{"id":35263,"date":"2025-11-21T20:45:00","date_gmt":"2025-11-21T23:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=35263"},"modified":"2025-11-19T19:45:16","modified_gmt":"2025-11-19T22:45:16","slug":"quase-25-da-alimentacao-dos-brasileiros-ja-vem-de-ultraprocessados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/quase-25-da-alimentacao-dos-brasileiros-ja-vem-de-ultraprocessados\/","title":{"rendered":"Quase 25% da alimenta\u00e7\u00e3o dos brasileiros j\u00e1 vem de ultraprocessados"},"content":{"rendered":"\n<p>O consumo de ultraprocessados no Brasil atingiu um patamar que acende sinais de alerta entre especialistas. <\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos publicados pela revista The Lancet, conduzidos por pesquisadores da USP e de mais de 40 institui\u00e7\u00f5es internacionais, mostram que esses produtos j\u00e1 representam 23% da alimenta\u00e7\u00e3o nacional, mais que o dobro do registrado nos anos 80. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o profunda n\u00e3o se limita ao Brasil: ela faz parte de um movimento global que est\u00e1 redesenhando h\u00e1bitos, culturas e, sobretudo, a sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um fen\u00f4meno que ultrapassa fronteiras<\/h2>\n\n\n\n<p>O levantamento analisou dados de 93 pa\u00edses, revelando que quase todos registraram aumento consistente no consumo de ultraprocessados nas \u00faltimas d\u00e9cadas. <\/p>\n\n\n\n<p>No Reino Unido, os \u00edndices permanecem est\u00e1veis em 50%, enquanto nos Estados Unidos ultrapassam 60% da dieta. Outras na\u00e7\u00f5es, como Espanha, Coreia do Norte e China, experimentaram crescimento acelerado, com consumo triplicado ao longo de 30 anos. <\/p>\n\n\n\n<p>As diferen\u00e7as regionais existem, mas a tend\u00eancia \u00e9 quase universal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Marketing agressivo e o poder corporativo<\/h2>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores destacam que esse crescimento n\u00e3o ocorre por acaso: \u00e9 impulsionado por grandes corpora\u00e7\u00f5es globais que lucram fortemente com esses produtos. <\/p>\n\n\n\n<p>A combina\u00e7\u00e3o de ingredientes baratos, embalagens atrativas, forte publicidade e lobby pol\u00edtico favorece um cen\u00e1rio em que alimentos ultraprocessados se tornam onipresentes. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Carlos Monteiro, l\u00edder do estudo, essas empresas moldam dietas e interferem diretamente nas decis\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica, dificultando o avan\u00e7o de pol\u00edticas que promovam uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Renda, cultura e padr\u00f5es desiguais de alimenta\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O aumento dos ultraprocessados avan\u00e7a de forma desigual entre diferentes pa\u00edses e classes sociais. Na\u00e7\u00f5es de alta renda j\u00e1 apresentavam \u00edndices elevados, enquanto pa\u00edses de renda m\u00e9dia e baixa viram saltos significativos. <\/p>\n\n\n\n<p>Dentro de cada pa\u00eds, o processo se repete: inicialmente mais consumidos por grupos de maior renda, os ultraprocessados se espalham para outros p\u00fablicos com o tempo. Ainda assim, elementos culturais desempenham papel importante. <\/p>\n\n\n\n<p>Canad\u00e1 registra 40%, enquanto It\u00e1lia e Gr\u00e9cia, apesar da renda semelhante, permanecem abaixo de 25%, gra\u00e7as a tradi\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias mais preservadas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Do p\u00f3s-guerra ao auge da globaliza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O consumo crescente desses alimentos tem ra\u00edzes hist\u00f3ricas. Ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, produtos industrializados surgiram como alternativa pr\u00e1tica. A partir dos anos 80, com a globaliza\u00e7\u00e3o, o acesso e a oferta se ampliaram de forma exponencial. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse movimento coincidiu com o aumento global da obesidade, diabetes tipo 2, c\u00e2ncer colorretal e doen\u00e7as inflamat\u00f3rias intestinais, refor\u00e7ando a associa\u00e7\u00e3o entre ultraprocessados e piora da sa\u00fade populacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A revis\u00e3o feita pelos pesquisadores analisou 104 estudos de longo prazo, e 92 deles apontaram rela\u00e7\u00e3o direta entre o consumo de ultraprocessados e o desenvolvimento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas. <\/p>\n\n\n\n<p>Entre os principais efeitos est\u00e3o ingest\u00e3o excessiva de calorias, pior qualidade nutricional, maior