{"id":38195,"date":"2025-12-15T18:45:34","date_gmt":"2025-12-15T21:45:34","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=38195"},"modified":"2025-12-12T18:57:13","modified_gmt":"2025-12-12T21:57:13","slug":"venda-de-celulares-piratas-continua-em-grandes-plataformas-mesmo-apos-tentativa-de-bloqueio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/venda-de-celulares-piratas-continua-em-grandes-plataformas-mesmo-apos-tentativa-de-bloqueio\/","title":{"rendered":"Venda de celulares piratas continua em grandes plataformas mesmo ap\u00f3s tentativa de bloqueio"},"content":{"rendered":"\n<p>Nos \u00faltimos anos, a ind\u00fastria brasileira de eletr\u00f4nicos finalmente come\u00e7ou a respirar com a queda expressiva da presen\u00e7a de celulares piratas no mercado. <\/p>\n\n\n\n<p>Depois de dominar um quarto de todas as vendas, esses aparelhos sem homologa\u00e7\u00e3o da Anatel recuaram para 12% em 2025, sugerindo que a press\u00e3o regulat\u00f3ria e fiscal surtia efeito. <\/p>\n\n\n\n<p>A boa not\u00edcia, por\u00e9m, dura pouco. Decis\u00f5es judiciais recentes reacenderam o conflito com os marketplaces e colocaram em risco o avan\u00e7o obtido. O que parecia uma virada hist\u00f3rica pode ter sido apenas um intervalo tempor\u00e1rio antes de uma nova onda de irregularidades.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A ofensiva da Anatel para conter o mercado ilegal<\/h2>\n\n\n\n<p>O recuo dos piratas n\u00e3o aconteceu sozinho: foi resultado direto da mudan\u00e7a de postura da Anatel a partir de 2024. Em parceria com a Receita Federal, a ag\u00eancia passou a enquadrar marketplaces como parte central do problema e obrigou as plataformas a fiscalizar seus an\u00fancios. <\/p>\n\n\n\n<p>A medida foi refor\u00e7ada em 2025 com uma regra mais r\u00edgida, prevendo multas pesadas e at\u00e9 a derrubada do site em caso de descumprimento. Era a virada mais agressiva j\u00e1 vista contra o mercado cinza, e os resultados come\u00e7aram a aparecer rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto varejistas como Magalu e Shopee aceitaram as novas regras, Amazon e Mercado Livre iniciaram uma disputa frontal contra a Anatel. O argumento n\u00e3o era sobre a legalidade dos celulares vendidos, mas sobre a compet\u00eancia da ag\u00eancia para exigir fiscaliza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via das plataformas. <\/p>\n\n\n\n<p>As empresas alegavam que a Anatel estava extrapolando suas atribui\u00e7\u00f5es ao exigir que marketplaces atuassem como fiscais do Estado. E foi exatamente essa tese que come\u00e7ou a prevalecer nos tribunais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A rodada inicial de vit\u00f3rias judiciais<\/h2>\n\n\n\n<p>A Amazon venceu em primeira e segunda inst\u00e2ncia ao contestar a portaria da Anatel que proibia a venda de celulares irregulares por meio de plataformas digitais. O Mercado Livre, que chegou a perder em um primeiro momento, conseguiu reverter a decis\u00e3o no TRF-1 de forma un\u00e2nime. <\/p>\n\n\n\n<p>Para os desembargadores, a Anatel n\u00e3o poderia transformar provedores de aplica\u00e7\u00e3o em \u00f3rg\u00e3os fiscalizadores, tampouco impor valida\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de an\u00fancios sem ordem judicial. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Resolu\u00e7\u00e3o 780\/25<\/h2>\n\n\n\n<p>O golpe mais duro contra a fiscaliza\u00e7\u00e3o veio com a suspens\u00e3o dos artigos centrais da resolu\u00e7\u00e3o 780\/25, que responsabilizavam marketplaces por produtos vendidos por terceiros. Sem esses dispositivos, a Anatel perdeu parte essencial de seu poder de combate ao contrabando digital. <\/p>\n\n\n\n<p>O resultado imediato foi a suspens\u00e3o da fiscaliza\u00e7\u00e3o sobre o pr\u00f3prio Mercado Livre, abrindo uma brecha que enfraquece a atua\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria e incentiva vendedores irregulares a retornarem \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O impacto sobre o consumidor e o mercado<\/h2>\n\n\n\n<p>A guerra jur\u00eddica n\u00e3o se limita a tecnicalidades. Cada decis\u00e3o judicial afeta diretamente milh\u00f5es de consumidores que utilizam o celular como principal porta de entrada para a internet. Smartphones piratas, sem certifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, podem ser inst\u00e1veis, inseguros e perigosos. <\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, fabricantes legalizados continuam arcando com impostos, normas, centros de assist\u00eancia e exig\u00eancias r\u00edgidas, enquanto competem com aparelhos que entram no pa\u00eds sem pagar um \u00fanico centavo de tributo. <\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com queda no volume, o faturamento do mercado irregular segue alto, e s\u00f3 o Mercado Livre pode movimentar R$ 200 milh\u00f5es anuais em produtos n\u00e3o homologados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A \u00faltima cartada da Anatel nos tribunais superiores<\/h2>\n\n\n\n<p>Mesmo diante das derrotas, a Anatel n\u00e3o recua. A aposta agora est\u00e1 no conceito de \u201cdever de dilig\u00eancia\u201d, que ganhou for\u00e7a nas discuss\u00f5es do STF sobre plataformas digitais. A tese \u00e9 simples: se h\u00e1 participa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica na venda, h\u00e1 responsabilidade pela legalidade. <\/p>\n\n\n\n<p>A ag\u00eancia deve levar o caso ao STJ e STF defendendo que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel lucrar com a comercializa\u00e7\u00e3o de um setor regulado e, ao mesmo tempo, alegar neutralidade total sobre a origem dos produtos.<\/p>\n\n\n\n<p>O grande desafio das pr\u00f3ximas etapas \u00e9 evitar a chamada \u201ctrag\u00e9dia dos comuns\u201d. Se Amazon e Mercado Livre, protegidas por liminares, operarem sem obriga\u00e7\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o, suas concorrentes, que hoje cumprem a lei, poder\u00e3o se ver for\u00e7adas a relaxar suas pol\u00edticas para n\u00e3o perder mercado. <\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio seria um retrocesso profundo, restaurando rapidamente os \u00edndices alarmantes de anos anteriores e deixando o consumidor novamente \u00e0 merc\u00ea de aparelhos inseguros e sem garantia.<\/p>\n\n\n\n<p>O combate aos celulares piratas no Brasil est\u00e1 longe do fim. Depois de alcan\u00e7ar uma queda hist\u00f3rica no mercado ilegal, a Anatel enfrenta um contragolpe jur\u00eddico que amea\u00e7a desmantelar a estrat\u00e9gia constru\u00edda nos \u00faltimos anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos anos, a ind\u00fastria brasileira de eletr\u00f4nicos finalmente come\u00e7ou a respirar com a queda expressiva da presen\u00e7a de celulares piratas no mercado. 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