{"id":3840,"date":"2025-02-05T07:00:00","date_gmt":"2025-02-05T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=3840"},"modified":"2025-02-04T15:25:43","modified_gmt":"2025-02-04T18:25:43","slug":"urgente-33-da-vegetacao-nativa-do-brasil-ja-foi-destruida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/urgente-33-da-vegetacao-nativa-do-brasil-ja-foi-destruida\/","title":{"rendered":"Urgente! 33% da vegeta\u00e7\u00e3o nativa do Brasil j\u00e1 foi destru\u00edda"},"content":{"rendered":"\n<p>O Brasil perdeu um ter\u00e7o de sua vegeta\u00e7\u00e3o nativa desde 1985, segundo um levantamento in\u00e9dito do MapBiomas. Os dados de 2024 mostram que a maior parte da destrui\u00e7\u00e3o ocorreu em propriedades privadas, impulsionada principalmente pela expans\u00e3o da agropecu\u00e1ria. O desmatamento atingiu todos os biomas do pa\u00eds, mas os mais afetados foram a Amaz\u00f4nia e o Cerrado, que perderam, respectivamente, 55 milh\u00f5es e 38 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n\n\n\n<p>Proporcionalmente, o Pampa lidera a devasta\u00e7\u00e3o (28% de perda), seguido pelo Cerrado (27%) e Amaz\u00f4nia (14%). O estudo refor\u00e7a que as Terras Ind\u00edgenas continuam sendo os territ\u00f3rios mais preservados do pa\u00eds, com 99% da cobertura vegetal intacta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A agropecu\u00e1ria como for\u00e7a motriz do desmatamento<\/h2>\n\n\n\n<p>O levantamento revela que 81% da perda de vegeta\u00e7\u00e3o aconteceu em \u00e1reas privadas, onde a floresta foi substitu\u00edda por pastagens e planta\u00e7\u00f5es. O setor agropecu\u00e1rio cresceu 79% desde 1985, ocupando hoje uma \u00e1rea equivalente a 7,5 vezes o tamanho da Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<p>O avan\u00e7o do desmatamento tamb\u00e9m \u00e9 expressivo no Pantanal, onde a agropecu\u00e1ria expandiu de 5% para 17% da \u00e1rea total do bioma. O fen\u00f4meno se repete na Amaz\u00f4nia, onde a ocupa\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria subiu de 3% para 16% em quatro d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Terras Ind\u00edgenas resistem \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar do avan\u00e7o do desmatamento no pa\u00eds, as Terras Ind\u00edgenas se mant\u00eam como as regi\u00f5es mais protegidas. Esses territ\u00f3rios, que ocupam 13% do territ\u00f3rio nacional, preservaram 99% de sua vegeta\u00e7\u00e3o original desde 1985. No entanto, mais de 200 Terras Ind\u00edgenas ainda aguardam demarca\u00e7\u00e3o, o que as torna vulner\u00e1veis \u00e0 invas\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o ilegal.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, as florestas p\u00fablicas sem destina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica seguem como um dos alvos preferidos de grileiros. Atualmente, 92% dessas \u00e1reas ainda preservam sua cobertura original, mas especialistas alertam para o risco crescente de ocupa\u00e7\u00e3o ilegal e desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00c1reas urbanas registram recupera\u00e7\u00e3o, mas perdas ainda preocupam<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo tamb\u00e9m apontou um crescimento da vegeta\u00e7\u00e3o nativa em 37% dos munic\u00edpios brasileiros desde 2008, especialmente na Mata Atl\u00e2ntica. A recupera\u00e7\u00e3o pode estar ligada ao endurecimento da legisla\u00e7\u00e3o ambiental e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Fundo Amaz\u00f4nia, que financia a\u00e7\u00f5es contra o desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a situa\u00e7\u00e3o ainda preocupa: 45% das cidades registraram perdas mais acentuadas no mesmo per\u00edodo, com destaque negativo para os estados de Rond\u00f4nia, Tocantins e Maranh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00e1reas urbanas, a ocupa\u00e7\u00e3o avan\u00e7a sobre encostas, elevando os riscos de desastres naturais. O levantamento indica que a expans\u00e3o urbana nessas regi\u00f5es cresce 3,3% ao ano, aumentando o perigo de deslizamentos e enchentes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Recifes de corais em alerta<\/h2>\n\n\n\n<p>Pela primeira vez, o MapBiomas mapeou recifes de corais em \u00e1guas rasas ao longo da costa brasileira. Foram identificados 204 km\u00b2 dessas forma\u00e7\u00f5es, sendo 72% delas protegidas por unidades de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O aquecimento global, no entanto, coloca essa biodiversidade em risco. Em 2023, a temperatura do Oceano Atl\u00e2ntico registrou um aumento de 2\u00b0C acima da m\u00e9dia hist\u00f3rica, o que pode levar a um branqueamento em massa dos corais e afetar ecossistemas marinhos inteiros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Especialistas alertam para impactos clim\u00e1ticos<\/h2>\n\n\n\n<p>O avan\u00e7o do desmatamento tem consequ\u00eancias diretas para o clima e a biodiversidade. A remo\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa reduz a prote\u00e7\u00e3o contra eventos extremos, como enchentes e secas prolongadas. Al\u00e9m disso, compromete a capacidade dos biomas de absorver carbono, intensificando o aquecimento global.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O desmatamento desenfreado torna o Brasil mais vulner\u00e1vel \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e aos desastres naturais&#8221;, alerta Eduardo Velez, pesquisador do MapBiomas. &#8220;Precisamos de pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes para proteger essas \u00e1reas e conter a degrada\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Futuro da preserva\u00e7\u00e3o depende de a\u00e7\u00f5es urgentes<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo reacende o debate sobre o destino das florestas p\u00fablicas e a necessidade de ampliar a prote\u00e7\u00e3o ambiental no pa\u00eds. Um projeto em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso prop\u00f5e que \u00e1reas sem destina\u00e7\u00e3o sejam convertidas em unidades de conserva\u00e7\u00e3o, Terras Ind\u00edgenas ou zonas de manejo sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Para especialistas, o Brasil ainda pode reverter esse quadro, mas isso exige fiscaliza\u00e7\u00e3o mais r\u00edgida, amplia\u00e7\u00e3o das \u00e1reas protegidas e incentivo \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o florestal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil perdeu um ter\u00e7o de sua vegeta\u00e7\u00e3o nativa desde 1985, segundo um levantamento in\u00e9dito do MapBiomas. Os dados de 2024 mostram que a maior parte da destrui\u00e7\u00e3o ocorreu em propriedades privadas, impulsionada principalmente pela expans\u00e3o da agropecu\u00e1ria. 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