{"id":6411,"date":"2025-02-28T10:30:00","date_gmt":"2025-02-28T13:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=6411"},"modified":"2025-02-27T18:59:28","modified_gmt":"2025-02-27T21:59:28","slug":"mulher-perde-auxilio-doenca-e-empresa-e-condenada-a-pagar-multa-milionaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/mulher-perde-auxilio-doenca-e-empresa-e-condenada-a-pagar-multa-milionaria\/","title":{"rendered":"Mulher perde aux\u00edlio-doen\u00e7a e empresa \u00e9 condenada a pagar multa milion\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma recente decis\u00e3o da 11\u00aa Vara do Trabalho da Zona Sul de S\u00e3o Paulo trouxe \u00e0 tona um importante debate sobre a responsabilidade das empresas em garantir a reintegra\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios ap\u00f3s um afastamento por acidente de trabalho. <\/p>\n\n\n\n<p>A notifica\u00e7\u00e3o de uma empresa do setor de alimentos e bebidas a pagar R$ 20 mil de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais a uma promotora de vendas que n\u00e3o foi readaptada em novas fun\u00e7\u00f5es ap\u00f3s a alta do aux\u00edlio-doen\u00e7a gera sobre os direitos dos trabalhadores e as obriga\u00e7\u00f5es das empresas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Entenda o acidente de trabalho e o afastamento<\/h2>\n\n\n\n<p>O acidente de trabalho em quest\u00e3o ocorreu em 14 de junho de 2005, quando uma funcion\u00e1ria sofreu uma queda enquanto abastecia uma prateleira. O impacto da queda resultou em uma les\u00e3o no joelho esquerdo, o que comprometeu em 20% sua capacidade laborativa, conforme atestado pericial. Ap\u00f3s o acidente, a trabalhadora foi afastada de suas fun\u00e7\u00f5es e passou a receber o aux\u00edlio-doen\u00e7a por parte do INSS.<\/p>\n\n\n\n<p>Este afastamento durou de 30 de setembro de 2005 a 30 de novembro de 2023, quando um profissional foi considerado apto a retomar suas atividades laborais pelo INSS. Contudo, a sua volta ao trabalho n\u00e3o foi acompanhada de nenhuma adapta\u00e7\u00e3o das suas fun\u00e7\u00f5es, o que levou a empresa a ser processada e condenada judicialmente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Qual foi a decis\u00e3o judicial?<\/h2>\n\n\n\n<p>O juiz Gustavo Kiyoshi Fujinohara, respons\u00e1vel pela senten\u00e7a, foi claro ao afirmar que a empresa agiu de forma negligente ao n\u00e3o readaptar a funcion\u00e1ria em novas atividades compat\u00edveis com suas limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas. <\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o foi fundamentada no artigo 476 da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT) e no artigo 63 da Lei n\u00ba 8.213\/91, que determinam que a alta previdenci\u00e1ria implica na retomada do contrato de trabalho, com as obriga\u00e7\u00f5es da empresa de garantir o pagamento dos contratos de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>O magistrado desde ent\u00e3o que a indica\u00e7\u00e3o do INSS para que um trabalhador assumisse uma fun\u00e7\u00e3o administrativa n\u00e3o eximia a empresa de sua responsabilidade de readaptar um profissional, mesmo que as fun\u00e7\u00f5es fossem diferentes daquelas que ela desempenhava anteriormente. Al\u00e9m disso, a decis\u00e3o indicou que a omiss\u00e3o da empresa em oferecer uma nova fun\u00e7\u00e3o representava uma \u201cbarreira atitudinal\u201d que impedia a plena inclus\u00e3o do trabalhador.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa, por sua vez, argumentou que a reabilita\u00e7\u00e3o do INSS n\u00e3o obrigava a readaptar a funcion\u00e1ria, alegando que n\u00e3o havia vagas compat\u00edveis com as limita\u00e7\u00f5es da trabalhadora. No entanto, a justi\u00e7a n\u00e3o foi aceita essa justificativa, entendendo que a empresa n\u00e3o poderia se eximir de suas responsabilidades.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Inclus\u00e3o exig\u00eancia de adapta\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho<\/h2>\n\n\n\n<p>Um ponto crucial abordado na senten\u00e7a foi a quest\u00e3o da inclus\u00e3o e da adapta\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho para os trabalhadores reabilitados. O juiz enfatizou que a reintegra\u00e7\u00e3o de um trabalhador que passou por um processo de reabilita\u00e7\u00e3o deve ser acompanhada de ajustes adequados no ambiente de trabalho, garantindo que o colaborador consiga desempenhar suas fun\u00e7\u00f5es de forma compat\u00edveis com suas novas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a decis\u00e3o, exigir que o trabalhador apresente plena capacidade f\u00edsica e mental ap\u00f3s um acidente de trabalho \u00e9 uma forma de discrimina\u00e7\u00e3o. A reintegra\u00e7\u00e3o deve ser vista como um processo que inclui a adapta\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, tendo em conta que o empregado passou por um longo per\u00edodo de recupera\u00e7\u00e3o e reabilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A senten\u00e7a tamb\u00e9m refor\u00e7ou que as empresas t\u00eam a responsabilidade de garantir que seus trabalhadores, especialmente aqueles que sofreram acidentes de trabalho e passaram por reabilita\u00e7\u00e3o, possam retornar ao mercado de trabalho em fun\u00e7\u00f5es compat\u00edveis com suas capacidades. A miss\u00e3o da empresa, portanto, n\u00e3o pode ser aceita, e a decis\u00e3o judicial imp\u00f5e uma multa significativa como forma de reposi\u00e7\u00e3o por danos morais causados \u200b\u200bao trabalhador.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O &#8220;limbo previdenci\u00e1rio&#8221; e os danos morais<\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos aspectos mais graves deste caso foi a situa\u00e7\u00e3o conhecida como \u201climbo previdenci\u00e1rio\u201d, onde o trabalhador fica sem sal\u00e1rio e sem trabalho. Ap\u00f3s a alta do aux\u00edlio-doen\u00e7a, um profissional n\u00e3o foi readaptado e n\u00e3o recebeu reviravoltas, ficando em uma situa\u00e7\u00e3o em que, de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o, ela n\u00e3o deveria ser descartada pelo empregador, mas tamb\u00e9m n\u00e3o deveria ser mantida em um \u201cvazio legal\u201d sem uma fun\u00e7\u00e3o clara.<\/p>\n\n\n\n<p>Este cen\u00e1rio gerou danos morais, pois o trabalhador ficou em uma posi\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel, sem a garantia de seu sustento e sem a possibilidade de retomar suas atividades profissionais. A instru\u00e7\u00e3o da empresa a pagar R$ 20 mil de indeniza\u00e7\u00e3o visa compensar esses danos, al\u00e9m de servir como um alerta para outras empresas sobre a import\u00e2ncia de respeitar os direitos dos trabalhadores reabilitados e garantir sua inclus\u00e3o de forma justa e adequada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma recente decis\u00e3o da 11\u00aa Vara do Trabalho da Zona Sul de S\u00e3o Paulo trouxe \u00e0 tona um importante debate sobre a responsabilidade das empresas em garantir a reintegra\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios ap\u00f3s um afastamento por acidente de trabalho. 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