{"id":50139,"date":"2026-04-23T08:31:00","date_gmt":"2026-04-23T11:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=50139"},"modified":"2026-04-22T16:38:30","modified_gmt":"2026-04-22T19:38:30","slug":"cientistas-brasileiros-descobrem-uma-das-ultimas-aves-do-terror-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/cientistas-brasileiros-descobrem-uma-das-ultimas-aves-do-terror-da-terra\/","title":{"rendered":"Cientistas brasileiros descobrem uma das \u00faltimas \u2018aves do terror\u2019 da Terra"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma descoberta liderada por cientistas brasileiros est\u00e1 mudando o entendimento sobre a sobreviv\u00eancia das chamadas \u201caves do terror\u201d, grupo de predadores que dominou a Am\u00e9rica do Sul por milh\u00f5es de anos. <\/p>\n\n\n\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o de uma nova esp\u00e9cie, batizada de Eschatornis aterradora, indica que esses animais viveram at\u00e9 cerca de 25 mil anos atr\u00e1s, per\u00edodo considerado recente em termos geol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo foi publicado no peri\u00f3dico cient\u00edfico Papers in Palaeontology e re\u00fane pesquisadores da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Minas Gerais (PUC-MG), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e do Centro de Pesquisas em Ci\u00eancias da Terra, na Argentina.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Descoberta a partir de um \u00fanico osso<\/h2>\n\n\n\n<p>A nova esp\u00e9cie foi descrita com base em um fragmento de osso encontrado na caverna Toca dos Ossos, localizada no munic\u00edpio de Ourol\u00e2ndia, na Chapada Diamantina (BA). O material analisado corresponde a parte do tibiotarso, estrutura \u00f3ssea presente nas pernas das aves.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, o f\u00f3ssil havia sido classificado, em 2008, como pertencente a um grupo de aves necr\u00f3fagas, como urubus. No entanto, uma reavalia\u00e7\u00e3o detalhada revelou caracter\u00edsticas anat\u00f4micas compat\u00edveis com os forusrac\u00eddeos, conhecidos popularmente como \u201caves do terror\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Predadores dominantes da pr\u00e9-hist\u00f3ria<\/h2>\n\n\n\n<p>Os forusrac\u00eddeos foram aves carn\u00edvoras n\u00e3o voadoras que ocuparam o topo da cadeia alimentar na Am\u00e9rica do Sul por milh\u00f5es de anos, durante o per\u00edodo em que o continente permaneceu isolado. <\/p>\n\n\n\n<p>Com bicos curvos e fortes e grande capacidade de ataque, algumas esp\u00e9cies podiam atingir at\u00e9 tr\u00eas metros de altura e pesar cerca de 350 quilos.<\/p>\n\n\n\n<p>A Eschatornis aterradora, por\u00e9m, apresenta dimens\u00f5es mais modestas. Segundo estimativas dos pesquisadores, o animal media entre 70 e 90 cent\u00edmetros e pesava at\u00e9 6 quilos, tamanho semelhante ao das atuais seriemas, aves consideradas suas parentes vivas mais pr\u00f3ximas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sobreviv\u00eancia tardia chama aten\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A principal relev\u00e2ncia da descoberta est\u00e1 na data\u00e7\u00e3o do f\u00f3ssil. At\u00e9 ent\u00e3o, acreditava-se que as aves do terror haviam desaparecido bem antes do final do Pleistoceno. O novo registro indica que ao menos algumas linhagens menores sobreviveram at\u00e9 per\u00edodos relativamente recentes.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os autores do estudo, essa longevidade pode estar associada \u00e0 capacidade dessas esp\u00e9cies menores de ocupar nichos ecol\u00f3gicos diferentes, evitando a competi\u00e7\u00e3o direta com grandes predadores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mudan\u00e7as ambientais e competi\u00e7\u00e3o podem explicar extin\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A extin\u00e7\u00e3o das aves do terror ainda \u00e9 tema de debate cient\u00edfico. Uma das hip\u00f3teses mais aceitas envolve o chamado Grande Interc\u00e2mbio Faun\u00edstico, ocorrido h\u00e1 cerca de 3 milh\u00f5es de anos, quando a Am\u00e9rica do Sul se conectou \u00e0 Am\u00e9rica do Norte.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, novos predadores, como grandes felinos e ursos, passaram a habitar o continente sul-americano, aumentando a competi\u00e7\u00e3o por alimento. Al\u00e9m disso, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e transforma\u00e7\u00f5es ambientais ao longo do tempo tamb\u00e9m podem ter contribu\u00eddo para o desaparecimento do grupo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Nome faz refer\u00eancia ao fim de uma era<\/h2>\n\n\n\n<p>O nome cient\u00edfico da nova esp\u00e9cie carrega um significado simb\u00f3lico. \u201cEschatornis\u201d deriva do grego e pode ser traduzido como \u201c\u00faltima ave\u201d, em refer\u00eancia \u00e0 poss\u00edvel posi\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie entre as \u00faltimas representantes do grupo. J\u00e1 o termo \u201caterradora\u201d remete \u00e0 reputa\u00e7\u00e3o dos forusrac\u00eddeos como predadores temidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os pesquisadores, a descoberta refor\u00e7a o potencial paleontol\u00f3gico do Brasil e amplia o conhecimento sobre a biodiversidade pr\u00e9-hist\u00f3rica do continente. <\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com base em um \u00fanico fragmento \u00f3sseo, o estudo demonstra como novas an\u00e1lises podem redefinir interpreta\u00e7\u00f5es anteriores e revelar esp\u00e9cies at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas.<\/p>\n\n\n\n<p>O achado tamb\u00e9m evidencia que a hist\u00f3ria evolutiva das aves do terror \u00e9 mais complexa do que se imaginava, envolvendo diferentes tamanhos, comportamentos e estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia ao longo de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma descoberta liderada por cientistas brasileiros est\u00e1 mudando o entendimento sobre a sobreviv\u00eancia das chamadas \u201caves do terror\u201d, grupo de predadores que dominou a Am\u00e9rica do Sul por milh\u00f5es de anos. 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