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Uma homenagem para Zeneida Theresinha Delgado

Por Tribuna

23/08/2019 às 06h15 - Atualizada 22/08/2019 às 20h16

A Comissão Permanente de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa de Juiz de Fora indicou e foi aprovada por unanimidade a lei que institui, a partir deste ano, mais precisamente no dia 1º de outubro, Dia Internacional Da Pessoa Idosa, o Troféu Zeneida Theresinha Delgado. É uma forma de homenagear e reconhecer uma das mais importantes assistentes sociais, que iniciou o trabalho com as pessoas idosas na cidade há quase meio século. Pela sua perseverança, engajamento e entrega, ao lado de alguns poucos colegas, mais o grupo de idosos da extinta LBA (Legião Brasileira de Assistência), ela conseguiu, com a autorização e sensibilidade do ex-prefeito Tarcísio Delgado, implantar o Pró-Idoso da Amac, em 17 de junho de 1988. Começava aqui uma nova história na trajetória da atenção social e pública às pessoas idosas da cidade, que, até então, ficavam no silêncio de seus quartos, sem ter para onde ir e não ter com quem conversar.

Passados mais de 30 anos, eu não tenho nenhuma dúvida em afirmar que o Pró-Idoso deu mais vida à idade das pessoas idosas que participam dele. Mas penso também que a cidade precisa oferecer outros equipamentos sociais e de saúde para a complexidade da vida das pessoas que estão envelhecendo, como nós, e para as pessoas já idosas. Descentralizar os serviços públicos para as regiões dos bairros e área rural, certamente, atenderia mais gente idosa. Se as comissões de trabalho existentes na Câmara Municipal pautassem a realidade das pessoas idosas em suas reuniões, teríamos um grande ganho para as melhorias das condições de vida desse grupo social. Além do trabalho muito bem realizado pela Comissão do Idoso, sugiro que haja uma aproximação com o trabalho político e social de outras comissões da Câmara: de saúde, urbanismo, educação, esporte e lazer, participação comunitária e outras tão importantes quanto essas que eu citei.

Na verdade, a situação de vida de uma pessoa idosa está presente em todas as políticas sociais da cidade e recebe a interferência ou não da atuação parlamentar e de outros agentes públicos. Juiz de Fora, já é de domínio público, apresenta um grande número de pessoas idosas em sua composição populacional. Novos serviços, novos projetos e novas ações devem ser apresentados à comunidade porque as necessidades e expectativas das pessoas idosas são muitas e são variadas. São extremamente complexas e merecem atenção diferenciada. Não envelhecemos da mesma forma e nem da mesma maneira. O envelhecimento de todos nós recebe repercussões de todos os lados de nossa vida. E também da nossa inserção social, política e econômica na cidade.

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A instituição do troféu que homenageia a Zeneida é muito justa e de grande importância para o trabalho social com as pessoas idosas em Juiz de Fora. E de modo muito pessoal, traz um grande significado para a minha vida profissional, porque foi através dela, do convite que ela me fez para conduzir o Pró-Idoso, que nós mostramos para a cidade que as pessoas idosas existem e exigem respeito, atenção e cidadania. Minha eterna gratidão a ela e aos atores políticos da época: Zaguinha, superintendente da Amac e ao ex- prefeito Tarcísio Delgado.

Como a vida da gente é passageira, é trem-bala como diz a música de sucesso, penso que devemos cultivar a nossa memória, a nossa pessoal e a da cidade. Entendo perfeitamente que a criação desse troféu está fincada nessa direção, cultivar a memória coletiva da cidade, de toda a nossa gente. Nesse mundo tão rápido e tão fugaz. Vamos resistindo ao desmanche de nossa identidade e de nossa história. Por mais que a edição de várias homenagens às pessoas da comunidade possa parecer, a alguns comentaristas, falta de ocupação ou falta do que fazer dos nossos representantes públicos(vereadores), como às vezes aparece nas redes sociais, penso que, diferentemente, esses protocolos são medidas simples, pouco dispendiosas financeiramente, de um grande alcance afetivo e de valor histórico para a cidade. Para a família e para os homenageados. Não vejo problemas nessa distinção pública, pelo contrário, penso que são necessárias.

Já não somos um povo forte em registro de memória, o que será de nós, que legado deixaremos para as próximas gerações, se não criarmos expedientes na direção de fortalecer e cultuar a nossa história? Por isso, para finalizar, deixo os meus parabéns à Câmara Municipal por essa e outras iniciativas similares na intenção de jogar luzes sobre quem reconhecidamente merece homenagens porque fez história e honrou a cidade.

Tribuna

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