{"id":44952,"date":"2026-02-24T07:21:00","date_gmt":"2026-02-24T10:21:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=44952"},"modified":"2026-02-24T14:33:46","modified_gmt":"2026-02-24T17:33:46","slug":"cientistas-estao-impressionados-com-fungo-zumbi-descoberto-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/cientistas-estao-impressionados-com-fungo-zumbi-descoberto-no-brasil\/","title":{"rendered":"Cientistas est\u00e3o impressionados com fungo zumbi descoberto no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>A biodiversidade brasileira voltou a surpreender pesquisadores do mundo inteiro com a identifica\u00e7\u00e3o de um novo \u201cfungo zumbi\u201d em uma reserva florestal de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. <\/p>\n\n\n\n<p>O organismo, batizado de Purpureocillium atlanticum, rapidamente entrou para a lista das descobertas mais relevantes de 2025 elaborada pelo tradicional Kew Gardens, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia cient\u00edfica da Mata Atl\u00e2ntica. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que torna o Purpureocillium atlanticum t\u00e3o especial<\/h2>\n\n\n\n<p>O novo fungo recebeu esse nome por dois motivos claros: sua colora\u00e7\u00e3o arroxeada caracter\u00edstica e o bioma onde foi encontrado. Mas o que realmente impressiona os cientistas \u00e9 sua estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia altamente especializada. <\/p>\n\n\n\n<p>Diferentemente de muitos fungos comuns, ele evoluiu para infectar especificamente aranhas de al\u00e7ap\u00e3o, artr\u00f3podes conhecidos por construir armadilhas camufladas no solo da floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o, o fungo invade o organismo da aranha, multiplica-se internamente e, depois da morte do hospedeiro, produz uma estrutura chamada estroma, que emerge do solo para liberar esporos. Esse mecanismo garante a continuidade do ciclo de vida do microrganismo de forma extremamente eficiente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como ocorreu a descoberta na Mata Atl\u00e2ntica<\/h2>\n\n\n\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o do fungo aconteceu durante uma expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica na reserva Alto da Figueira, em Nova Friburgo. O trabalho foi liderado pelo micologista brasileiro Jo\u00e3o Paulo Machado de Ara\u00fajo, professor da Universidade de Copenhague.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o pesquisador, tudo come\u00e7ou quando a equipe observou a pequena \u201cponta\u201d do fungo emergindo do ch\u00e3o da floresta. Ao escavar cuidadosamente o local, os cientistas encontraram a aranha j\u00e1 morta, completamente colonizada pelo microrganismo.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo detalhado s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as ao uso do sequenciador port\u00e1til Oxford Nanopore Technologies, que permite analisar o material gen\u00e9tico ainda em campo. Essa tecnologia aumentou a precis\u00e3o da identifica\u00e7\u00e3o e ajudou a diferenciar a nova esp\u00e9cie de outras j\u00e1 conhecidas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um parente dos famosos fungos que inspiraram a fic\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O termo \u201cfungo zumbi\u201d ganhou fama mundial principalmente ap\u00f3s a populariza\u00e7\u00e3o da franquia The Last of Us. Na fic\u00e7\u00e3o, um fungo semelhante ao g\u00eanero Ophiocordyceps transforma humanos em criaturas controladas pelo parasita.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vida real, esp\u00e9cies de Cordyceps e Ophiocordyceps realmente conseguem manipular o comportamento de insetos, especialmente formigas, levando-as a locais estrat\u00e9gicos para dispers\u00e3o de esporos. <\/p>\n\n\n\n<p>O novo Purpureocillium atlanticum pertence a um grupo evolutivamente pr\u00f3ximo \u201cprimos\u201d, como descrevem os pesquisadores, mas apresenta diferen\u00e7as importantes.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o momento, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que ele controle o comportamento da aranha hospedeira nem de que represente qualquer risco para humanos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que n\u00e3o h\u00e1 motivo para p\u00e2nico<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar do apelido chamativo, especialistas s\u00e3o claros: o fungo brasileiro \u00e9 altamente especializado e adaptado a um hospedeiro muito espec\u00edfico. Ele evoluiu ao longo de milh\u00f5es de anos para infectar aranhas de al\u00e7ap\u00e3o, e n\u00e3o existem ind\u00edcios de que possa saltar para humanos ou outros animais.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de especificidade \u00e9 comum entre fungos parasitas. Na maioria dos casos, mudan\u00e7as de hospedeiro exigiriam transforma\u00e7\u00f5es evolutivas profundas, algo extremamente improv\u00e1vel em curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Misterioso mundo dos fungos<\/h2>\n\n\n\n<p>A descoberta tamb\u00e9m refor\u00e7a um ponto importante para a ci\u00eancia: ainda sabemos muito pouco sobre o reino Fungi. Estimativas citadas pelos pesquisadores indicam que podem existir cerca de 2,5 milh\u00f5es de esp\u00e9cies de fungos no planeta, mas apenas cerca de 10% foram formalmente descritas.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que florestas como a Mata Atl\u00e2ntica ainda guardam um enorme potencial de descobertas, algumas com poss\u00edveis aplica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, agr\u00edcolas e industriais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Poss\u00edveis benef\u00edcios escondidos nesse microrganismo<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora pare\u00e7a apenas curioso ou assustador, o Purpureocillium atlanticum pode ter utilidade pr\u00e1tica no futuro. Fungos parasitas frequentemente produzem compostos qu\u00edmicos potentes para competir com bact\u00e9rias e outros microrganismos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas subst\u00e2ncias podem inspirar:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Novos antibi\u00f3ticos<\/li>\n\n\n\n<li>Bioinseticidas mais sustent\u00e1veis<\/li>\n\n\n\n<li>Mol\u00e9culas com aplica\u00e7\u00e3o farmac\u00eautica<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Em um cen\u00e1rio de crescente resist\u00eancia bacteriana e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, explorar essa diversidade se torna estrat\u00e9gico para a ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Curiosamente, o sucesso de The Last of Us tem tido um efeito positivo no mundo acad\u00eamico. Pesquisadores relatam aumento do interesse de estudantes por micologia, a \u00e1rea que estuda fungos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A biodiversidade brasileira voltou a surpreender pesquisadores do mundo inteiro com a identifica\u00e7\u00e3o de um novo \u201cfungo zumbi\u201d em uma reserva florestal de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. 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