{"id":44422,"date":"2026-02-13T10:01:00","date_gmt":"2026-02-13T13:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=44422"},"modified":"2026-02-13T10:01:15","modified_gmt":"2026-02-13T13:01:15","slug":"cientistas-encontram-sistema-solar-que-nao-deveria-existir-no-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/cientistas-encontram-sistema-solar-que-nao-deveria-existir-no-universo\/","title":{"rendered":"Cientistas encontram Sistema Solar que n\u00e3o deveria existir no universo"},"content":{"rendered":"\n<p>Um sistema exoplanet\u00e1rio localizado a aproximadamente 116 anos-luz da Terra est\u00e1 provocando uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o no estudo da forma\u00e7\u00e3o de planetas. <\/p>\n\n\n\n<p>Observado por telesc\u00f3pios da Nasa e da Ag\u00eancia Espacial Europeia (ESA), ele abriga quatro planetas que orbitam a estrela an\u00e3 vermelha LHS 1903 de forma inesperada: um planeta rochoso interno, dois gigantes gasosos no meio e, surpreendentemente, outro planeta rochoso na posi\u00e7\u00e3o mais externa.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa disposi\u00e7\u00e3o contradiz o padr\u00e3o tradicional que vemos em nosso Sistema Solar, onde planetas rochosos ficam pr\u00f3ximos ao Sol e os gasosos ocupam regi\u00f5es distantes. Para os astr\u00f4nomos, isso significa que a sequ\u00eancia planet\u00e1ria que julg\u00e1vamos universal pode n\u00e3o ser regra para todo o cosmos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um quebra-cabe\u00e7a astron\u00f4mico<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo Thomas Wilson, da Universidade de Warwick, \u201cesta \u00e9 a primeira vez que temos um planeta rochoso t\u00e3o distante de sua estrela hospedeira, depois de planetas ricos em g\u00e1s\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>O planeta mais externo, LHS 1903 e, tem aproximadamente 1,7 vezes o raio da Terra, sendo classificado como uma \u201cSuper-Terra\u201d. Sua exist\u00eancia desafia a l\u00f3gica tradicional, pois, conforme as teorias cl\u00e1ssicas, planetas rochosos n\u00e3o deveriam se formar t\u00e3o longe da estrela.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas especulam que cada planeta desse sistema tenha se formado em condi\u00e7\u00f5es diferentes, e que o planeta externo surgiu milh\u00f5es de anos depois dos demais, quando o disco de g\u00e1s e poeira ao redor da estrela j\u00e1 estava escasso. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa forma\u00e7\u00e3o \u201ccom deple\u00e7\u00e3o de g\u00e1s\u201d pode explicar o paradoxo, mas ainda deixa muitas quest\u00f5es em aberto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como se formam os planetas<\/h2>\n\n\n\n<p>O modelo tradicional parte do disco de g\u00e1s e poeira ao redor de uma estrela jovem. Pr\u00f3ximo \u00e0 estrela, as altas temperaturas vaporizam compostos vol\u00e1teis, restando apenas materiais resistentes ao calor, como ferro e minerais, que formam planetas rochosos. <\/p>\n\n\n\n<p>Mais distante, al\u00e9m da chamada \u201clinha de gelo\u201d, a \u00e1gua e outros compostos se condensam, permitindo que n\u00facleos planet\u00e1rios cres\u00e7am rapidamente e formem gigantes gasosos.<\/p>\n\n\n\n<p>No Sistema Solar, os gigantes gasosos se formaram primeiro, seguidos pelos planetas rochosos. Em LHS 1903, a ordem parece invertida: primeiro o planeta interno, depois os gigantes gasosos e, finalmente, o planeta rochoso externo, formado em um ambiente pobre em g\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Testando hip\u00f3teses e descartando colis\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores simularam cen\u00e1rios como colis\u00f5es entre planetas ou perda atmosf\u00e9rica de um gigante gasoso para explicar a presen\u00e7a do planeta rochoso externo. <\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma dessas simula\u00e7\u00f5es conseguiu reproduzir o que vemos em LHS 1903. Assim, a hip\u00f3tese mais plaus\u00edvel \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o sequencial em um disco de g\u00e1s decrescente, um processo que nunca havia sido documentado antes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um laborat\u00f3rio natural para o futuro da astronomia<\/h2>\n\n\n\n<p>Especialistas como Sara Seager, do MIT, e Heather Knutson, do Caltech, destacam que LHS 1903 pode ser um campo de testes \u00fanico para estudar a evolu\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o de pequenos planetas. <\/p>\n\n\n\n<p>O planeta externo, possivelmente frio o suficiente para condensar \u00e1gua, pode abrigar atmosferas variadas, oferecendo um alvo perfeito para observa\u00e7\u00f5es futuras, inclusive com o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb.<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Glidden, tamb\u00e9m do MIT, refor\u00e7a que este sistema oferece pistas valiosas sobre como diferentes tipos de planetas surgem ao redor de estrelas comuns, enquanto N\u00e9stor Espinoza, do Instituto de Ci\u00eancia do Telesc\u00f3pio Espacial, acredita que a descoberta trar\u00e1 novos ajustes nos modelos de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um universo que ainda nos surpreende<\/h2>\n\n\n\n<p>LHS 1903 mostra que o cosmos \u00e9 muito mais diverso do que nossas teorias cl\u00e1ssicas sugeriam. <\/p>\n\n\n\n<p>Cada novo sistema descoberto \u00e9 um lembrete de que ainda estamos apenas come\u00e7ando a compreender os complexos mecanismos que criam planetas e, quem sabe, mundos capazes de abrigar vida em condi\u00e7\u00f5es muito diferentes das da Terra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um sistema exoplanet\u00e1rio localizado a aproximadamente 116 anos-luz da Terra est\u00e1 provocando uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o no estudo da forma\u00e7\u00e3o de planetas. 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