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Boicote S.A

Por Renato Salles

07/01/2022 às 07h00 - Atualizada 06/01/2022 às 20h33

O goleiro Fábio parecia ser a derradeira ligação entre o passado recente de vitórias do Cruzeiro e o atual momento nada glorioso. A última grande conquista aconteceu em 2018, com o título da Copa do Brasil. De lá para cá, com o rebaixamento da equipe para a Série B do Campeonato Brasileiro em 2019, a Raposa vive seu maior calvário. Vai para o terceiro ano na segunda prateleira do futebol brasileiro. Fábio era uma espécie de elo perdido entre as conquistas e a vergonha. Não é mais.

Na quarta-feira, com pouca – ou nenhuma – pompa, o goleiro, que é um dos maiores ídolos da história cruzeirense, não teve o contrato renovado. A decisão foi da nova direção do time, agora, uma Sociedade Anônima do Futebol, que tem como principal investidor o ex-jogador Ronaldo Fenômeno. O fim da relação entre Cruzeiro e Fábio estava próximo de acontecer. Mas, ante a tanta decepção nos últimos anos, o torcedor não estava preparado para isto. Principalmente, da forma como aconteceu.

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O desfecho abrupto da crônica do fim anunciado provocou reações diversas. Fábio correu para as redes sociais para deixar claro sua intenção de seguir no clube até o fim de 2022. O Cruzeiro correu para fazer uma homenagem ao goleiro, mesmo que meio improvisada. Nesta quinta-feira, a torcida correu para a frente da Toca da Raposa para protestar. Tudo muito previsível.

O fato novo é o atual modelo de gestão do Cruzeiro. Provavelmente, daqui para frente, questões econômicas terão um peso maior que a pressão dos torcedores. Além de quitar uma dívida astronômica, no médio prazo, mais do que títulos, os investidores vão buscar retorno financeiro do aporte de recursos feito pela compra do futebol da Raposa. E, claro, lucro!

Por mais que o novo Cruzeiro diga que fez sacrifícios para manter Fábio e que outros digam que faltou respeito ao goleiro, a realidade é que qualquer assalariado brasileiro sabe que para uma empresa, o que é a Raposa agora, nomes e pessoas importam menos que o balanço financeiro. Talvez, no futuro próximo, a única forma de pressão genuína do torcedor cruzeirense seja o boicote e o piquete.

Renato Salles

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