{"id":49672,"date":"2026-04-16T18:30:00","date_gmt":"2026-04-16T21:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=49672"},"modified":"2026-04-15T17:09:22","modified_gmt":"2026-04-15T20:09:22","slug":"bancos-que-nao-bloqueiam-transacoes-atipicas-devem-responder-por-golpes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/bancos-que-nao-bloqueiam-transacoes-atipicas-devem-responder-por-golpes\/","title":{"rendered":"Bancos que n\u00e3o bloqueiam transa\u00e7\u00f5es at\u00edpicas devem responder por golpes"},"content":{"rendered":"\n<p>O avan\u00e7o dos golpes digitais no Brasil tem levado o Judici\u00e1rio a refor\u00e7ar a responsabilidade das institui\u00e7\u00f5es financeiras na prote\u00e7\u00e3o dos clientes. <\/p>\n\n\n\n<p>Em uma decis\u00e3o recente do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Rio Grande do Sul, ficou estabelecido que bancos que deixam de bloquear movimenta\u00e7\u00f5es claramente fora do padr\u00e3o do consumidor podem ser obrigados a ressarcir integralmente os preju\u00edzos. <\/p>\n\n\n\n<p>O entendimento refor\u00e7a que a seguran\u00e7a banc\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 apenas um diferencial competitivo, mas uma obriga\u00e7\u00e3o legal inerente ao servi\u00e7o prestado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O funcionamento do golpe e a vulnerabilidade do consumidor<\/h2>\n\n\n\n<p>O caso teve origem a partir do chamado golpe da falsa central de atendimento, uma fraude cada vez mais comum no ambiente digital. <\/p>\n\n\n\n<p>A v\u00edtima recebeu uma liga\u00e7\u00e3o de criminosos que se passaram por funcion\u00e1rios do banco e alertaram sobre uma suposta compra suspeita. Com informa\u00e7\u00f5es pessoais em m\u00e3os, os golpistas conseguiram convencer o cliente a acessar o aplicativo banc\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante esse processo, um programa de acesso remoto foi instalado no celular da v\u00edtima sem que ela percebesse. A partir da\u00ed, os criminosos passaram a controlar o dispositivo e realizaram diversas opera\u00e7\u00f5es financeiras em poucos minutos, incluindo transfer\u00eancias via Pix e a contrata\u00e7\u00e3o de um empr\u00e9stimo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A tentativa de isen\u00e7\u00e3o de responsabilidade pelo banco<\/h2>\n\n\n\n<p>Ao ser acionada judicialmente, a institui\u00e7\u00e3o financeira alegou que n\u00e3o poderia ser responsabilizada pelos danos, afirmando que atuou apenas como intermedi\u00e1ria das transa\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o banco, todas as opera\u00e7\u00f5es foram autorizadas com o uso de senha pessoal do cliente, o que afastaria qualquer falha na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de defesa \u00e9 comum em casos de fraude, especialmente quando h\u00e1 participa\u00e7\u00e3o indireta da v\u00edtima, ainda que induzida por terceiros. No entanto, o Judici\u00e1rio tem adotado uma vis\u00e3o mais rigorosa quanto ao dever de seguran\u00e7a das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O entendimento jur\u00eddico e a aplica\u00e7\u00e3o da lei<\/h2>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o foi fundamentada no C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, que estabelece a responsabilidade objetiva dos fornecedores de servi\u00e7os. Isso significa que o banco pode ser responsabilizado independentemente de comprova\u00e7\u00e3o de culpa, desde que haja falha na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>O relator do caso, Gustavo Alberto Gastal Diefenthaler, destacou que a atividade banc\u00e1ria envolve riscos que devem ser assumidos pela pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o, especialmente quando existem mecanismos tecnol\u00f3gicos capazes de prevenir fraudes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A falha no monitoramento como fator decisivo<\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos pontos centrais da decis\u00e3o foi a constata\u00e7\u00e3o de que as opera\u00e7\u00f5es realizadas destoavam completamente do perfil do cliente. Acostumado a movimenta\u00e7\u00f5es de baixo valor, ele teve sua conta esvaziada rapidamente, al\u00e9m de um empr\u00e9stimo contratado de forma inesperada.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o tribunal, esse tipo de comportamento financeiro deveria ter sido identificado automaticamente pelos sistemas de seguran\u00e7a do banco. Ferramentas baseadas em intelig\u00eancia artificial e an\u00e1lise de perfil s\u00e3o capazes de detectar anomalias e bloquear transa\u00e7\u00f5es suspeitas em tempo real.<\/p>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia dessa atua\u00e7\u00e3o preventiva foi considerada uma falha grave no dever de vigil\u00e2ncia da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A exclus\u00e3o da culpa concorrente do cliente<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora a decis\u00e3o de primeira inst\u00e2ncia tenha reconhecido culpa compartilhada, o tribunal reformou esse entendimento. O relator concluiu que a principal causa do preju\u00edzo foi a omiss\u00e3o do banco diante de movimenta\u00e7\u00f5es claramente at\u00edpicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa que, mesmo tendo sido enganado, o cliente n\u00e3o contribuiu de forma determinante para o dano. A responsabilidade, portanto, recaiu integralmente sobre a institui\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As consequ\u00eancias da decis\u00e3o judicial<\/h2>\n\n\n\n<p>Com base nesse entendimento, o banco foi condenado a devolver integralmente os valores transferidos, que somavam cerca de R$ 63 mil, al\u00e9m de anular o empr\u00e9stimo indevido contratado pelos criminosos.<\/p>\n\n\n\n<p>O pedido de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, no entanto, foi negado. O tribunal entendeu que n\u00e3o houve comprova\u00e7\u00e3o de abalo significativo \u00e0 honra ou \u00e0 imagem do cliente, nem registro de negativa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os consumidores, o caso serve como um alerta sobre os riscos dos golpes digitais, mas tamb\u00e9m como um sinal de que h\u00e1 respaldo legal para buscar repara\u00e7\u00e3o. Para os bancos, fica a mensagem de que negligenciar sistemas de prote\u00e7\u00e3o pode resultar em condena\u00e7\u00f5es significativas e danos \u00e0 credibilidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O avan\u00e7o dos golpes digitais no Brasil tem levado o Judici\u00e1rio a refor\u00e7ar a responsabilidade das institui\u00e7\u00f5es financeiras na prote\u00e7\u00e3o dos clientes. 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