{"id":9422,"date":"2025-03-26T11:00:00","date_gmt":"2025-03-26T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=9422"},"modified":"2025-03-25T16:41:25","modified_gmt":"2025-03-25T19:41:25","slug":"15-barragens-em-risco-foram-construidas-em-minas-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/15-barragens-em-risco-foram-construidas-em-minas-gerais\/","title":{"rendered":"15 barragens em risco foram constru\u00eddas em Minas Gerais"},"content":{"rendered":"\n<p>Minas Gerais, um estado marcado pela intensa atividade mineradora, enfrenta atualmente uma crise ambiental de grandes propor\u00e7\u00f5es. O estado possui 43 barragens em alerta ou emerg\u00eancia, sendo que 15 delas, representando 34,8% do total, foram constru\u00eddas utilizando o m\u00e9todo de alteamento a montante, considerado o mais perigoso pela engenharia. <\/p>\n\n\n\n<p>Este modelo de constru\u00e7\u00e3o, que consiste em erigir a represa sobre o pr\u00f3prio rejeito, representa um risco elevado de deslizamentos e rompimentos, especialmente durante per\u00edodos chuvosos. As trag\u00e9dias de Brumadinho e Mariana, que ocorreram nos meses de janeiro e novembro, respectivamente, demonstram de maneira tr\u00e1gica os perigos dessa t\u00e9cnica, que culminaram em uma perda irrepar\u00e1vel de vidas e danos ambientais catastr\u00f3ficos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Risco de desastres<\/h2>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o das barragens em Minas Gerais \u00e9 alarmante, com 95.300 pessoas vivendo nas proximidades das 15 represas a montante em alerta ou emerg\u00eancia. Essas estruturas acumulam cerca de 384,2 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeito, um volume que coloca em risco n\u00e3o s\u00f3 a vida humana, mas tamb\u00e9m o meio ambiente. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 outras 19 barragens que foram constru\u00eddas com o m\u00e9todo de etapa \u00fanica, o que impede sua amplia\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. Essas barragens abrigam 46,5 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeito e afetam aproximadamente 156 mil pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora existam m\u00e9todos de constru\u00e7\u00e3o considerados mais seguros, como o alteamento a jusante (onde o rejeito \u00e9 depositado abaixo da represa), o risco permanece, pois essas barragens tamb\u00e9m abrigam grandes volumes de rejeito. <\/p>\n\n\n\n<p>No caso do alteamento a jusante, o n\u00famero de pessoas em risco \u00e9 de cerca de 44 mil. J\u00e1 as barragens com eleva\u00e7\u00e3o por linha de centro, uma t\u00e9cnica que combina caracter\u00edsticas do a montante e do a jusante, envolvem aproximadamente 1,5 milh\u00e3o de pessoas em \u00e1reas de risco, com 6,7 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeito armazenados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Falha na governan\u00e7a e fiscaliza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A ANM (Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o) \u00e9 a respons\u00e1vel pela fiscaliza\u00e7\u00e3o das barragens no Brasil, mas a realidade demonstra falhas graves nesse processo. As mineradoras devem enviar a Declara\u00e7\u00e3o de Condi\u00e7\u00e3o de Estabilidade (DCE) duas vezes por ano (mar\u00e7o e setembro) para garantir que as barragens est\u00e3o seguras. <\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, cerca de 63% das barragens em alerta ou emerg\u00eancia n\u00e3o tiveram suas declara\u00e7\u00f5es aprovadas ou ignoraram os prazos estipulados. Isso exp\u00f5e uma falha cr\u00edtica na fiscaliza\u00e7\u00e3o, agravada pela falta de t\u00e9cnicos especializados e pela sobrecarga da ANM, como apontado pelo professor Evandro Moraes da Gama, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o aumento da popula\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas pr\u00f3ximas \u00e0s barragens tem agravado a situa\u00e7\u00e3o. Muitas dessas \u00e1reas s\u00e3o, teoricamente, de servid\u00e3o, ou seja, delimitadas pelas empresas mineradoras para evitar a proximidade com \u00e1reas habitadas. <\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a ocupa\u00e7\u00e3o urbana nas regi\u00f5es ao redor dessas barragens cresceu consideravelmente ao longo dos anos, o que torna as pessoas vulner\u00e1veis aos desastres.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Solu\u00e7\u00e3o para o futuro<\/h2>\n\n\n\n<p>O professor Evandro Moraes da Gama prop\u00f5e uma solu\u00e7\u00e3o radical para os problemas gerados pelas barragens: a elimina\u00e7\u00e3o do uso das barragens como forma de armazenamento de rejeitos. <\/p>\n\n\n\n<p>Ele critica o uso do termo &#8220;rejeito&#8221; para classificar o material, sugerindo que deveria ser tratado como um &#8220;coproduto&#8221;, com a possibilidade de ser transformado em mat\u00e9ria-prima para outros produtos. Um exemplo not\u00e1vel vem da China, que j\u00e1 utiliza 80% de seus rejeitos para a produ\u00e7\u00e3o de porcelanato, pisos e at\u00e9 pavimenta\u00e7\u00e3o de estradas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o projeto &#8220;Rejeito Zero&#8221;, desenvolvido por Gama, busca promover uma mudan\u00e7a de paradigma, incentivando a colabora\u00e7\u00e3o entre o setor p\u00fablico e privado para transformar os rejeitos em produtos \u00fateis. A proposta \u00e9 vi\u00e1vel, mas dependeria de um compromisso s\u00e9rio das empresas e do governo. <\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o professor ressalta que h\u00e1 uma resist\u00eancia cultural dentro das mineradoras, que preferem demitir engenheiros e contratar advogados para lidar com os problemas jur\u00eddicos do que investir em solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e seguras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minas Gerais, um estado marcado pela intensa atividade mineradora, enfrenta atualmente uma crise ambiental de grandes propor\u00e7\u00f5es. O estado possui 43 barragens em alerta ou emerg\u00eancia, sendo que 15 delas, representando 34,8% do total, foram constru\u00eddas utilizando o m\u00e9todo de alteamento a montante, considerado o mais perigoso pela engenharia. 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