Poder de síntese

Por Renato Salles

11/08/2017 às 07h00 - Atualizada 10/08/2017 às 20h11

Tite não inovou tanto na convocação de sua Seleção Brasileira anunciada ontem. Enquanto muitos esperavam testes variados e uma legião de atletas que atuam no futebol brasileiro, apenas duas novidades: Cássio e Luan. Até confesso que esperava um número maior de experiências, já que o Brasil já tem passaporte carimbado para a Copa da Rússia e restam apenas dez meses para o maior evento esportivo do planeta. Mas não posso dizer que estou surpreso. Conhecendo a coerência de trabalho do técnico, diria até que Tite foi ousado.

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Mais que ousado, os dois nomes novos enfatizam uma das características que fez de Tite um técnico de nível mundial. O treinador é um observador nato. Ao convocar um goleiro e um atacante como novidades, conseguiu resumir quatro meses de Brasileirão em 2017. Não há um atleta que melhor simbolize a vocação defensiva do líder Corinthians que Cássio, goleiro menos vazado na competição – o santista Vanderlei até merecia uma chance, mas acabou preterido diante do histórico do corintiano. Da mesma maneira, o meia-atacante Luan é a síntese do potencial e da versatilidade ofensiva do vice-líder Grêmio. Na linha de frente, ninguém no futebol brasileiro merece mais a chance que o gremista por tudo o que fez em 2016 e 2017.

Além de, com a escolha de apenas duas novidades, conseguir sintetizar um campeonato brasileiro tão imprevisível, Tite sintetiza também, com sua coerência e boa leitura de jogo, a esperança de superarmos o 7 a 1 e de sonharmos novamente com um título mundial.

Renato Salles

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