeza que me fez ingênuo por, por um momento, acreditar que a sociedade, aqui e acolá, sairia mais evoluída da crise sanitária de escala global trazida pela pandemia da Covid-19. Que inocência pueril! Lá e cá, parecemos piores, mais egoístas e ainda afeitos a falsos salvadores da pátria.

Mas a prosa aqui é esportiva. A guerra também traz consequências no maior evento do mundo: a Copa do Mundo. Nesta quinta-feira, as federações de futebol da Polônia, Suécia e República Tcheca se posicionaram contra a guerra, por óbvio. Envolvidas na repescagem das Eliminatórias europeias para a Copa do Mundo, estas seleções se recusam a jogar em território russo. Decisão justificada por inúmeros motivos. Por óbvio, uma vez mais. A Fifa ainda não se posicionou, mas imagino que uma exclusão dos russos da competição seja um caminho natural. Mesmo que os atletas, talvez, não mereçam, isso é o mínimo, neste momento.

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Em meus 43 anos recém-completados, esta não é a primeira guerra que me assusta. Contudo, pensei que já não veria mais isso. Ver imagens de pessoas assustadas, se escondendo no metrô de Kiev, por exemplo, em busca de proteção, é doloroso para mim. Fisicamente, doloroso. O mesmo senti ao assistir ao vídeo de jogadores brasileiros na Ucrânia, que, assustados e acuados, pedem ajuda ao Governo brasileiro para voltar para casa. “A gente está aqui pedindo ajuda para vocês, através desse vídeo, devido à falta de combustível que existe na cidade, fronteira fechada, espaço aéreo fechado, não tem como a gente sair”, foram as palavras do zagueiro Marlon, ex-Flu. De cortar o coração.

Guerras não têm vencedores. Não têm heróis. Mas, longe de comprar o discurso ocidental, quem atravessou o Rubicão foram os russos. Decisão que, a ferro e fogo, deixará muitas mortes. Neste primeiro cenário não vejo saída de curto prazo e, para além do confronto bélico, desta vez, o imbróglio pode apontar para uma nova Guerra Fria. Perdem todos. A sensação de hoje é de que este 24 de fevereiro será lembrado por muito tempo por mais um marco triste de nossa história. Vai marcar para sempre a data de meu aniversário. Não há o que comemorar.

Renato Salles

Renato Salles

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