{"id":46896,"date":"2026-03-17T09:10:00","date_gmt":"2026-03-17T12:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=46896"},"modified":"2026-03-16T17:51:38","modified_gmt":"2026-03-16T20:51:38","slug":"banco-digital-tera-que-cancelar-dividas-criadas-por-golpistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/banco-digital-tera-que-cancelar-dividas-criadas-por-golpistas\/","title":{"rendered":"Banco digital ter\u00e1 que cancelar d\u00edvidas criadas por golpistas"},"content":{"rendered":"\n<p>O crescimento dos servi\u00e7os financeiros online trouxe mais praticidade para milh\u00f5es de brasileiros. No entanto, junto com a facilidade de contratar empr\u00e9stimos e realizar transfer\u00eancias pelo celular, tamb\u00e9m surgiram novos tipos de golpes digitais. <\/p>\n\n\n\n<p>Em um caso recente analisado pela Justi\u00e7a, um banco digital foi responsabilizado por empr\u00e9stimos realizados por criminosos em nome de um cliente. A decis\u00e3o refor\u00e7a o entendimento de que institui\u00e7\u00f5es financeiras devem possuir sistemas de seguran\u00e7a capazes de detectar opera\u00e7\u00f5es suspeitas e impedir fraudes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Falha no sistema antifraude pode gerar responsabilidade do banco<\/h2>\n\n\n\n<p>A Justi\u00e7a entendeu que bancos e institui\u00e7\u00f5es financeiras possuem o dever de oferecer mecanismos eficazes de seguran\u00e7a para proteger seus clientes contra fraudes. Quando essas ferramentas falham e permitem a realiza\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es claramente suspeitas, a institui\u00e7\u00e3o pode ser responsabilizada pelos preju\u00edzos causados.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso analisado, a ju\u00edza Fab\u00edola Fernanda Feitosa de Medeiros Pitangui, do 1\u00ba Juizado Especial C\u00edvel da Comarca de Goi\u00e2nia, concluiu que houve falha no sistema de prote\u00e7\u00e3o do banco digital. A magistrada determinou a anula\u00e7\u00e3o de tr\u00eas empr\u00e9stimos fraudulentos e a devolu\u00e7\u00e3o de valores transferidos indevidamente.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o destacou que cabe \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras identificar movimenta\u00e7\u00f5es fora do padr\u00e3o e agir preventivamente para evitar crimes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como aconteceu o golpe da falsa central de atendimento<\/h2>\n\n\n\n<p>O caso come\u00e7ou quando o cliente foi enganado por criminosos que se passaram por funcion\u00e1rios da central de atendimento do banco. Esse tipo de fraude \u00e9 conhecido como \u201cgolpe da falsa central\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o contato, os golpistas convenceram a v\u00edtima a realizar alguns procedimentos em seu celular. Entre eles estavam:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Participa\u00e7\u00e3o em uma videochamada<\/li>\n\n\n\n<li>Autoriza\u00e7\u00e3o para espelhamento da tela do aparelho<\/li>\n\n\n\n<li>Realiza\u00e7\u00e3o de etapas que pareciam fazer parte de um protocolo de seguran\u00e7a<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Com acesso ao dispositivo da v\u00edtima, os criminosos conseguiram entrar na conta banc\u00e1ria e realizar opera\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Empr\u00e9stimos levantaram suspeitas na Justi\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s acessar a conta do cliente, os fraudadores contrataram tr\u00eas empr\u00e9stimos consecutivos em nome dele no mesmo dia. Al\u00e9m disso, transferiram R$ 2 mil por Pix para a conta de um terceiro desconhecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a decis\u00e3o judicial, esse comportamento foge completamente do padr\u00e3o normal de movimenta\u00e7\u00e3o financeira de um cliente comum. A magistrada destacou que a sucess\u00e3o de empr\u00e9stimos em um curto per\u00edodo de tempo deveria ter acionado automaticamente os mecanismos de seguran\u00e7a do banco.