{"id":31734,"date":"2025-10-10T10:45:00","date_gmt":"2025-10-10T13:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=31734"},"modified":"2025-10-09T17:16:35","modified_gmt":"2025-10-09T20:16:35","slug":"casal-e-condenado-apos-adotar-crianca-de-6-anos-para-trabalho-domestico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/casal-e-condenado-apos-adotar-crianca-de-6-anos-para-trabalho-domestico\/","title":{"rendered":"Casal \u00e9 condenado ap\u00f3s &#8216;adotar&#8217; crian\u00e7a de 6 anos para trabalho dom\u00e9stico"},"content":{"rendered":"\n<p>Um caso ocorrido em Salvador chamou aten\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a do Trabalho e da opini\u00e3o p\u00fablica. <\/p>\n\n\n\n<p>Um casal foi condenado a pagar R$ 50 mil por danos morais, al\u00e9m do reconhecimento de v\u00ednculo empregat\u00edcio, ap\u00f3s transformar em empregada dom\u00e9stica uma crian\u00e7a de apenas seis anos, levada da cidade de Lamar\u00e3o, no interior da Bahia, sob a justificativa de se tornar uma \u201cfilha de cria\u00e7\u00e3o\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, com 31 anos, a v\u00edtima finalmente obteve o reconhecimento judicial da explora\u00e7\u00e3o a que foi submetida.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A falsa promessa de acolhimento<\/h2>\n\n\n\n<p>A menina foi entregue pela m\u00e3e biol\u00f3gica, que enfrentava dificuldades financeiras, com a promessa de que teria melhores condi\u00e7\u00f5es de vida na capital. Inicialmente, a ida seria tempor\u00e1ria para ajudar o homem da casa, que havia sofrido um acidente, mas a perman\u00eancia se tornou definitiva. <\/p>\n\n\n\n<p>Em 2003, o casal conseguiu a guarda da crian\u00e7a, consolidando a situa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia e explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Inf\u00e2ncia transformada em rotina de trabalho<\/h2>\n\n\n\n<p>Desde cedo, a v\u00edtima era submetida a longas jornadas de trabalho. Acordava \u00e0s quatro da manh\u00e3 para preparar o caf\u00e9 da fam\u00edlia e passava o dia em tarefas dom\u00e9sticas, orientada inclusive por outras empregadas da casa. <\/p>\n\n\n\n<p>Seus estudos foram sempre prejudicados, aos 15 anos, foi obrigada a abandonar a escola para cuidar do neto do casal, s\u00f3 conseguindo concluir o ensino m\u00e9dio aos 24 anos por meio do supletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, ap\u00f3s come\u00e7ar a questionar sua condi\u00e7\u00e3o dentro da casa, a v\u00edtima foi expulsa. O pr\u00f3prio homem que cresceu como seu \u201cirm\u00e3o\u201d a retirou do lar, afirmando que sua presen\u00e7a sem trabalhar era inc\u00f4moda. <\/p>\n\n\n\n<p>Testemunhas refor\u00e7aram que a jovem nunca foi tratada como filha. Uma amiga da fam\u00edlia, que conviveu por 15 anos com os acusados, declarou sequer saber o nome dela.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A defesa do casal e a senten\u00e7a judicial<\/h2>\n\n\n\n<p>O casal argumentou que sempre tratou a menina como filha, oferecendo carinho, estudo e at\u00e9 um curso t\u00e9cnico de enfermagem. Afirmaram ainda que sua postura mudou ap\u00f3s iniciar um relacionamento amoroso. <\/p>\n\n\n\n<p>A Justi\u00e7a, no entanto, considerou as alega\u00e7\u00f5es improcedentes, baseando-se em testemunhos e provas que demonstraram explora\u00e7\u00e3o. O Tribunal Regional do Trabalho da Bahia reconheceu o v\u00ednculo empregat\u00edcio e fixou indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Trabalho dom\u00e9stico infantil <\/h2>\n\n\n\n<p>O caso exp\u00f5e uma pr\u00e1tica ainda comum no Brasil, o uso do termo \u201cfilho de cria\u00e7\u00e3o\u201d para justificar situa\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o infantil. Muitas crian\u00e7as pobres, principalmente do interior, s\u00e3o entregues a fam\u00edlias mais ricas com a promessa de estudo e cuidado, mas acabam vivendo jornadas abusivas de trabalho. <\/p>\n\n\n\n<p>Como ocorre dentro de casas, esse tipo de explora\u00e7\u00e3o \u00e9 invis\u00edvel \u00e0s fiscaliza\u00e7\u00f5es e perpetua desigualdades hist\u00f3ricas.<\/p>\n\n\n\n<p>A v\u00edtima perdeu inf\u00e2ncia e juventude em fun\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, teve sua educa\u00e7\u00e3o interrompida e enfrenta at\u00e9 hoje as consequ\u00eancias emocionais da explora\u00e7\u00e3o. O combate ao trabalho dom\u00e9stico infantil exige n\u00e3o s\u00f3 puni\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m conscientiza\u00e7\u00e3o social e fortalecimento das redes de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um caso ocorrido em Salvador chamou aten\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a do Trabalho e da opini\u00e3o p\u00fablica. 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