{"id":33738,"date":"2025-10-30T18:44:53","date_gmt":"2025-10-30T21:44:53","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=33738"},"modified":"2025-10-30T18:44:58","modified_gmt":"2025-10-30T21:44:58","slug":"estudo-mostra-que-ate-quem-nao-tem-redes-sociais-tem-dados-coletados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/estudo-mostra-que-ate-quem-nao-tem-redes-sociais-tem-dados-coletados\/","title":{"rendered":"Estudo mostra que at\u00e9 quem n\u00e3o tem redes sociais tem dados coletados"},"content":{"rendered":"\n<p>Um novo estudo da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) exp\u00f4s uma realidade inc\u00f4moda: mesmo quem n\u00e3o tem redes sociais pode estar sendo monitorado. <\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento identificou que 8 das 17 plataformas digitais mais populares do Brasil coletam informa\u00e7\u00f5es de pessoas que nunca criaram conta. Isso desmonta a ideia de que, ao evitar redes sociais, algu\u00e9m automaticamente mant\u00e9m sua privacidade. <\/p>\n\n\n\n<p>O rastreamento acontece por meios indiretos, silenciosos e muitas vezes sem conhecimento do cidad\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como os dados s\u00e3o capturados sem que voc\u00ea tenha perfil<\/h2>\n\n\n\n<p>A pr\u00e1tica utilizada pelas plataformas se chama minera\u00e7\u00e3o de dados. Funciona como um rastreamento autom\u00e1tico que varre a internet em busca de informa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. <\/p>\n\n\n\n<p>Um telefone que aparece em um an\u00fancio de venda, seu nome em um coment\u00e1rio de terceiro, ou mesmo uma foto em que voc\u00ea aparece, podem alimentar bancos de dados. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, dispositivos deixam rastros, o navegador registra prefer\u00eancias, o dispositivo guarda identificadores e os sites carregam cookies que permitem monitoramento. A pessoa n\u00e3o participa, mas os dados participam por ela.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Redes sociais que n\u00e3o revelam o que fazem com os dados<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo o estudo da FGV, apenas TikTok e LinkedIn informaram aos pesquisadores quais dados haviam coletado via minera\u00e7\u00e3o. Outras plataformas, como Instagram, Facebook, Threads, Reddit, X\/Twitter e YouTube, simplesmente n\u00e3o responderam. <\/p>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia de transpar\u00eancia \u00e9 o principal problema, n\u00e3o se sabe o que est\u00e1 sendo armazenado, para que finalidade, e por quanto tempo esses registros permanecem arquivados. A sombra digital de um n\u00e3o usu\u00e1rio pode existir sem seu conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A rela\u00e7\u00e3o com a LGPD e o que as empresas deveriam fazer<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo analisou 16 crit\u00e9rios exigidos pela Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (LGPD), incluindo transpar\u00eancia, finalidade do uso das informa\u00e7\u00f5es e respeito \u00e0s decis\u00f5es automatizadas. <\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma das 17 plataformas avaliadas cumpre integralmente a legisla\u00e7\u00e3o. Um dos principais pontos ignorados pelas empresas era a obriga\u00e7\u00e3o de indicar o encarregado de dados, o profissional respons\u00e1vel por responder solicita\u00e7\u00f5es de usu\u00e1rios e da Autoridade Nacional de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (ANPD). <\/p>\n\n\n\n<p>Em vez de um contato direto, as plataformas ofereciam apenas e-mails gen\u00e9ricos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Erros, lacunas e quem teve os piores resultados<\/h2>\n\n\n\n<p>Alguns servi\u00e7os demonstraram avan\u00e7os, como Telegram e LinkedIn, que atendem plenamente \u00e0 transpar\u00eancia no uso de decis\u00f5es automatizadas. J\u00e1 outras, como o Signal, ficaram na \u00faltima posi\u00e7\u00e3o, com pol\u00edticas consideradas minimalistas e pouco esclarecedoras. <\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de prometer coletar o m\u00ednimo poss\u00edvel, o aplicativo n\u00e3o oferecia a transpar\u00eancia exigida pela lei. Meta e X (ex-Twitter) tiveram desempenho intermedi\u00e1rio, cumprindo parte das exig\u00eancias, mas ainda deixando questionamentos sem respostas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A interven\u00e7\u00e3o da ANPD e a suspens\u00e3o da Meta<\/h2>\n\n\n\n<p>Diante do cen\u00e1rio nebuloso, a Autoridade Nacional de Prote\u00e7\u00e3o de Dados ampliou sua fiscaliza\u00e7\u00e3o e passou a considerar o risco de dano de cada plataforma ao analisar casos. <\/p>\n\n\n\n<p>Foi com base nesse novo modelo que, em 2024, a ANPD suspendeu temporariamente o uso de dados de brasileiros pela Meta em projetos de intelig\u00eancia artificial. A suspens\u00e3o s\u00f3 foi revertida ap\u00f3s a empresa criar um formul\u00e1rio que permite at\u00e9 mesmo a n\u00e3o usu\u00e1rios solicitar a exclus\u00e3o de seus dados. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um avan\u00e7o, mas tamb\u00e9m um alerta: os dados estavam sendo coletados antes mesmo dessa op\u00e7\u00e3o existir.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A resposta oficial do YouTube<\/h2>\n\n\n\n<p>Entre as plataformas contatadas, o YouTube foi a que apresentou a justificativa mais detalhada. Em nota, afirmou que n\u00e3o se considera rede social, mas sim plataforma de streaming. <\/p>\n\n\n\n<p>Declarou coletar dados fornecidos pelo usu\u00e1rio, informa\u00e7\u00f5es sobre o uso do servi\u00e7o, localiza\u00e7\u00e3o e dados do aparelho. E admitiu algo relevante, mesmo sem login, algumas prefer\u00eancias s\u00e3o armazenadas por meio de identificadores do dispositivo. Em resumo, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio estar conectado para ser observado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Privacidade sob risco e exposi\u00e7\u00e3o involunt\u00e1ria<\/h2>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia de anonimiza\u00e7\u00e3o e a coleta autom\u00e1tica trazem riscos concretos. Dados podem ser usados para treinar intelig\u00eancias artificiais, para criar perfis de comportamento e at\u00e9 para alimentar sistemas de recomenda\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Quando se trata de crian\u00e7as, adolescentes ou informa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis, o impacto \u00e9 ainda maior. Sem transpar\u00eancia, o indiv\u00edduo perde o poder de decidir sobre a pr\u00f3pria identidade digital.<\/p>\n\n\n\n<p>Proteger informa\u00e7\u00f5es pessoais, portanto, n\u00e3o depende apenas do usu\u00e1rio, depende de fiscaliza\u00e7\u00e3o, de responsabilidade das empresas e de leis que garantam o direito \u00e0 privacidade. A LGPD existe para isso. Mas, como revela a pesquisa, ainda h\u00e1 um longo caminho at\u00e9 que as plataformas a respeitem por completo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo estudo da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) exp\u00f4s uma realidade inc\u00f4moda: mesmo quem n\u00e3o tem redes sociais pode estar sendo monitorado. O levantamento identificou que 8 das 17 plataformas digitais mais populares do Brasil coletam informa\u00e7\u00f5es de pessoas que nunca criaram conta. 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