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Violência contra as pessoas idosas: até quando?

Por Jose Anisio Pitico

19/06/2020 às 06h59 - Atualizada 18/06/2020 às 21h00

O leitor e leitora mais atento/a vai perceber que não é a primeira vez que escrevo uma coluna com esse mesmo título. Não deixa de ser um tema recorrente. Como nunca é demais, pelo contrário, precisamos cada vez mais, escrever sobre temas relacionados ao nosso envelhecimento. E ao envelhecimento de todas as pessoas que vivem em nossa cidade. Precisamos falar, conversar, escrever, debater cada vez mais sobre o nosso processo de envelhecimento humano. Dentro e fora de casa. Esse é o propósito desse importante espaço aqui na coluna que, graças à Deus, tem merecido a leitura de muita gente. O que me honra profundamente. Estamos diante da grande novidade do século XXI: o envelhecimento populacional. O mundo está envelhecido. Nossa cidade também. Com a proximidade das eleições municipais não dá mais para o/as candidato/as não abordarem o tema do envelhecimento em seus discursos, narrativas e planos de governo. É a bola da vez! Com a complexidade que lhe é peculiar, o envelhecimento traz várias nuances e possibilidades de vivências singulares e muito circunscritas ao ambiente em que se desenvolve.

E entrando propriamente no título dessa coluna – Violência contra as Pessoas Idosas, até quando?, desejo contextualizá-lo agora. Primeiro dizer que, o dia 15 de junho, foi definido como sendo o Dia Mundial de Conscientização sobre a Violência contra as Pessoas Idosas pela OMS. Foi preciso instituir um dia para chamar a atenção das autoridades, estados, famílias e comunidade sobre a existência da violência contra os idosos. Infelizmente não é de hoje que isso acontece. Independente da faixa de idade das pessoas. Desde que o mundo é mundo, a velhice é um tema polêmico, de difícil aceitação e com pouca consideração social e pública ao longo da história da humanidade. No Brasil, então, historicamente, a preocupação com a população é quase nula, para não dizer inexistente. Temos que reconhecer o pioneirismo do trabalho social do Sesc do Estado de São Paulo – e daí para as outras unidades regionais do país.

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Assim como as velhices são distintas. A violência contra as pessoas idosas, infelizmente, também se apresenta sob diferentes maneiras e tipos. Todo tipo de violência precisa ser denunciado. Procure o Núcleo de Atendimento ao Idoso – NAI – da Polícia Civil, no Santa Cruz Shopping, no 3º andar. E nessa área de violação de direitos se faz necessário a implementação de medidas de saúde pública para não só proteger, mas também, preservar os direitos sociais das pessoas idosas. Outros canais de recebimento de denúncias devem ser acionados. As Unidades Básicas de Saúde. Os CREAS. Centros Regionais Especializados de Assistência Social. O Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa, sito à Rua Halfeld, 450/7º andar, no centro da cidade. A Comissão da Pessoa Idosa da Câmara Municipal.

Esse tipo de comunicado de realização da denúncia é muito complexo para acontecer, porque, geralmente, conforme as autoridades especializadas da área nos informam, os principais agressores não estão nas ruas. Claro que, lamentavelmente, é considerável o número de pessoas idosas que são agredidas no contexto das ruas. Em portas de agências bancárias. Abordagens agressivas e desrespeitosas acontecem em plena luz do dia, enfiando goela abaixo empréstimos consignados, provocando endividamentos desnecessários há muitos idosos. Mas, os agressores, em sua grande maioria, estão em casa. São filhos, filhas, netos e netas, sobrinhos e sobrinhas que praticam atos de violência contra as pessoas idosas: física, maus-tratos, psicológica, sexual, abandono, negligência, abuso financeiro e econômico, violência medicamentosa. Além da violência institucional que acontece, muitas das vezes, no nosso ambiente público de trabalho e prestação de serviços.

Para o enfrentamento dessa realidade, acredito em algumas ações. Por exemplo: realização de campanhas educativas públicas de sensibilização da comunidade sobre a necessidade do respeito e atenção às pessoas idosas. Um trabalho articulado intersetorialmente com as secretarias municipais que possam dar respostas concretas há ocorrências de casos de violência . Uma cidade melhor exige respeito às pessoas idosas!

Jose Anisio Pitico

Jose Anisio Pitico

Assistente social e gerontólogo. De Porciúncula (RJ) para o mundo. Gosta de ler, escrever e conversar com as pessoas. Tem no trabalho social com as pessoas idosas o seu lugar. Também é colaborador da Rádio CBN Juiz de Fora com a coluna Melhor Idade. Contato: (32) 98828-6941

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