{"id":7227,"date":"2025-03-10T10:30:00","date_gmt":"2025-03-10T13:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=7227"},"modified":"2025-03-07T19:06:19","modified_gmt":"2025-03-07T22:06:19","slug":"funcionario-era-obrigado-a-participar-de-oracoes-antes-do-seu-expediente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/funcionario-era-obrigado-a-participar-de-oracoes-antes-do-seu-expediente\/","title":{"rendered":"Funcion\u00e1rio era obrigado a participar de ora\u00e7\u00f5es antes do seu expediente"},"content":{"rendered":"\n<p>Em uma recente decis\u00e3o judicial proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 24\u00aa Regi\u00e3o (TRT-24), uma empresa de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, foi condenada a pagar uma indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 5 mil por danos morais a um ex-funcion\u00e1rio que era obrigado a participar de ora\u00e7\u00f5es antes do expediente de trabalho. <\/p>\n\n\n\n<p>A senten\u00e7a, ainda pass\u00edvel de recurso, reflete uma quest\u00e3o importante sobre a liberdade religiosa no contexto trabalhista e o respeito aos direitos individuais dos trabalhadores. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pr\u00e1tica de ora\u00e7\u00e3o no ambiente corporativo<\/h2>\n\n\n\n<p>A empresa em quest\u00e3o realizava ora\u00e7\u00f5es di\u00e1rias entre 7h e 7h30, antes do hor\u00e1rio regular de expediente. De acordo com o relato do ex-funcion\u00e1rio, ele era obrigado a chegar mais cedo do que o estipulado em seu contrato de trabalho para participar dessa pr\u00e1tica religiosa. <\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, n\u00e3o houve questionamentos sobre a sua religi\u00e3o ou sobre a sua disposi\u00e7\u00e3o em participar nessas ora\u00e7\u00f5es. Em seu depoimento, o representante da empresa afirmou que a presen\u00e7a dos funcion\u00e1rios nas ora\u00e7\u00f5es fazia parte da &#8220;cultura corporativa&#8221; da empresa. Embora o ex-funcion\u00e1rio estivesse presente, ele n\u00e3o participou das ora\u00e7\u00f5es, o que sugere um ambiente de desconforto para quem n\u00e3o compartilha das mesmas cren\u00e7as religiosas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Liberdade religiosa e o estado Laico<\/h2>\n\n\n\n<p>A ju\u00edza respons\u00e1vel pela decis\u00e3o, Lais Pahins Duarte, afirmou que a obrigatoriedade de participa\u00e7\u00e3o nas ora\u00e7\u00f5es configurava uma viola\u00e7\u00e3o da liberdade religiosa do trabalhador. <\/p>\n\n\n\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o Federal do Brasil assegura o Estado laico, ou seja, um Estado que n\u00e3o se associa a nenhuma religi\u00e3o e garante a liberdade de cren\u00e7a e culto para todos os seus cidad\u00e3os. Nenhum indiv\u00edduo pode ser solicitado a participar de pr\u00e1ticas religiosas contra sua vontade. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa garantia \u00e9 fundamental para preservar a autonomia do trabalhador em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua f\u00e9 e suas escolhas pessoais, evitando que sejam submetidos a situa\u00e7\u00f5es de constrangimento ou discrimina\u00e7\u00e3o religiosa no ambiente de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Constrangimento psicol\u00f3gico e danos morais<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora a empresa tenha alegado que o funcion\u00e1rio nunca tenha se manifestado contra as ora\u00e7\u00f5es, a ju\u00edza destacou que a exig\u00eancia de participa\u00e7\u00e3o ou mesmo a imposi\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a sem a devida considera\u00e7\u00e3o das pessoas configura um tipo de constrangimento psicol\u00f3gico. <\/p>\n\n\n\n<p>O trabalhador, ao ser convocado a comparecer \u00e0s ora\u00e7\u00f5es, mas sem a possibilidade de recusa sem preju\u00edzos, viveu uma situa\u00e7\u00e3o de desconforto constante, o que configura dano moral. Al\u00e9m disso, o fato de uma empresa n\u00e3o ter se preocupado em dialogar sobre as prefer\u00eancias religiosas de seus colaboradores refor\u00e7a a ideia de que a pr\u00e1tica foi imposta sem sensibilidade e respeito pela individualidade dos funcion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cultura corporativa versus direitos individuais<\/h2>\n\n\n\n<p>O conceito de &#8220;cultura corporativa&#8221; utilizado pela empresa pode ser questionado, pois, ao tentar impor uma pr\u00e1tica religiosa a seus colaboradores, a organiza\u00e7\u00e3o ultrapassou os limites do respeito \u00e0 diversidade e \u00e0 liberdade religiosa. <\/p>\n\n\n\n<p>A cultura de uma empresa deve promover um ambiente inclusivo, no qual todos os funcion\u00e1rios, independentemente de suas preocupa\u00e7\u00f5es, possam trabalhar com tranquilidade, sem que sejam obrigados a aderir a pr\u00e1ticas com as quais n\u00e3o se identificam. <\/p>\n\n\n\n<p>O fato de uma empresa nunca ter questionado se seus funcion\u00e1rios se sentissem confort\u00e1veis \u200b\u200bcom a pr\u00e1tica religiosa em quest\u00e3o revela a falta de um di\u00e1logo saud\u00e1vel e respeitoso sobre a diversidade no ambiente de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Responsabilidade das empresas na garantia dos direitos trabalhistas<\/h2>\n\n\n\n<p>A instru\u00e7\u00e3o da empresa a pagar uma indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais ressalta a responsabilidade das empresas em garantir que os direitos de seus funcion\u00e1rios sejam respeitados, inclusive no que diz respeito \u00e0 liberdade religiosa. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, fica claro que as pr\u00e1ticas que imp\u00f5em obriga\u00e7\u00f5es religiosas, como a participa\u00e7\u00e3o em ora\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00e3o condizentes com as normas de um ambiente de trabalho saud\u00e1vel e respeitoso. As empresas devem estar atentas \u00e0s necessidades e \u00e0 individualidade de seus colaboradores, promovendo um ambiente no qual as diferen\u00e7as sejam respeitadas e os direitos fundamentais sejam preservados.<\/p>\n\n\n\n<p>A imposi\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas religiosas, como a participa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria em ora\u00e7\u00f5es, fere o princ\u00edpio do Estado laico e pode gerar s\u00e9rios preju\u00edzos emocionais ao trabalhador. A decis\u00e3o judicial serve como um marco importante para o fortalecimento da conviv\u00eancia e do respeito entre pessoas com diferen\u00e7as dentro do ambiente corporativo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma recente decis\u00e3o judicial proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 24\u00aa Regi\u00e3o (TRT-24), uma empresa de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, foi condenada a pagar uma indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 5 mil por danos morais a um ex-funcion\u00e1rio que era obrigado a participar de ora\u00e7\u00f5es antes do expediente de trabalho. A senten\u00e7a, ainda [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":7228,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":{"format":"standard"},"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_override_counter":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[83,84],"tags":[],"class_list":["post-7227","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colunas","category-mais-tendencias"],"_referencia":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7227","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7227"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7227\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7229,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7227\/revisions\/7229"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7228"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7227"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7227"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7227"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}