{"id":46757,"date":"2026-03-16T14:20:00","date_gmt":"2026-03-16T17:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=46757"},"modified":"2026-03-13T16:00:39","modified_gmt":"2026-03-13T19:00:39","slug":"estudo-revela-que-meninas-trabalham-mais-em-casa-que-adultos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/estudo-revela-que-meninas-trabalham-mais-em-casa-que-adultos\/","title":{"rendered":"Estudo revela que meninas trabalham mais em casa que adultos"},"content":{"rendered":"\n<p>Em muitos lares brasileiros, a inf\u00e2ncia das meninas \u00e9 atravessada por responsabilidades que v\u00e3o al\u00e9m das brincadeiras e dos estudos. Enquanto meninos costumam ter mais tempo livre, meninas frequentemente passam a ajudar nas tarefas dom\u00e9sticas ou a cuidar de irm\u00e3os mais novos ainda muito cedo. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa realidade, comum em diversas fam\u00edlias, foi investigada por pesquisadores que analisaram como o trabalho dom\u00e9stico e de cuidado \u00e9 distribu\u00eddo ao longo da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora Jordana Cristina de Jesus, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, conhece essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas como objeto de pesquisa, mas tamb\u00e9m por experi\u00eancia pr\u00f3pria. <\/p>\n\n\n\n<p>Filha de uma m\u00e3e solo e irm\u00e3 de quatro crian\u00e7as, ela come\u00e7ou a assumir responsabilidades dentro de casa ainda na inf\u00e2ncia, cuidando da irm\u00e3 mais nova enquanto a m\u00e3e trabalhava. Anos depois, essa viv\u00eancia se transformaria em tema central de seus estudos acad\u00eamicos sobre g\u00eanero e economia do cuidado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O peso do chamado \u201ctrabalho invis\u00edvel\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>As tarefas realizadas dentro de casa, como cozinhar, limpar, organizar a rotina familiar ou cuidar de crian\u00e7as e idosos, s\u00e3o classificadas por pesquisadores como trabalho invis\u00edvel. <\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque, embora sejam fundamentais para o funcionamento da sociedade, essas atividades n\u00e3o costumam ser reconhecidas como trabalho formal nem entram nas estat\u00edsticas tradicionais da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de atividade exige planejamento, esfor\u00e7o f\u00edsico e dedica\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. Mesmo assim, costuma ser tratado como uma obriga\u00e7\u00e3o natural de determinados membros da fam\u00edlia, principalmente das mulheres. <\/p>\n\n\n\n<p>Em muitos casos, esse aprendizado come\u00e7a ainda na inf\u00e2ncia, quando meninas passam a ser incentivadas a ajudar em tarefas dom\u00e9sticas com mais frequ\u00eancia que os meninos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Meninas trabalham tanto quanto adultos dentro de casa<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo revelou um dado que chama aten\u00e7\u00e3o: meninas entre 10 e 14 anos realizam uma parcela significativa do trabalho dom\u00e9stico e de cuidado no Brasil. Em termos proporcionais, elas chegam a dedicar tanto tempo a essas tarefas quanto homens adultos em diferentes fases da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os pesquisadores, esse grupo et\u00e1rio feminino responde por cerca de 2,4% de todo o trabalho de cuidado realizado no pa\u00eds. Esse percentual corresponde ao n\u00edvel m\u00e1ximo de dedica\u00e7\u00e3o masculina ao trabalho dom\u00e9stico, registrado apenas entre homens de 30 a 34 anos. <\/p>\n\n\n\n<p>A compara\u00e7\u00e3o evidencia como a divis\u00e3o desigual das tarefas come\u00e7a muito cedo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A sobrecarga feminina ao longo da vida<\/h2>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos, a carga de trabalho dom\u00e9stico tende a aumentar ainda mais para as mulheres. O estudo indica que o pico dessa dedica\u00e7\u00e3o ocorre no in\u00edcio da casa dos 30 anos, fase em que muitas mulheres est\u00e3o simultaneamente consolidando suas carreiras e construindo suas fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse per\u00edodo, mulheres chegam a realizar quase quatro vezes mais trabalho dom\u00e9stico e de cuidado do que homens da mesma idade. Isso significa que, al\u00e9m da jornada profissional, muitas delas acumulam uma segunda jornada dentro de casa, respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da vida familiar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Educa\u00e7\u00e3o e cultura refor\u00e7am pap\u00e9is de g\u00eanero<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisa aponta que essa desigualdade n\u00e3o surge apenas dentro das fam\u00edlias, mas \u00e9 refor\u00e7ada por fatores culturais presentes em diferentes espa\u00e7os sociais. Desde cedo, meninas podem ser incentivadas a desenvolver habilidades relacionadas ao cuidado, enquanto meninos recebem est\u00edmulos voltados para outras atividades.