exposi\u00e7\u00e3o a aditivos qu\u00edmicos e eleva\u00e7\u00e3o dos riscos de doen\u00e7as cardiovasculares, metab\u00f3licas e oncol\u00f3gicas. <\/p>\n\n\n\n<p>Para os especialistas, os resultados deixam claro que esses produtos contribuem significativamente para a carga global de doen\u00e7as relacionadas \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como funciona a classifica\u00e7\u00e3o dos alimentos<\/h2>\n\n\n\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o NOVA, criada em 2009 por pesquisadores brasileiros, divide os alimentos de acordo com o grau de processamento. Os ultraprocessados, grupo 4, s\u00e3o formula\u00e7\u00f5es industriais com ingredientes de baixo custo e aditivos diversos, pensados para serem altamente dur\u00e1veis, pr\u00e1ticos e muito palat\u00e1veis. <\/p>\n\n\n\n<p>Exemplos incluem biscoitos recheados, refrigerantes, macarr\u00e3o instant\u00e2neo e iogurtes artificiais. Essa classifica\u00e7\u00e3o ajuda a compreender como o processamento interfere tanto na composi\u00e7\u00e3o nutricional quanto nos efeitos sobre a sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um setor trilion\u00e1rio que molda h\u00e1bitos globais<\/h2>\n\n\n\n<p>Os autores destacam que os ultraprocessados n\u00e3o dominam o mercado por escolhas individuais, mas por estruturas comerciais gigantescas. <\/p>\n\n\n\n<p>O setor movimenta cerca de US$ 1,9 trilh\u00e3o por ano, permitindo que as empresas ampliem sua influ\u00eancia pol\u00edtica, controlem parte das decis\u00f5es regulat\u00f3rias e utilizem estrat\u00e9gias que direcionam o consumo mundial. <\/p>\n\n\n\n<p>Embalagens chamativas, marketing infantil, influenciadores digitais e campanhas constantes consolidam a presen\u00e7a desses produtos no cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Propostas urgentes para conter o avan\u00e7o<\/h2>\n\n\n\n<p>Os especialistas apresentam uma s\u00e9rie de recomenda\u00e7\u00f5es para reduzir o consumo desses produtos. <\/p>\n\n\n\n<p>Entre elas, rotulagem obrigat\u00f3ria e clara sobre aditivos qu\u00edmicos, proibi\u00e7\u00e3o de ultraprocessados em escolas e hospitais, restri\u00e7\u00f5es severas \u00e0 publicidade infantil e taxa\u00e7\u00e3o de determinados produtos para subsidiar alimentos frescos para fam\u00edlias de baixa renda. <\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil \u00e9 citado como exemplo positivo pela pol\u00edtica do PNAE, que determina que 90% dos alimentos ofertados nas escolas p\u00fablicas sejam frescos ou minimamente processados a partir do pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Resgatar a comida de verdade como prioridade global<\/h2>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores refor\u00e7am que o aumento do consumo de ultraprocessados n\u00e3o \u00e9 falha individual, mas consequ\u00eancia direta de um sistema alimentar dominado por interesses corporativos. <\/p>\n\n\n\n<p>Embora novas pesquisas ainda estejam em andamento, o conjunto das evid\u00eancias j\u00e1 \u00e9 robusto o suficiente para embasar pol\u00edticas p\u00fablicas imediatas. <\/p>\n\n\n\n<p>Eles defendem que restaurar dietas baseadas em alimentos integrais, frescos e preparados de forma tradicional \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o urgente para proteger a sa\u00fade global e reduzir a incid\u00eancia de doen\u00e7as cr\u00f4nicas associadas \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O consumo de ultraprocessados no Brasil atingiu um patamar que acende sinais de alerta entre especialistas. Os estudos publicados pela revista The Lancet, conduzidos por pesquisadores da USP e de mais de 40 institui\u00e7\u00f5es internacionais, mostram que esses produtos j\u00e1 representam 23% da alimenta\u00e7\u00e3o nacional, mais que o dobro do registrado nos anos 80. Essa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":10903,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":{"format":"standard"},"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_override_counter":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[83,84],"tags":[],"class_list":["post-35263","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colunas","category-mais-tendencias"],"_referencia":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35263","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35263"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35263\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35269,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35263\/revisions\/35269"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10903"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}