{"id":34724,"date":"2025-11-13T13:06:13","date_gmt":"2025-11-13T16:06:13","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=34724"},"modified":"2025-11-13T13:29:27","modified_gmt":"2025-11-13T16:29:27","slug":"primeira-vez-que-cientistas-conseguem-captar-sinais-de-radio-de-corpos-celestes3i-atlas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/primeira-vez-que-cientistas-conseguem-captar-sinais-de-radio-de-corpos-celestes3i-atlas\/","title":{"rendered":"Primeira vez que cientistas conseguem captar sinais de r\u00e1dio de corpos celestes 3I\/Atlas"},"content":{"rendered":"\n<p>Detectado em 1\u00ba de julho de 2025 pelo telesc\u00f3pio ATLAS, no Chile, o cometa 3I\/ATLAS \u00e9 o terceiro objeto interestelar identificado na hist\u00f3ria, ou seja, originado fora do Sistema Solar. O nome \u201c3I\u201d indica justamente essa classifica\u00e7\u00e3o rara (\u201cInterestelar 3\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>Sua trajet\u00f3ria hiperb\u00f3lica revela que o corpo n\u00e3o est\u00e1 preso \u00e0 gravidade solar, o que significa que ele apenas passar\u00e1 pela vizinhan\u00e7a c\u00f3smica da Terra antes de continuar sua jornada pelo espa\u00e7o profundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O interesse astron\u00f4mico nesse objeto aumentou quando cientistas confirmaram que ele emitiu os primeiros sinais de r\u00e1dio j\u00e1 registrados de um corpo celeste de fora do Sistema Solar, um feito in\u00e9dito que abre novas possibilidades de estudo sobre a composi\u00e7\u00e3o e origem de objetos interestelares.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sinais vindos das estrelas<\/h2>\n\n\n\n<p>A descoberta foi feita com o radiotelesc\u00f3pio MeerKAT, localizado na \u00c1frica do Sul, um dos instrumentos mais sens\u00edveis do planeta. Os pesquisadores detectaram linhas de absor\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio nas frequ\u00eancias de 1,665 GHz e 1,667 GHz, originadas de radicais de hidroxila (OH).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas mol\u00e9culas surgem da sublima\u00e7\u00e3o do gelo, quando o material passa diretamente do estado s\u00f3lido para o gasoso, fen\u00f4meno t\u00edpico de cometas que se aproximam do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p>A detec\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada uma \u201cassinatura de identidade c\u00f3smica\u201d, permitindo que os astr\u00f4nomos determinem a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do 3I\/ATLAS sem a necessidade de enviar uma sonda espacial at\u00e9 ele.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O papel da radioastronomia<\/h2>\n\n\n\n<p>A radioastronomia \u00e9 o ramo da ci\u00eancia que \u201couve o Universo\u201d. Em vez de capturar luz vis\u00edvel, os radiotelesc\u00f3pios detectam ondas de r\u00e1dio, uma forma de radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica emitida por estrelas, gal\u00e1xias, nebulosas e cometas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses sinais s\u00e3o ent\u00e3o codificados e decodificados para revelar dados f\u00edsicos e qu\u00edmicos dos corpos estudados.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse m\u00e9todo, \u00e9 poss\u00edvel analisar fen\u00f4menos c\u00f3smicos invis\u00edveis aos telesc\u00f3pios \u00f3pticos, como nuvens de g\u00e1s interestelar, pulsares e buracos negros. <\/p>\n\n\n\n<p>No caso do 3I\/ATLAS, os sinais de r\u00e1dio confirmam a presen\u00e7a de gelo e compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis, sugerindo que ele se formou em uma regi\u00e3o extremamente fria e distante da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Gelo, cor e mist\u00e9rio<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que o cometa se aproximou do Sol, parte de seu n\u00facleo congelado come\u00e7ou a sublimar, liberando gases e part\u00edculas que alteraram sua colora\u00e7\u00e3o, de tons esbranqui\u00e7ados para azulados.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse comportamento, observado em telesc\u00f3pios \u00f3pticos, foi refor\u00e7ado pelos dados de r\u00e1dio, que indicam mudan\u00e7as qu\u00edmicas intensas em sua superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas acreditam que o 3I\/ATLAS possa carregar pistas sobre como eram os materiais presentes em outros sistemas planet\u00e1rios no momento de sua forma\u00e7\u00e3o, bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pr\u00f3xima parada<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com previs\u00f5es astron\u00f4micas, o 3I\/ATLAS dever\u00e1 passar pr\u00f3ximo de J\u00fapiter em mar\u00e7o de 2026, a uma dist\u00e2ncia aproximada de 50 milh\u00f5es de quil\u00f4metros.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa ser\u00e1 uma oportunidade \u00fanica para a comunidade cient\u00edfica realizar novas medi\u00e7\u00f5es e tentar captar novos sinais de r\u00e1dio, aprofundando o entendimento sobre sua estrutura e comportamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos preliminares da Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN) indicam que o 3I\/ATLAS foi lan\u00e7ado de outro sistema estelar h\u00e1 milh\u00f5es de anos, provavelmente ap\u00f3s uma colis\u00e3o ou perturba\u00e7\u00e3o gravitacional. <\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, ele vagou silenciosamente pelo espa\u00e7o interestelar at\u00e9 cruzar o caminho do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como seus antecessores interestelares, o 1I\/\u02bbOumuamua (2017) e o 2I\/Borisov (2019), o 3I\/ATLAS oferece uma janela in\u00e9dita para o estudo de mundos al\u00e9m do nosso, trazendo fragmentos de mat\u00e9ria primordial de outros cantos da gal\u00e1xia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Detectado em 1\u00ba de julho de 2025 pelo telesc\u00f3pio ATLAS, no Chile, o cometa 3I\/ATLAS \u00e9 o terceiro objeto interestelar identificado na hist\u00f3ria, ou seja, originado fora do Sistema Solar. 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