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa constru\u00e7\u00e3o cultural faz com que o cuidado seja frequentemente visto como algo \u201cnatural\u201d para mulheres, como se fosse um tra\u00e7o instintivo ou biol\u00f3gico. Ao mesmo tempo, ainda persiste a ideia de que os homens devem se dedicar prioritariamente ao papel de provedores financeiros da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desigualdades ainda maiores para mulheres negras<\/h2>\n\n\n\n<p>O levantamento tamb\u00e9m mostra que o trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o remunerado afeta grupos sociais de forma diferente. Mulheres negras, por exemplo, concentram uma parcela ainda maior dessas tarefas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo representando cerca de um quarto da popula\u00e7\u00e3o brasileira, elas s\u00e3o respons\u00e1veis por quase metade do trabalho de cuidado realizado no pa\u00eds. Em muitos casos, isso significa dedicar longas horas semanais a atividades dom\u00e9sticas, al\u00e9m de manter outras jornadas de trabalho fora de casa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Escolaridade reduz diferen\u00e7as, mas n\u00e3o elimina o problema<\/h2>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores observaram que a educa\u00e7\u00e3o pode ajudar a diminuir parte dessa desigualdade. Mulheres com maior n\u00edvel de escolaridade tendem a ter mais oportunidades profissionais e maior renda, o que permite contratar servi\u00e7os ou dividir algumas tarefas.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, mesmo entre pessoas com ensino superior, as mulheres continuam dedicando mais tempo ao trabalho dom\u00e9stico do que os homens. Ou seja, a educa\u00e7\u00e3o contribui para reduzir a disparidade, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente para elimin\u00e1-la completamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora muitas vezes seja tratado como uma obriga\u00e7\u00e3o familiar, o trabalho dom\u00e9stico possui grande valor econ\u00f4mico. Estudos da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas indicam que, se fosse remunerado, o trabalho de cuidado representaria pelo menos 8,5% de toda a economia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse dado ajuda a demonstrar que grande parte do funcionamento da sociedade depende de atividades que ocorrem dentro dos lares e que, na maioria das vezes, s\u00e3o realizadas por mulheres e meninas sem remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um desafio estrutural para a igualdade<\/h2>\n\n\n\n<p>Para os pesquisadores, os dados revelam que a desigualdade na divis\u00e3o das tarefas dom\u00e9sticas \u00e9 um fen\u00f4meno estrutural. Ela come\u00e7a na inf\u00e2ncia, se intensifica na vida adulta e influencia diretamente as oportunidades educacionais e profissionais das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Reduzir essa diferen\u00e7a exige mudan\u00e7as culturais, maior valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho de cuidado e pol\u00edticas p\u00fablicas que incentivem uma divis\u00e3o mais equilibrada das responsabilidades dentro das fam\u00edlias. <\/p>\n\n\n\n<p>Somente assim ser\u00e1 poss\u00edvel construir um cen\u00e1rio em que meninas tenham as mesmas oportunidades de tempo, estudo e desenvolvimento que os meninos.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em muitos lares brasileiros, a inf\u00e2ncia das meninas \u00e9 atravessada por responsabilidades que v\u00e3o al\u00e9m das brincadeiras e dos estudos. Enquanto meninos costumam ter mais tempo livre, meninas frequentemente passam a ajudar nas tarefas dom\u00e9sticas ou a cuidar de irm\u00e3os mais novos ainda muito cedo. 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