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Até quando?

Por Renato Salles

19/11/2021 às 07h00 - Atualizada 18/11/2021 às 20h54

Neste sábado, 20 de novembro, incide mais um Dia da Consciência Negra. Mais uma oportunidade de reflexão sobre o longo caminho que o país, como sociedade, precisa percorrer para alcançar uma genuína igualdade racial. Infelizmente, não há o que se comemorar em quase todas as instâncias. Até mesmo no futebol, com sua multiplicidade étnica de atletas e torcedores, o racismo está muito distante de ser superado.

Nesta quinta, as discussões em torno do combate ao racismo no esporte brasileiro sofreram mais uma derrota vexaminosa. 7 a 1 é pouco. Ao se debruçar sobre uma denúncia do jogador Celsinho, do Londrina, de que um dirigente da equipe do Brusque, de Santa Catarina, teria lhe proferido ofensas raciais, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), acatou o recurso do… Brusque.

O caso é o seguinte: o Brusque havia perdido três pontos na tabela de classificação da Série B do Campeonato Brasileiro exatamente por conta da ofensa proferida por seu dirigente. Três pontos! Com a punição, o clube catarinense viu aumentar os riscos de rebaixamento para a Série C em 2022. Logo, recorreu ao STJD e conseguiu recuperar a pontuação.

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O fato é que o STJD manteve outras punições. O Brusque perderá um mando de campo e terá que pagar uma multa de R$ 60 mil. Ou seja: ao que parece, não é que órgão tenha entendido que não houve ofensa racial, visto que impôs algumas sanções ao clube do dirigente a quem Celsinho atribuiu um ato de racismo. É que considerou muito punir um caso de racismo com a perda de três pontos em um campeonato de futebol. Três pontos.

Em Juiz de Fora, também nesta quinta, tivemos outro revés na discussão sobre as questões raciais. Às vésperas do Dia da Consciência Negra, a votação de um projeto de lei que pretende instituir cotas para negros e pardos em concursos públicos realizados pelo município foi adiada pela quarta vez.

Até aí, tudo bem. É mais do que legítimo que os vereadores peçam um prazo maior para se debruçar sobre questões de tamanha relevância e que votem conforme suas consciências.

Acontece que, no caso, a postergação foi solicitada pelo vereador Sargento Mello Casal (PTB), que, também nesta quinta, antes de pedir o adiamento, fez um discurso contrário ao projeto. Em alto e bom som, deu a entender que já tem sua posição sobre o mérito da questão definida, o que, ao menos em um primeiro momento, não justificaria a não realização da votação, seja para sua aprovação ou rejeição. O adiamento, o segundo a pedido de Mello, acabou acatado por uma maioria silente, o que deixa uma pergunta no ar: até quando vamos nos negar a discutir as questões raciais de nossa sociedade?

Renato Salles

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