{"id":32903,"date":"2025-10-22T18:29:42","date_gmt":"2025-10-22T21:29:42","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=32903"},"modified":"2025-10-22T18:29:46","modified_gmt":"2025-10-22T21:29:46","slug":"ceu-do-brasil-tera-aparicao-inedita-do-cometa-lemmon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/ceu-do-brasil-tera-aparicao-inedita-do-cometa-lemmon\/","title":{"rendered":"C\u00e9u do Brasil ter\u00e1 apari\u00e7\u00e3o in\u00e9dita do cometa Lemmon"},"content":{"rendered":"\n<p>O c\u00e9u do Brasil ser\u00e1 palco de um evento astron\u00f4mico hist\u00f3rico com a passagem do cometa C\/2025 A6 (Lemmon), descoberto em janeiro deste ano pelo observat\u00f3rio Mount Lemmon, no Arizona (EUA). <\/p>\n\n\n\n<p>Este visitante gelado do Sistema Solar est\u00e1 em seu auge de brilho e pode ser observado a olho nu de v\u00e1rias regi\u00f5es do planeta. Segundo a Royal Astronomical Society, ele \u00e9 o cometa mais f\u00e1cil de ser visto em 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima ter\u00e7a-feira (21), o Lemmon atingiu sua maior aproxima\u00e7\u00e3o da Terra, a cerca de 90 milh\u00f5es de quil\u00f4metros, antes de iniciar sua rota de aproxima\u00e7\u00e3o com o Sol. <\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s esse per\u00edodo, come\u00e7ar\u00e1 a se afastar lentamente, desaparecendo dos telesc\u00f3pios e s\u00f3 retornando daqui a cerca de 1.300 anos, um verdadeiro evento de uma \u00fanica gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A origem de um viajante distante<\/h2>\n\n\n\n<p>O astr\u00f4nomo Gabriel Rodrigues Hickel, doutor em Astrof\u00edsica pelo Inpe e professor da Unifei, explica que o Lemmon tem origem no Cintur\u00e3o de Kuiper, uma imensa regi\u00e3o de corpos gelados que orbita al\u00e9m de Netuno. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de l\u00e1 que v\u00eam muitos cometas de longo per\u00edodo, que se aventuram nas regi\u00f5es internas do Sistema Solar ap\u00f3s milhares de anos de viagem. Segundo Hickel, o Lemmon \u00e9 um desses visitantes raros e pequenos, feitos de gelo e poeira, com uma trajet\u00f3ria muito alongada. <\/p>\n\n\n\n<p>Sua vinda ao interior do Sistema Solar \u00e9 uma oportunidade \u00fanica para os cientistas estudarem a composi\u00e7\u00e3o desses objetos primitivos, verdadeiras c\u00e1psulas do tempo que preservam os materiais originais da forma\u00e7\u00e3o do Sol e dos planetas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O brilho verde que encanta observadores<\/h2>\n\n\n\n<p>O brilho que torna o Lemmon vis\u00edvel vem da reflex\u00e3o da luz solar em sua superf\u00edcie gelada e nos gases liberados quando ele se aquece ao se aproximar do Sol. Esse processo cria uma nuvem difusa em torno do n\u00facleo, chamada coma, e uma longa cauda que sempre aponta para o lado oposto ao Sol.<\/p>\n\n\n\n<p>O tom esverdeado que tem encantado astr\u00f4nomos e curiosos vem de gases como o cianog\u00eanio e o carbono diat\u00f4mico, subst\u00e2ncias que reagem \u00e0 radia\u00e7\u00e3o solar. <\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que o Lemmon n\u00e3o seja t\u00e3o espetacular quanto cometas famosos do passado, como o Hale-Bopp ou o Neowise, ele proporciona um espet\u00e1culo delicado e misterioso, especialmente para quem observa de locais afastados das luzes das cidades.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Onde e quando observar o Lemmon<\/h2>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o final de outubro, o cometa estar\u00e1 mais f\u00e1cil de ser visto no Hemisf\u00e9rio Norte, mas a partir do dia 27 de outubro o cen\u00e1rio muda, favorecendo o p\u00fablico brasileiro. O Lemmon poder\u00e1 ser observado logo ap\u00f3s o p\u00f4r do Sol, pr\u00f3ximo dos planetas Merc\u00fario e Marte e da estrela Antares, na constela\u00e7\u00e3o de Escorpi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O ideal \u00e9 procurar \u00e1reas com pouca ilumina\u00e7\u00e3o artificial, como zonas rurais, praias ou montanhas. A olho nu, o Lemmon aparece como um ponto esverdeado e difuso, diferente das estrelas ao redor. <\/p>\n\n\n\n<p>O brilho deve aumentar at\u00e9 o dia 8 de novembro, quando o cometa alcan\u00e7a o peri\u00e9lio, ou seja, o ponto mais pr\u00f3ximo do Sol em sua trajet\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um espet\u00e1culo que se une aos Orion\u00eddeos<\/h2>\n\n\n\n<p>A passagem do Lemmon acontece no mesmo per\u00edodo da chuva de meteoros Orion\u00eddeos, um dos fen\u00f4menos mais aguardados do ano, que est\u00e1 ativa entre 2 de outubro e 7 de novembro. Essa chuva ocorre quando a Terra cruza a trilha de fragmentos deixados pelo cometa Halley, o mesmo que visita nosso planeta a cada 75 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o pico da chuva, \u00e9 poss\u00edvel ver dezenas de meteoros por hora, especialmente em locais escuros e com c\u00e9u limpo. Para aproveitar melhor, os astr\u00f4nomos recomendam evitar luzes artificiais, deixar os olhos se acostumarem \u00e0 escurid\u00e3o e olhar na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de \u00d3rion, de onde os meteoros parecem surgir.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Outros cometas em 2025<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do Lemmon, o ano de 2025 tem sido generoso com os amantes da astronomia. Outros cometas tamb\u00e9m deram o ar da gra\u00e7a no c\u00e9u terrestre: o C\/2024 G3 (ATLAS), vis\u00edvel entre janeiro e fevereiro; o 210P\/Christensen, que promete um bom brilho em novembro; e o 24P\/Schaumasse, que deve encerrar o ano com uma apari\u00e7\u00e3o entre dezembro e janeiro de 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, o Lemmon se destaca como o mais acess\u00edvel a olho nu e o que proporciona a melhor visibilidade em ambos os hemisf\u00e9rios, tornando esta passagem um verdadeiro presente para os observadores do c\u00e9u.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O c\u00e9u do Brasil ser\u00e1 palco de um evento astron\u00f4mico hist\u00f3rico com a passagem do cometa C\/2025 A6 (Lemmon), descoberto em janeiro deste ano pelo observat\u00f3rio Mount Lemmon, no Arizona (EUA). Este visitante gelado do Sistema Solar est\u00e1 em seu auge de brilho e pode ser observado a olho nu de v\u00e1rias regi\u00f5es do planeta. 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