Tópicos em alta: delivery jf / coronavírus / polícia / eleições 2020 / bolsonaro

Nem sempre igual

Por Renato Salles

13/12/2019 às 06h58 - Atualizada 12/12/2019 às 20h45

A rotina do cotidiano nos engole na incessante correria. Na era dos smartphones, o fato é que quase nunca nos desligamos do mundo. Checar as últimas notícias, notificações e mensagens é ato cada vez mais imperioso ao acordar e antes de dormir. Mais que o futebol, a informação fortuita – e muitas vezes descompromissada com a realidade – é o verdadeiro ópio do povo.

Não critico tal prática, pois, reservada as devidas proporções, todo dia faço tudo sempre igual. Ao acordar, checo as últimas notícias, notificações e mensagens no celular que cochila ao lado da cama. O mesmo vale para antes de dormir, em um ciclo interminável. Para além do “bom dia” e “boa noite” ao celular, todo meu momento livre é dedicado a uma busca insaciável por informações diversas.

Assim, todo dia quando chego do trabalho o ritual é o mesmo. Ligar a televisão. Colocar uma roupa mais leve. Fazer algo para comer. Tudo enquanto assisto em modo looping canais de notícias e de comentários por demanda e na TV fechada. Ou escuto este ou aquele podcast. Depois, uma merecida ducha antes de deitar na cama. Ufa!

Só ai, rola aquela relaxada. Antes de começar a projetar o dia seguinte, vem o momento para “não pensar em nada”: hora de dar aquela zapeada pelos canais esportivos. De preferência, procuro por um jogo de futebol ao vivo para acompanhar pela TV e por comentários indiscriminados na segunda tela do Twitter. A gente nunca desliga, lembra?

O conteúdo continua após o anúncio

Foi exatamente o que fiz na última terça-feira. Saí do trampo. Cheguei em casa. Liguei a TV. Coloquei uma roupa mais confortável. Cozinhei qualquer trem congelado. Notificações. Notícias. Mensagens. Jornal. Podcast. Banho. Na hora do descanso, zapeei até achar um jogo ao vivo na SporTV: “Amigos do Sheik contra a fome”!

Como sou um homem de hábitos, dediquei-me por pouco mais de uma hora à audiência da partida. Partida não, festa. A farra é boa. Dá para matar saudades de ex-atletas. Observar jovens promessas. Assistir figuras de outros meios pagando seus micos ao tentar pagar de boleiro. Rola até boa risadas em um ou outro lance. Vale muito pela intenção e por todo mérito beneficente de tais eventos.

Mas, apesar de ser um um baita passatempo, as famosas peladas não suprem o meu vício por informação em movimento traduzida pelo futebol. O campeonato nacional acabou não faz uma semana e já estou com saudades mesmo é dos torneios nacionais e da bola rolando para valer. É vício que chama.

Eu sei que, neste mesmo texto, já admiti que sou um homem de hábitos e que todo dia faço tudo sempre igual, como na música do Chico, mas, na boa, vou dar um tempo nessa mania de caçar qualquer jogo na TV. Ao menos, até janeiro.

Renato Salles

Renato Salles

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é dos autores das mensagens.
A Tribuna reserva-se o direito de excluir postagens que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros.



Leia também

Desenvolvido por Grupo Emedia