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Óbvios ululantes

Por incrível que pareça, só ontem, ao ler sobre a convocação da Seleção Brasileira pelo técnico do Tite, uma realidade óbvia me bateu como um tapa na cara: 2022 é ano de Copa do Mundo

Por Renato Salles

14/01/2022 às 07h10 - Atualizada 13/01/2022 às 22h44

Uma máxima que gosto muito na cultura popular brasileira é o conceito do óbvio ululante, cunhado pelo dramaturgo e cronista, do esporte e da vida, Nelson Rodrigues. A síntese é perfeita. Por vezes, não enxergamos algo que está ali, evidente aos olhos de todos. No Brasil de hoje, então, esta negação da realidade parece, lamentavelmente, cada vez mais comum, uma vez que paixões ideológicas cegam parte da população em crenças que elevam políticos à perigosa condição de salvadores da pátria.

Não apenas por paixões e falsas convicções deixamos de enxergar muitos dos muitos óbvios ululantes que existem por aí. A correria do cotidiano é outra razão corriqueira de cegueira. Nesta quinta-feira, mesmo, passei por uma dessas situações em que a grande ficha cai e expõe uma obviedade. Tudo bem que, no meu caso, foi algo menos importante, pois tem relação com a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes: o futebol, como definiu o italiano Arrigo Sacchi.

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Por incrível que pareça, só ontem, ao ler sobre a convocação da Seleção Brasileira pelo técnico do Tite, uma realidade óbvia me bateu como um tapa na cara: 2022 é ano de Copa do Mundo. Nesse mundo louco, de pandemias, variantes, negacionismo científico, rompantes autoritários e populismo, eu, simplesmente, estava esquecendo de umas das coisas que moldaram um pouco do que eu sou. Eu conseguia me lembrar que teríamos eleições este ano, mas a Copa do Mundo me parecia algo distante, não tão “logo ali”, como eternizou Fernando Vanucci. Inacreditável isso.

Constatado óbvio ululante da vez, fiquei mais interessado em avaliar os convocados de Tite. Uma coisa parece clara para mim e para a maioria das pessoas do meu convívio. Ao contrário do que aconteceu na minha infância e adolescência, não me parece mais tão fácil escalar os 11 jogadores brasileiros de cabeça, de cor e salteado. Nosso futebol não é mais feito de unanimidades.

Quem é unânime na Seleção hoje? Neymar? Sim, apesar de não constar na lista desta quinta-feira. Mais quem? Talvez, Casemiro. Outro que pode vir a ser é Vinícius Jr. Acho que para por aí. Aliás, as únicas unanimidades e os óbvios ululantes da lista são os nomes de Daniel Alves e Philippe Coutinho. Falta só o Tite enxergar o óbvio de que, no momento, não faz nenhum sentido dar à dupla mais uma oportunidade na Amarelinha. Ainda mais, lembrando, como eu, que é ano de Copa.

Renato Salles

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