{"id":4244,"date":"2025-02-10T12:30:00","date_gmt":"2025-02-10T15:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=4244"},"modified":"2025-02-07T17:22:34","modified_gmt":"2025-02-07T20:22:34","slug":"mercado-revela-se-brasil-entra-em-recessao-neste-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/mercado-revela-se-brasil-entra-em-recessao-neste-ano\/","title":{"rendered":"Mercado revela se Brasil entra em recess\u00e3o neste ano"},"content":{"rendered":"\n<p>A economia brasileira, que registrou um crescimento de 2,9% em 2023 e proje\u00e7\u00f5es de alta de 3,5% para 2024, tem enfrentado uma s\u00e9rie de desafios nos \u00faltimos meses que geraram apreens\u00e3o no mercado. Apesar do desempenho positivo nos primeiros anos do governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), v\u00e1rios indicadores apontam para uma poss\u00edvel recess\u00e3o t\u00e9cnica at\u00e9 o final de 2025. <\/p>\n\n\n\n<p>A recess\u00e3o t\u00e9cnica ocorre quando o Produto Interno Bruto (PIB) registra dois trimestres consecutivos de contra\u00e7\u00e3o, algo que n\u00e3o est\u00e1 no radar de diversas institui\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dos principais bancos e institutos financeiros j\u00e1 sinalizaram a possibilidade de uma segunda recess\u00e3o t\u00e9cnica para o semestre de 2025. Institui\u00e7\u00f5es como Bradesco, Banco BV, Ativa Investimentos, Monte Bravo, Nova Futura e Tend\u00eancias indicam que, apesar do crescimento robusto no in\u00edcio do mandato de Lula, o Brasil poder\u00e1 enfrentar uma desacelera\u00e7\u00e3o significativa. <\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com estimativas do Bradesco, o PIB deve fechar 2025 com uma alta modesta de 2,2%, uma desacelera\u00e7\u00e3o especial em rela\u00e7\u00e3o aos anos anteriores. A previs\u00e3o \u00e9 de um recuo de 0,3% no terceiro trimestre e outro de 0,3% no quarto, configurando o cen\u00e1rio de recess\u00e3o t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Agroneg\u00f3cio <\/h2>\n\n\n\n<p>Uma das raz\u00f5es para que a recess\u00e3o t\u00e9cnica ainda n\u00e3o tenha ocorrido, segundo analistas, \u00e9 uma expectativa positiva para o agroneg\u00f3cio. O setor agr\u00edcola tem se mostrado resiliente, com proje\u00e7\u00f5es de uma safra recorde de gr\u00e3os, especialmente soja, que deve contribuir para o PIB nos primeiros meses de 2025. <\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Lopes, economista do Banco BV, aponta que, apesar de uma desacelera\u00e7\u00e3o em setores como ind\u00fastria e servi\u00e7os, o agroneg\u00f3cio dever\u00e1 sustentar o crescimento econ\u00f4mico no in\u00edcio do ano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desafios no setor industrial e de servi\u00e7os<\/h2>\n\n\n\n<p>O enfraquecimento de diversos setores da economia j\u00e1 \u00e9 vis\u00edvel. Em dezembro de 2024, a produ\u00e7\u00e3o industrial recuou pelo terceiro m\u00eas consecutivo, com uma queda de 0,3%. O com\u00e9rcio varejista tamb\u00e9m apresentou uma queda de 0,4% nas vendas em novembro, e o volume de servi\u00e7os cedeu 0,9%. Esses indicadores s\u00e3o sinais claros de uma desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que, em combina\u00e7\u00e3o com os mercados financeiros, geram incertezas sobre o futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impacto da pol\u00edtica monet\u00e1ria<\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos principais fatores para o desaquecimento da economia brasileira tem sido a pol\u00edtica monet\u00e1ria do Banco Central. A sequ\u00eancia de aumentos na taxa de juros (Selic), atualmente em 13,25% ao ano, gerou um efeito restritivo na economia. A inten\u00e7\u00e3o do BC \u00e9 fortalecer a infla\u00e7\u00e3o, mas os economistas apontam que essa pol\u00edtica tamb\u00e9m pode intensificar a t\u00e9cnica de recess\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Carla Beni, professora da FGV, destaca que uma taxa de juros real elevada, como a que estamos enfrentando, reduz a liquidez de cr\u00e9dito, prejudicando o consumo e os investimentos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Crise de confian\u00e7a e os desafios fiscais<\/h2>\n\n\n\n<p>Outro fator que tem alimentado a percep\u00e7\u00e3o de recess\u00e3o no Brasil \u00e9 uma crise de confian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao compromisso do governo com o equil\u00edbrio fiscal. A falta de uma sinaliza\u00e7\u00e3o clara de reformas fiscais profundas gerou incertezas sobre a sustentabilidade das contas p\u00fablicas. <\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Ativa Investimentos, o pacote fiscal anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no final de 2024, n\u00e3o foi suficiente para restaurar a confian\u00e7a do mercado. A compensa\u00e7\u00e3o fiscal \u00e9 vista como um ponto essencial para garantir a estabilidade econ\u00f4mica no longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o ambiente externo tamb\u00e9m contribui para essa incerteza, com a possibilidade de uma guerra comercial entre pot\u00eancias globais e a transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nos Estados Unidos, com o novo governo de Donald Trump. Esses fatores acrescentam um n\u00edvel extra de imprevisibilidade \u00e0 economia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Expectativas de crescimento<\/h2>\n\n\n\n<p>As proje\u00e7\u00f5es para os pr\u00f3ximos anos confirmam a tend\u00eancia de desacelera\u00e7\u00e3o. O Relat\u00f3rio Focus, do Banco Central, aponta para um crescimento do PIB de apenas 2,06% em 2025, com uma expectativa de expans\u00e3o ainda mais modesta nos anos seguintes: 1,72% em 2026, 1,96% em 2027 e apenas 2% em 2028. A expectativa \u00e9 de que a taxa Selic continue alta, chegando a 15% ao ano em 2025, o que pode dificultar ainda mais o crescimento da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos indicadores negativos, nem todos os economistas compartilham da vis\u00e3o de que uma recess\u00e3o \u00e9 iminente. Claudio Considera, coordenador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, acredita que, embora a perda de confian\u00e7a seja palp\u00e1vel, a economia ainda est\u00e1 distante de entrar em recess\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, a an\u00e1lise precisa considerar uma gama mais ampla de indicadores, como emprego e infla\u00e7\u00e3o. Considera que o Brasil ainda tem capacidade de crescer, apesar dos desafios fiscais e das expectativas negativas de parte do mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>Resta saber se o Brasil conseguir\u00e1 navegar por esse per\u00edodo de desacelera\u00e7\u00e3o sem mergulhar em uma recess\u00e3o prolongada. O equil\u00edbrio entre as pol\u00edticas internacionais e o cen\u00e1rio externo ser\u00e1 crucial para determinar o caminho da economia nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A economia brasileira, que registrou um crescimento de 2,9% em 2023 e proje\u00e7\u00f5es de alta de 3,5% para 2024, tem enfrentado uma s\u00e9rie de desafios nos \u00faltimos meses que geraram apreens\u00e3o no mercado. 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