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A Força da Grana!

Por Jose Anisio Pitico

14/02/2020 às 06h10 - Atualizada 13/02/2020 às 23h29

Percebo em mim, que com a passagem do tempo – estou quase entrando no clube dos 60+ – permito-me desejar, sem culpa nenhuma, ter uma vida um pouco mais confortável. Projetar um futuro com um pouco menos de aperto financeiro, de ter que pagar menos conta toda semana. Gosto de realizar movimentos de consumo que não negam a origem da minha classe social. Sou filho de pais pobres. Tenho muito orgulho dessa realidade. Hoje eu desejo ter uma boa casa, por exemplo, com área gourmet e espaço agradável para estar com os familiares queridos e com bons amigos e amigas. Jogar conversa fora. Ter bichos por perto. Um pequeno campo de futebol. Um açude para pescar e criar peixe. Cuidar de uma boa horta. Pés de frutas. No plano social, adoro comprar (e ganhar) camisas e calças bonitas. Blazers variados, bonitos sapatos. Se meu dinheiro desse, faria coleção de sapatênis. Acho que se trata de uma bela invenção! Do ponto de vista material, conquistei uma vida modesta e simples na aquisição de alguns itens que me dão satisfação e prazer. Compro livros e camisa de futebol a rodo. Vou viajar mais. O que tenho feito do exercício diário da minha profissão no espaço público da cidade, atuando como assistente social da PJF. Fiz minha carreira aqui. Não fiquei rico. Pelo tempo que ainda tenho de vida, preciso me capitalizar um pouco mais. Organizar com disciplina a minha vida financeira. Porque com o envelhecimento os gastos com a prevenção, promoção e manutenção da saúde serão frequentes e mais caros.

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Deixando de lado, a órbita pessoal de minhas especulações materiais, miro-me na perspectiva da sequência do trabalho social desenvolvido com a população idosa em Juiz de Fora. Não sei se é por causa da minha aposentadoria que está chegando, penso que sim; desejo que haja avanço no trabalho. Uma reflexão, que desde cedo me preocupa: a casa onde funciona o Departamento de Saúde do Idoso não é própria, está alugada à Prefeitura, e, recentemente, foi vendida para um grupo empresarial da construção civil. Assim como os serviços de saúde existentes no prédio do PAM-Marechal não tem para onde ir, vão permanecer onde estão. Qual será o destino, para onde vai o Departamento de Saúde do Idoso da cidade? É a força da grana. Choro com Caetano quando canta, “é a força da grana que ergue e destrói coisas belas”. Fazer o quê? Lamentar e sofrer. O mesmo que sinto em relação à venda do campo do Tupi. O Sales de Oliveira em Santa Terezinha. É como se passasse um trator em cima da memória da gente. Apagando a nossa história. A nossa paixão. As nossas melhores lembranças. Quem sou eu para discordar! Vida que segue!?

Na atuação com as pessoas idosas, desejo que mais e mais profissionais e instituições se envolvam nesse campo. Que é de todos. Quero ver o Centro-Dia para pessoas idosas funcionando na cidade. A Câmara Sênior cada vez mais ocupando seu protagonismo na direção de apontar medidas e leis municipais para a Câmara de Vereadores. Eleições serão daqui há oito meses. Como está a mobilização? Sonho também com as Instituições de Ensino Superior na vanguarda acadêmica de formar seus profissionais bem qualificados para a atuação na área da Geriatria e a da Gerontologia. Será que a nossa cidade definitivamente vai se transformar numa Cidade Amiga da Pessoa Idosa? O que falta? Falta maior participação da sociedade. Dos movimentos sociais e comunitários. Falta participação das pessoas idosas em seus fóruns específicos: nas reuniões plenárias do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa; nas reuniões da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa; na própria Câmara Sênior que eu fiz referência acima. Sem participação não tem conquista. Por outro lado, reconheço que estamos vivendo tempos sombrios, desalentadores para o progresso e emancipação da humanidade. O mundo anda muito sem graça. Nosso horizonte de vida está muito embaçado. Não vejo outra alternativa para a vida não perder sentido, a não ser resistir ao quadro que vem de cima. Não abrir mão de sonhar. De amar os amigos e amigas. De ler bons livros. Ouvir boas músicas. Fazer arte e beber poesia.

Jose Anisio Pitico

Jose Anisio Pitico

Assistente social e gerontólogo. De Porciúncula (RJ) para o mundo. Gosta de ler, escrever e conversar com as pessoas. Tem no trabalho social com as pessoas idosas o seu lugar. Também é colaborador da Rádio CBN Juiz de Fora com a coluna Melhor Idade. Contato: (32) 98828-6941

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