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O alemão e eu

Por Jose Anisio Pitico

08/02/2019 às 07h04 - Atualizada 07/02/2019 às 20h18

O alemão que empresta o título à coluna de hoje é o senhor doutor Alois Alzheimer, um neuropatologista que, em 1906, publicou o caso clínico de uma mulher de 55 anos (Auguste D), que apresentou alterações comportamentais – delírios de ciúme – e deterioração cognitiva progressiva. O mundo científico, à partir dos seus estudos, presta-lhe uma justa homenagem dando o seu nome a diagnóstico (que não é fácil de definição) aos casos de demências senis. Só para esclarecer. A Doença de Alzheimer é um dos tipos de demência que podem acometer a todos nós. Quando antes se falava que fulano estava esclerosado, biruta, caducando, certamente, a referência era a situações de desequilíbrio mental. Com o envelhecimento da população, a prevalência de doenças não transmissíveis, como diabetes, hipertensão arterial, depressão e síndromes geriátricas, ganha ou deveria ganhar a atenção das autoridades sanitárias. Só que não! No caso brasileiro, estamos envelhecendo a passos largos, ainda com respostas públicas governamentais bem tímidas na atenção à saúde das pessoas já idosas e às que estão envelhecendo. Novos impactos serão levados à sociedade brasileira, não somente na atenção à saúde pública, bem como em todos os estratos sociais-políticos- econômicos e culturais do nosso cotidiano.

Nossa cidade não está fora dessa realidade: precisamos criar serviços sociais e médicos de atenção às pessoas idosas dependentes e/ou com pouca independência para a gestão de suas vidas. Que serviços nós temos para as pessoas idosas que são cuidadas por suas famílias? Sabe lá, Deus, como esse cuidado ocorre. Onde obter profissionais qualificados, os cuidadores de idosos, para auxiliar as famílias que têm uma pessoa idosa dependente? Não é fácil, assim, de contratar. Cuidar de uma pessoa idosa não pode se configurar como um “bico”. É um trabalho muito sério e muito complexo. Tem que haver preparação, estudo e qualificação. A procura por esses profissionais tem aumentado significativamente. Um novo nicho de mercado que se abre para um futuro que já começou. Quem vai cuidar das pessoas idosas dependentes? Eis a questão. As instituições de longa permanência para pessoas idosas estão com demandas persistentes, por vagas, inclusive, de familiares, de outros municípios. Precisamos pensar e oferecer outros equipamentos sociais de moradia para as pessoas idosas.

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No âmbito domiciliar e pessoal, convivo com um familiar com Doença de Alzheimer. Cuidar não é uma tarefa fácil. Nossos limites são todos colocados à prova. E eles existem, são reais.A doença te mostra isso. São repetições rotineiras, estéreis, de silêncios, medos, inseguranças, sem saber o quê fazer. É um grande desafio. Sensação de abandono. O “alemão” te consome. Se a gente não se proteger, adoecemos juntos, com certeza. É como se fosse um visgo que te puxa para dentro e paralisa as suas emoções. No caso, as minhas. Além desse custo emocional, têm os custos financeiros.Se a família opta por cuidados institucionais, é caro tê-los em uma boa clínica geriátrica. O Brasil precisa avançar e nossa cidade também no cuidado social e público com as pessoas idosas, no intuito de promover ações de saúde que permitam ampliar o diagnóstico, o quanto antes, em fases iniciais, da Doença de Alzheimer, em função do crescente número de pessoas idosas no país e em Juiz de Fora.

Assistente social e gerontólogo
(32) 98828-6941

Jose Anisio Pitico

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