{"id":8770,"date":"2025-03-20T13:17:52","date_gmt":"2025-03-20T16:17:52","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=8770"},"modified":"2025-03-20T13:17:56","modified_gmt":"2025-03-20T16:17:56","slug":"o-livro-que-o-dono-do-instagram-nao-quer-seus-usuarios-lendo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/o-livro-que-o-dono-do-instagram-nao-quer-seus-usuarios-lendo\/","title":{"rendered":"O livro que o dono do Instagram n\u00e3o quer seus usu\u00e1rios lendo"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma ex-executiva da Meta, empresa que controla o Instagram, Facebook e WhatsApp, trouxe a p\u00fablico um livro que tem gerado enorme controv\u00e9rsia nos Estados Unidos. <\/p>\n\n\n\n<p>Sarah Wynn-Williams, que trabalhou na companhia entre 2011 e 2017, relata epis\u00f3dios internos que, segundo ela, exp\u00f5em a cultura t\u00f3xica e a falta de \u00e9tica dentro da gigante da tecnologia. <\/p>\n\n\n\n<p>As acusa\u00e7\u00f5es atingem diretamente altos executivos da Meta e at\u00e9 mesmo seu fundador e CEO, Mark Zuckerberg, que agora busca barrar a circula\u00e7\u00e3o da obra por meio da Justi\u00e7a. <\/p>\n\n\n\n<p>A tentativa de censura contrasta com o discurso do empres\u00e1rio, que se apresenta ao lado de Donald Trump e Elon Musk como um defensor irrestrito da liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O livro que o dono do Instagram n\u00e3o quer seus usu\u00e1rios lendo<\/h2>\n\n\n\n<p>O nome do livro \u00e9 <em><strong><a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Careless-People-Cautionary-Power-Idealism\/dp\/1250391237\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Careless People: A Cautionary Tale of Power, Greed and Lost Idealism<\/a><\/strong><\/em> (&#8220;Pessoas descuidadas: um conto preventivo sobre poder, gan\u00e2ncia e idealismo perdido&#8221; em tradu\u00e7\u00e3o livre), uma alus\u00e3o a fala do personagem do livro <em><a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/livro\/9788563560292\/o-grande-gatsby?srsltid=AfmBOoqL6pDmkp7OOV5Akd1kD1KWyWYvTop-lm1BrKQwTP-_6X1kTz2N\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>O Grande Gatsby<\/strong><\/a><\/em> que diz que seus amigos ricos s\u00e3o apenas &#8220;pessoas descuidadas&#8221; que &#8220;destru\u00edram coisas e criaturas e ent\u00e3o recuaram para seu dinheiro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A ex-funcion\u00e1ria da Meta, Wynn-Williams descreve um ambiente corporativo permeado por ass\u00e9dio, abuso de poder e tentativas da empresa de se alinhar com regimes autorit\u00e1rios para expandir seus neg\u00f3cios. <\/p>\n\n\n\n<p>Um dos epis\u00f3dios mais marcantes envolve Joel Kaplan, ex-vice-presidente de pol\u00edticas p\u00fablicas da Meta, que teria feito coment\u00e1rios inapropriados sobre a apar\u00eancia da autora ap\u00f3s sua gravidez e questionado detalhes sobre sua recupera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-parto. <\/p>\n\n\n\n<p>A autora tamb\u00e9m menciona Sheryl Sandberg, ex-diretora de opera\u00e7\u00f5es, que teria ordenado que sua assistente comprasse milhares de d\u00f3lares em lingerie e, em uma viagem corporativa, a convidado para dividir a cama em um voo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o livro aponta que Zuckerberg estava disposto a atender \u00e0s exig\u00eancias do governo chin\u00eas para permitir a entrada do Facebook no pa\u00eds, incluindo a implementa\u00e7\u00e3o de ferramentas de censura e vigil\u00e2ncia para agradar autoridades locais. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a autora, a Meta considerou at\u00e9 mesmo compartilhar dados de usu\u00e1rios de Hong Kong com o governo chin\u00eas, em uma tentativa de provar sua disposi\u00e7\u00e3o em colaborar com o regime.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Zuckerberg tenta impedir na justi\u00e7a divulga\u00e7\u00e3o do livro, apesar de se dizer defensor da liberdade de express\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>O lan\u00e7amento do livro ocorre em um momento curioso para Zuckerberg. No in\u00edcio do ano, o CEO da Meta <a href=\"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/quatro-bilionarios-na-posse-de-trump-corresponde-ao-pib-de-175-paises\/\"><strong>se aproximou politicamente<\/strong><\/a> do rec\u00e9m-empossado presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do bilion\u00e1rio Elon Musk. <\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m anunciou mudan\u00e7as na modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado em suas plataformas, encerrando a checagem de informa\u00e7\u00f5es para priorizar um modelo em que os pr\u00f3prios usu\u00e1rios se corrigem mutuamente por meio de &#8220;notas da comunidade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, apesar de sua postura p\u00fablica pr\u00f3-liberdade de express\u00e3o, Zuckerberg recorreu \u00e0 Justi\u00e7a para tentar bloquear a divulga\u00e7\u00e3o do livro. <\/p>\n\n\n\n<p>Em vez de contestar as acusa\u00e7\u00f5es feitas por Wynn-Williams &#8211; declara\u00e7\u00e3o que Zuckerberg nunca fez -, a Meta argumenta que a ex-funcion\u00e1ria violou um contrato ao revelar detalhes internos da empresa. <\/p>\n\n\n\n<p>O caso levanta d\u00favidas sobre at\u00e9 que ponto o discurso de liberdade de express\u00e3o irrestrita do CEO se sustenta quando a transpar\u00eancia coloca sua pr\u00f3pria reputa\u00e7\u00e3o e fortuna em risco.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma ex-executiva da Meta, empresa que controla o Instagram, Facebook e WhatsApp, trouxe a p\u00fablico um livro que tem gerado enorme controv\u00e9rsia nos Estados Unidos. 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