{"id":45896,"date":"2026-03-08T11:45:00","date_gmt":"2026-03-08T14:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=45896"},"modified":"2026-03-04T18:54:17","modified_gmt":"2026-03-04T21:54:17","slug":"por-que-brasil-deixou-de-ser-uma-das-maiores-10-economias-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/por-que-brasil-deixou-de-ser-uma-das-maiores-10-economias-do-mundo\/","title":{"rendered":"Por que Brasil deixou de ser uma das maiores 10 economias do mundo"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 2025, o Brasil deixou de figurar entre as dez maiores economias do mundo, segundo dados do Fundo Monet\u00e1rio Internacional compilados pela Austin Rating. <\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds caiu da 10\u00aa para a 11\u00aa posi\u00e7\u00e3o, mesmo tendo registrado crescimento econ\u00f4mico positivo no per\u00edodo. A altera\u00e7\u00e3o teve forte repercuss\u00e3o porque o Brasil vinha alternando posi\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas ao top 10 nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do simbolismo, a sa\u00edda n\u00e3o significa um colapso econ\u00f4mico. O movimento foi resultado de uma combina\u00e7\u00e3o de fatores, especialmente o desempenho relativo frente a outras economias e a influ\u00eancia do c\u00e2mbio no c\u00e1lculo do PIB em d\u00f3lares.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Crescimento positivo, mas mais lento<\/h2>\n\n\n\n<p>O Produto Interno Bruto brasileiro avan\u00e7ou 2,3% em 2025, alcan\u00e7ando cerca de US$ 2,27 trilh\u00f5es. Foi o quinto ano seguido de expans\u00e3o, o que mostra continuidade de recupera\u00e7\u00e3o. No entanto, o n\u00famero revelou perda de f\u00f4lego em compara\u00e7\u00e3o a anos anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, por exemplo, a economia havia crescido 3,4%. Al\u00e9m disso, o resultado brasileiro ficou abaixo da m\u00e9dia mundial, estimada em 2,8%, e bem distante do desempenho m\u00e9dio dos pa\u00edses do Brics, que girou em torno de 5%.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse descompasso \u00e9 importante porque rankings globais s\u00e3o relativos. Mesmo crescendo, um pa\u00eds pode perder posi\u00e7\u00e3o se outros avan\u00e7arem mais rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O peso decisivo do c\u00e2mbio<\/h2>\n\n\n\n<p>O fator mais determinante para a queda brasileira no ranking foi a forte valoriza\u00e7\u00e3o do rublo russo. Em 2025, a moeda da R\u00fassia subiu mais de 40% frente ao d\u00f3lar, enquanto o real teve valoriza\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima de 11%.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o ranking do FMI considera o PIB nominal em d\u00f3lares, a taxa de c\u00e2mbio influencia diretamente o tamanho aparente das economias. Com a moeda mais forte, o PIB russo, convertido para d\u00f3lar, aumentou o suficiente para ultrapassar o brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que a mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorreu apenas por desempenho econ\u00f4mico interno, mas principalmente por um efeito cambial que favoreceu a R\u00fassia no c\u00e1lculo internacional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Qualidade do crescimento preocupa<\/h2>\n\n\n\n<p>Analistas tamb\u00e9m observaram com cautela a composi\u00e7\u00e3o do crescimento brasileiro. Em 2025, a expans\u00e3o foi puxada principalmente pela agropecu\u00e1ria, que teve desempenho robusto. Por outro lado, a ind\u00fastria e o setor de servi\u00e7os mostraram desacelera\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Quando o crescimento depende muito de um \u00fanico setor, a economia tende a ficar mais vulner\u00e1vel a oscila\u00e7\u00f5es futuras, o que acende um sinal de aten\u00e7\u00e3o para o m\u00e9dio prazo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Juros altos e atividade mais contida<\/h2>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica de juros elevados foi outro elemento que influenciou o ritmo mais moderado da economia. Taxas mais altas encarecem o cr\u00e9dito para empresas e fam\u00edlias, o que costuma frear investimentos produtivos e consumo.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a estrat\u00e9gia tenha sido importante para controlar a infla\u00e7\u00e3o, o efeito colateral foi uma desacelera\u00e7\u00e3o gradual da atividade econ\u00f4mica. Esse ambiente ajudou a explicar por que o Brasil cresceu menos do que poderia em compara\u00e7\u00e3o com outros emergentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, economistas destacam que o pa\u00eds vinha de uma base forte ap\u00f3s anos de recupera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-pandemia, o que suaviza a leitura negativa do resultado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Brasil segue pr\u00f3ximo do top 10<\/h2>\n\n\n\n<p>Mesmo fora do grupo das dez maiores economias, o Brasil continua muito pr\u00f3ximo das posi\u00e7\u00f5es superiores. A diferen\u00e7a para pa\u00edses como Canad\u00e1 e R\u00fassia \u00e9 relativamente pequena em termos de PIB nominal.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o pa\u00eds mant\u00e9m vantagem confort\u00e1vel sobre o 12\u00ba colocado, a Espanha, o que mostra que n\u00e3o houve uma queda abrupta de relev\u00e2ncia econ\u00f4mica global.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio indica que mudan\u00e7as cambiais ou ciclos de crescimento podem alterar novamente a posi\u00e7\u00e3o brasileira nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Expectativas para 2026<\/h2>\n\n\n\n<p>As previs\u00f5es para 2026 apontam crescimento mais moderado. A Austin Rating estima alta de 1,7% do PIB brasileiro, n\u00famero mais cauteloso que o esperado pelo governo e por parte do mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os fatores considerados est\u00e3o a poss\u00edvel desacelera\u00e7\u00e3o da agropecu\u00e1ria ap\u00f3s safras recordes, o esfor\u00e7o fiscal para retomada do super\u00e1vit e a expectativa de melhora gradual da ind\u00fastria e dos servi\u00e7os caso os juros continuem em queda.<\/p>\n\n\n\n<p>Se essas previs\u00f5es se confirmarem, o Brasil deve permanecer pr\u00f3ximo, mas ainda fora do top 10 no curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil continua entre as maiores economias do mundo, mas o cen\u00e1rio recente deixa claro que, em um ambiente global cada vez mais competitivo, crescer apenas n\u00e3o basta, \u00e9 preciso crescer com qualidade e em ritmo compar\u00e1vel ao dos principais concorrentes.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2025, o Brasil deixou de figurar entre as dez maiores economias do mundo, segundo dados do Fundo Monet\u00e1rio Internacional compilados pela Austin Rating. 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