{"id":33106,"date":"2025-10-23T19:21:05","date_gmt":"2025-10-23T22:21:05","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=33106"},"modified":"2025-10-23T19:21:09","modified_gmt":"2025-10-23T22:21:09","slug":"zambelli-devera-pagar-indenizacao-por-post-que-insinuava-apoio-de-vera-ao-estupro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/zambelli-devera-pagar-indenizacao-por-post-que-insinuava-apoio-de-vera-ao-estupro\/","title":{"rendered":"Zambelli dever\u00e1 pagar indeniza\u00e7\u00e3o por post que insinuava apoio de Vera ao estupro"},"content":{"rendered":"\n<p>A Justi\u00e7a paulista determinou que a deputada federal Carla Zambelli pague indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 20 mil \u00e0 jornalista Vera Magalh\u00e3es por publica\u00e7\u00f5es em redes sociais que insinuavam apoio da profissional a pr\u00e1ticas como estupro e pedofilia. <\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o, proferida pela 1\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado do TJ\/SP, refor\u00e7a que a imunidade parlamentar n\u00e3o \u00e9 absoluta e n\u00e3o pode servir de escudo para ataques pessoais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O epis\u00f3dio que motivou o processo<\/h2>\n\n\n\n<p>O conflito come\u00e7ou ap\u00f3s o debate presidencial da Rede Bandeirantes em 2022, quando Vera Magalh\u00e3es, convidada como jornalista, questionou o ent\u00e3o candidato Ciro Gomes sobre a queda da cobertura vacinal no Brasil. <\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi\u00e3o, o ent\u00e3o presidente Jair Bolsonaro atacou a jornalista, dizendo que ela era \u201cuma vergonha para o jornalismo brasileiro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Zambelli compartilhou e comentou esse epis\u00f3dio em suas redes sociais, acrescentando acusa\u00e7\u00f5es de que Vera teria &#8220;rido e debochado&#8221; da ex-ministra Damares Alves, chamando-a de \u201csexista, machista e cristof\u00f3bica\u201d e insinuando apoio indireto a estupro e pedofilia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O processo e a primeira decis\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Vera Magalh\u00e3es entrou com a\u00e7\u00e3o judicial pedindo a remo\u00e7\u00e3o das publica\u00e7\u00f5es e indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, inicialmente estipulada em R$ 35 mil. <\/p>\n\n\n\n<p>O juiz de primeira inst\u00e2ncia determinou apenas a remo\u00e7\u00e3o dos posts, argumentando que as manifesta\u00e7\u00f5es de Zambelli estariam protegidas pela imunidade parlamentar prevista no artigo 53 da Constitui\u00e7\u00e3o, pois se tratariam de opini\u00f5es ligadas \u00e0 atividade pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, Vera recorreu, alegando que os ataques n\u00e3o tinham rela\u00e7\u00e3o com o exerc\u00edcio do mandato e configuravam ofensas pessoais \u00e0 sua honra e reputa\u00e7\u00e3o profissional, com conota\u00e7\u00e3o difamat\u00f3ria e sexual.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Limites da imunidade parlamentar<\/h2>\n\n\n\n<p>No julgamento do recurso, a desembargadora M\u00f4nica de Carvalho destacou que a imunidade parlamentar n\u00e3o \u00e9 carta branca para ofensas pessoais. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, os mandatos conferem liberdade para discutir interesses p\u00fablicos e responsabilidades pol\u00edticas, mas n\u00e3o autorizam ataques pessoais que atinjam a honra, a imagem e a vida privada de terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO caso n\u00e3o envolvia qualquer discuss\u00e3o de interesse p\u00fablico, apenas ataques direcionados \u00e0 jornalista\u201d, afirmou a relatora, refor\u00e7ando que a pr\u00f3pria senten\u00e7a de primeira inst\u00e2ncia j\u00e1 havia reconhecido a ilicitude das postagens.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A influ\u00eancia das redes sociais<\/h2>\n\n\n\n<p>O colegiado tamb\u00e9m enfatizou o impacto das ofensas no ambiente digital. Publica\u00e7\u00f5es em perfis com milh\u00f5es de seguidores amplificam o dano moral, contribuindo para situa\u00e7\u00f5es de \u201ccancelamento\u201d e refor\u00e7ando a responsabilidade civil de quem compartilha conte\u00fados ofensivos, mesmo que reproduzam falas de terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, retweets e republica\u00e7\u00f5es n\u00e3o isentam de responsabilidade quem divulga material difamat\u00f3rio, sendo suficiente a inten\u00e7\u00e3o ou repercuss\u00e3o negativa para gerar dever de indenizar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Decis\u00e3o final e repercuss\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Com base nesse entendimento, o TJ\/SP condenou Carla Zambelli a pagar R$ 20 mil a Vera Magalh\u00e3es por danos morais. A decis\u00e3o refor\u00e7a que a liberdade de express\u00e3o e a atividade parlamentar possuem limites claros, especialmente quando envolvem ataques pessoais ou insinuam condutas criminosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os advogados Igor Sant\u2019Anna Tamasauskas e Beatriz Canotilho Logarezzi, do escrit\u00f3rio Bottini &amp; Tamasauskas Advogados, representam Vera Magalh\u00e3es no processo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Justi\u00e7a paulista determinou que a deputada federal Carla Zambelli pague indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 20 mil \u00e0 jornalista Vera Magalh\u00e3es por publica\u00e7\u00f5es em redes sociais que insinuavam apoio da profissional a pr\u00e1ticas como estupro e pedofilia. 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