{"id":47068,"date":"2026-03-18T09:10:00","date_gmt":"2026-03-18T12:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=47068"},"modified":"2026-03-17T18:24:42","modified_gmt":"2026-03-17T21:24:42","slug":"tratamento-de-idosos-com-cancer-avancado-exige-nova-abordagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/tratamento-de-idosos-com-cancer-avancado-exige-nova-abordagem\/","title":{"rendered":"Tratamento de idosos com c\u00e2ncer avan\u00e7ado exige nova abordagem"},"content":{"rendered":"\n<p>O avan\u00e7o da medicina trouxe in\u00fameras possibilidades para o tratamento do c\u00e2ncer, mas, quando se trata de pacientes idosos com doen\u00e7a avan\u00e7ada, surge uma quest\u00e3o essencial: o que realmente deve ser prioridade nesse momento da vida? <\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo publicado na revista JAMA Oncology revelou que a maioria desses pacientes valoriza mais a qualidade de vida do que o prolongamento da exist\u00eancia, o que desafia diretamente o modelo tradicional de cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa, conduzida pelo m\u00e9dico Daniel R. Richardson, analisou 706 pessoas com 70 anos ou mais diagnosticadas com c\u00e2ncer avan\u00e7ado. Os resultados foram cerca de 71,7% dos participantes afirmaram preferir manter sua qualidade de vida, enquanto apenas 8,4% priorizaram viver por mais tempo. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse contraste revela uma mudan\u00e7a importante na forma como muitos idosos encaram o tratamento e suas consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando viver melhor se torna mais importante do que viver mais<\/h2>\n\n\n\n<p>Para muitos pacientes, especialmente em est\u00e1gios avan\u00e7ados da doen\u00e7a, o tempo adicional de vida pode vir acompanhado de efeitos colaterais intensos, hospitaliza\u00e7\u00f5es frequentes e perda de autonomia. Nesse contexto, a escolha por preservar o bem-estar f\u00edsico e emocional ganha for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo tamb\u00e9m destacou que n\u00e3o houve diferen\u00e7as em eventos adversos ou hospitaliza\u00e7\u00f5es entre aqueles que priorizavam qualidade de vida e os que optavam por prolongar a sobrevida. <\/p>\n\n\n\n<p>Isso levanta um questionamento importante: ser\u00e1 que os tratamentos mais agressivos realmente oferecem benef\u00edcios proporcionais ao custo f\u00edsico e emocional que imp\u00f5em?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A influ\u00eancia da lucidez e das condi\u00e7\u00f5es cognitivas<\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos pontos mais interessantes observados foi o impacto da sa\u00fade cognitiva nas decis\u00f5es dos pacientes. <\/p>\n\n\n\n<p>Aqueles sem comprometimento cognitivo demonstraram maior tend\u00eancia a priorizar a qualidade de vida, o que sugere que a clareza mental pode influenciar diretamente na forma como o indiv\u00edduo avalia suas op\u00e7\u00f5es e define suas prioridades.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa constata\u00e7\u00e3o refor\u00e7a a import\u00e2ncia de considerar aspectos al\u00e9m do diagn\u00f3stico cl\u00ednico, incluindo o estado mental e emocional, na hora de definir estrat\u00e9gias de tratamento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Educa\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o sobre o tratamento<\/h2>\n\n\n\n<p>Outro fator relevante identificado foi a rela\u00e7\u00e3o entre n\u00edvel educacional e prefer\u00eancia de cuidado. Pacientes com ensino superior ou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o mostraram maior inclina\u00e7\u00e3o a priorizar o bem-estar em vez da extens\u00e3o da vida. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse dado pode refletir um maior acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o ou uma compreens\u00e3o mais aprofundada dos riscos e benef\u00edcios envolvidos nas diferentes abordagens terap\u00eauticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, independentemente de idade, sexo, renda ou estado civil, a tend\u00eancia geral permaneceu a mesma: a maioria dos idosos prefere viver com mais qualidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um sistema que ainda precisa evoluir<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar dessas evid\u00eancias, o sistema de sa\u00fade ainda opera, em grande parte, com foco na extens\u00e3o da sobrevida. Tratamentos agressivos continuam sendo frequentemente indicados, mesmo quando podem n\u00e3o estar alinhados com os desejos do paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pr\u00f3prios autores do estudo apontam uma poss\u00edvel falha na forma como os cuidados oncol\u00f3gicos s\u00e3o oferecidos, destacando a falta de responsividade \u00e0s prefer\u00eancias individuais. <\/p>\n\n\n\n<p>Isso evidencia a necessidade urgente de mudan\u00e7as na abordagem m\u00e9dica, especialmente na oncologia geri\u00e1trica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O cuidado centrado na pessoa como caminho<\/h2>\n\n\n\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, cresce a import\u00e2ncia de um modelo de cuidado centrado no paciente, que leve em considera\u00e7\u00e3o suas vontades, limites e valores. Mais do que combater a doen\u00e7a, trata-se de garantir dignidade, conforto e autonomia durante o tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso inclui a valoriza\u00e7\u00e3o de cuidados paliativos, o controle eficaz dos sintomas e o apoio psicol\u00f3gico, permitindo que o paciente viva seus dias com mais tranquilidade e menos sofrimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Respeitar a escolha por qualidade de vida n\u00e3o \u00e9 desistir, mas sim reconhecer que, em muitos casos, viver bem pode ser mais significativo do que simplesmente viver mais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O avan\u00e7o da medicina trouxe in\u00fameras possibilidades para o tratamento do c\u00e2ncer, mas, quando se trata de pacientes idosos com doen\u00e7a avan\u00e7ada, surge uma quest\u00e3o essencial: o que realmente deve ser prioridade nesse momento da vida? Um estudo publicado na revista JAMA Oncology revelou que a maioria desses pacientes valoriza mais a qualidade de vida [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":47070,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":{"format":"standard"},"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_override_counter":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[83,84],"tags":[],"class_list":["post-47068","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colunas","category-mais-tendencias"],"_referencia":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47068","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47068"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47068\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47072,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47068\/revisions\/47072"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47070"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47068"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47068"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47068"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}