{"id":37178,"date":"2025-12-05T18:17:33","date_gmt":"2025-12-05T21:17:33","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=37178"},"modified":"2025-12-05T18:17:37","modified_gmt":"2025-12-05T21:17:37","slug":"stf-pode-derrubar-regra-que-reduziu-aposentadoria-por-doenca-grave","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/stf-pode-derrubar-regra-que-reduziu-aposentadoria-por-doenca-grave\/","title":{"rendered":"STF pode derrubar regra que reduziu aposentadoria por doen\u00e7a grave"},"content":{"rendered":"\n<p>A an\u00e1lise do Tema 1.300 pelo Supremo Tribunal Federal abriu um debate crucial sobre a prote\u00e7\u00e3o social de segurados que enfrentam doen\u00e7as graves, contagiosas ou incur\u00e1veis. <\/p>\n\n\n\n<p>A norma criada pela Reforma da Previd\u00eancia de 2019 reduziu o valor das aposentadorias por incapacidade permanente nesses casos, substituindo o pagamento integral por um c\u00e1lculo menos vantajoso. <\/p>\n\n\n\n<p>Agora, com o julgamento iniciado no dia 3, o STF pode reverter essa mudan\u00e7a e restabelecer uma prote\u00e7\u00e3o mais ampla para quem est\u00e1 em condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade extrema.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Entenda a origem do caso<\/h2>\n\n\n\n<p>O processo teve in\u00edcio ap\u00f3s o INSS recorrer de uma decis\u00e3o da Justi\u00e7a Federal do Paran\u00e1 que havia garantido a um segurado o direito ao benef\u00edcio integral. <\/p>\n\n\n\n<p>A altera\u00e7\u00e3o contestada nasceu com a Emenda Constitucional n\u00ba 103\/2019, que redesenhou profundamente as regras da Previd\u00eancia Social, incluindo a forma de c\u00e1lculo das aposentadorias por incapacidade permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a reforma, o valor do benef\u00edcio passou a ser calculado com base em 60% da m\u00e9dia de todas as contribui\u00e7\u00f5es, acrescidos de percentuais adicionais conforme o tempo de contribui\u00e7\u00e3o do trabalhador. <\/p>\n\n\n\n<p>O pagamento integral foi mantido apenas para situa\u00e7\u00f5es derivadas de acidente de trabalho, excluindo doen\u00e7as graves que, historicamente, recebiam maior prote\u00e7\u00e3o do sistema previdenci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A cr\u00edtica central \u00e9 que essa mudan\u00e7a gera uma queda significativa na renda do segurado justamente quando sua condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade exige maior aten\u00e7\u00e3o, tratamentos e cuidados constantes. Para muitos especialistas, isso viola os princ\u00edpios constitucionais da dignidade humana e da prote\u00e7\u00e3o social m\u00ednima.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como votaram os ministros?<\/h2>\n\n\n\n<p>O julgamento come\u00e7ou no plen\u00e1rio virtual ainda em setembro. O ent\u00e3o relator, ministro Lu\u00eds Roberto Barroso, votou para manter a validade da regra da reforma, argumentando que a mudan\u00e7a est\u00e1 alinhada ao equil\u00edbrio financeiro da Previd\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise foi interrompida por pedido de vista do ministro Fl\u00e1vio Dino, que apresentou seu voto divergente na sess\u00e3o presencial mais recente. <\/p>\n\n\n\n<p>Dino defendeu a inconstitucionalidade da redu\u00e7\u00e3o, ressaltando que ajustes fiscais n\u00e3o podem comprometer garantias fundamentais e que a regra atual imp\u00f5e perdas injustas aos trabalhadores que deixam definitivamente o mercado de trabalho por motivo de doen\u00e7a grave.<\/p>\n\n\n\n<p>Dino sugeriu ainda que todos os benef\u00edcios afetados sejam revisados em at\u00e9 12 meses, com pagamento das diferen\u00e7as acumuladas em parcela \u00fanica. Seu voto foi acompanhado pelos ministros Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e C\u00e1rmen L\u00facia, formando uma maioria preliminar.<\/p>\n\n\n\n<p>Do outro lado, os ministros Cristiano Zanin, Andr\u00e9 Mendon\u00e7a e Nunes Marques seguiram o entendimento de Barroso e defenderam a manuten\u00e7\u00e3o da regra da reforma. No momento da suspens\u00e3o da sess\u00e3o, o placar estava em 5 a 4 pela inconstitucionalidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais s\u00e3o os pr\u00f3ximos passos?<\/h2>\n\n\n\n<p>O julgamento ainda precisa ser retomado e depende dos votos de Gilmar Mendes e Luiz Fux, que podem definir o destino da controv\u00e9rsia. <\/p>\n\n\n\n<p>Uma confirma\u00e7\u00e3o da inconstitucionalidade poder\u00e1 restabelecer o pagamento integral das aposentadorias por incapacidade permanente decorrentes de doen\u00e7a grave, al\u00e9m de exigir a revis\u00e3o de benef\u00edcios concedidos desde 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso o STF decida pela manuten\u00e7\u00e3o da regra, o c\u00e1lculo atual permanece em vigor, mantendo o modelo institu\u00eddo pela reforma. <\/p>\n\n\n\n<p>Em qualquer cen\u00e1rio, o impacto ser\u00e1 amplo, seja para recompor direitos previdenci\u00e1rios e corrigir perdas acumuladas, seja para consolidar de vez o novo padr\u00e3o estabelecido ap\u00f3s a mudan\u00e7a constitucional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A an\u00e1lise do Tema 1.300 pelo Supremo Tribunal Federal abriu um debate crucial sobre a prote\u00e7\u00e3o social de segurados que enfrentam doen\u00e7as graves, contagiosas ou incur\u00e1veis. 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