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, o sistema antifraude da institui\u00e7\u00e3o deveria ter bloqueado as opera\u00e7\u00f5es ou solicitado confirma\u00e7\u00e3o adicional antes de permitir a contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Responsabilidade das institui\u00e7\u00f5es financeiras<\/h2>\n\n\n\n<p>Na an\u00e1lise do caso, a Justi\u00e7a aplicou o entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a por meio da S\u00famula 479 do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa s\u00famula estabelece que institui\u00e7\u00f5es financeiras s\u00e3o respons\u00e1veis por danos causados por fraudes ou delitos praticados no \u00e2mbito de suas opera\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias. Esse tipo de situa\u00e7\u00e3o \u00e9 conhecido no Direito como \u201cfortuito interno\u201d, ou seja, um risco inerente \u00e0 atividade do pr\u00f3prio banco.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa que o banco pode ser responsabilizado mesmo quando o crime \u00e9 cometido por terceiros, caso fique demonstrado que houve falha nos mecanismos de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Transfer\u00eancia via Pix tamb\u00e9m teve que ser devolvida<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos empr\u00e9stimos fraudulentos, os golpistas transferiram R$ 2 mil por meio do sistema Pix.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao perceber o golpe, o cliente contestou rapidamente a opera\u00e7\u00e3o junto ao banco. No entanto, segundo a decis\u00e3o judicial, a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o comprovou que tentou acionar de forma r\u00e1pida e eficiente o chamado Mecanismo Especial de Devolu\u00e7\u00e3o (MED), utilizado para tentar recuperar valores enviados em casos de fraude.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessa falha, a Justi\u00e7a determinou que o banco devolvesse ao cliente o valor transferido indevidamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pedido de danos morais foi negado pela Justi\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora tenha reconhecido a exist\u00eancia do preju\u00edzo financeiro e a falha na seguran\u00e7a banc\u00e1ria, a ju\u00edza negou o pedido de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais.<\/p>\n\n\n\n<p>O motivo foi a chamada \u201cculpa concorrente\u201d. A magistrada entendeu que o pr\u00f3prio cliente contribuiu para a fraude ao compartilhar informa\u00e7\u00f5es e permitir o espelhamento da tela do celular.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a decis\u00e3o, quando o consumidor fornece voluntariamente dados ou acesso ao aparelho, o v\u00ednculo necess\u00e1rio para caracterizar danos morais pode ser enfraquecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse caso, a situa\u00e7\u00e3o foi considerada apenas um aborrecimento decorrente do golpe, sem dano \u00e0 honra ou exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica que justificasse indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Justi\u00e7a refor\u00e7a prote\u00e7\u00e3o ao consumidor digital<\/h2>\n\n\n\n<p>O caso analisado demonstra que a Justi\u00e7a brasileira tem refor\u00e7ado a prote\u00e7\u00e3o ao consumidor em um cen\u00e1rio cada vez mais digital. Bancos e fintechs precisam garantir que seus sistemas sejam capazes de identificar comportamentos suspeitos e bloquear opera\u00e7\u00f5es fora do padr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando essas ferramentas falham, a institui\u00e7\u00e3o pode ser obrigada a cancelar d\u00edvidas criadas por criminosos e devolver valores desviados.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o avan\u00e7o da tecnologia financeira, decis\u00f5es como essa refor\u00e7am a import\u00e2ncia de seguran\u00e7a digital, responsabilidade das institui\u00e7\u00f5es e aten\u00e7\u00e3o redobrada por parte dos usu\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O crescimento dos servi\u00e7os financeiros online trouxe mais praticidade para milh\u00f5es de brasileiros. No entanto, junto com a facilidade de contratar empr\u00e9stimos e realizar transfer\u00eancias pelo celular, tamb\u00e9m surgiram novos tipos de golpes digitais. 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