{"id":26931,"date":"2025-08-12T06:45:00","date_gmt":"2025-08-12T09:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=26931"},"modified":"2025-08-11T13:33:37","modified_gmt":"2025-08-11T16:33:37","slug":"incendio-revela-trabalho-escravo-em-obra-de-usina-de-etanol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/incendio-revela-trabalho-escravo-em-obra-de-usina-de-etanol\/","title":{"rendered":"Inc\u00eandio revela trabalho escravo em obra de usina de etanol"},"content":{"rendered":"\n<p>O inc\u00eandio que destruiu parte dos alojamentos de oper\u00e1rios em Porto Alegre do Norte, no Mato Grosso, acendeu o alerta para uma realidade alarmante: a exist\u00eancia de trabalho escravo no local, segundo autoridades. <\/p>\n\n\n\n<p>A trag\u00e9dia, ocorrida em 20 de julho deste ano, motivou uma s\u00e9rie de inspe\u00e7\u00f5es que acabaram revelando que mais de quinhentas pessoas viviam e trabalhavam em <a href=\"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/fornecedora-do-butantan-e-alvo-por-praticas-analogas-a-escravidao\/\"><strong>condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o<\/strong><\/a> durante a constru\u00e7\u00e3o de uma usina de etanol. <\/p>\n\n\n\n<p>A opera\u00e7\u00e3o foi conduzida por uma for\u00e7a-tarefa envolvendo o <a href=\"https:\/\/mpt.mp.br\/pgt\/noticias\/forca-tarefa-resgata-563-trabalhadores-em-condicoes-degradantes-na-obra-da-tao-construtora-em-porto-alegre-do-norte-mt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho<\/strong><\/a>, o Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego e a Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Inc\u00eandio revela trabalho escravo em obra de usina de etanol<\/h2>\n\n\n\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es mostraram que os trabalhadores, contratados pela TAO Construtora para erguer o empreendimento da 3tentos, enfrentavam um cotidiano marcado por precariedade extrema, vivendo em condi\u00e7\u00f5es semelhantes a trabalho escravo. <\/p>\n\n\n\n<p>Muitos vinham de estados distantes, como Maranh\u00e3o, Par\u00e1 e Piau\u00ed, e arcavam com o custo da pr\u00f3pria viagem, valor depois descontado de seus sal\u00e1rios. <\/p>\n\n\n\n<p>O alojamento que os recebia estava superlotado, com c\u00f4modos abafados, apenas um ventilador para quatro pessoas e colch\u00f5es gastos, sem len\u00e7\u00f3is ou travesseiros. Quem n\u00e3o conseguia lugar na cama dormia no ch\u00e3o, debaixo de mesas.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se deteriorou ainda mais nas semanas que antecederam o inc\u00eandio, quando quedas de energia deixaram os alojamentos sem abastecimento de \u00e1gua. A empresa recorreu a caminh\u00f5es-pipa para buscar \u00e1gua do Rio Tapirap\u00e9, que chegava turva e impr\u00f3pria para consumo. <\/p>\n\n\n\n<p>Para tomar banho, os oper\u00e1rios usavam canecas e enfrentavam longas filas para acessar banheiros sujos.<\/p>\n\n\n\n<p>No canteiro de obras, o cen\u00e1rio n\u00e3o era melhor. As refei\u00e7\u00f5es eram descritas como repetitivas, mal preparadas e, em alguns casos, contaminadas por larvas e moscas. Refeit\u00f3rios abafados e sem ventila\u00e7\u00e3o completavam o quadro. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Trabalho escravo: funcion\u00e1rios trabalhavam at\u00e9 20 horas por dia, e ap\u00f3s inc\u00eandio foram demitidos por justa causa <\/h3>\n\n\n\n<p>Jornadas que ultrapassavam 20 horas eram registradas de forma paralela, por meio de um esquema informal apelidado de \u201ccart\u00e3o 2\u201d, com pagamentos feitos fora da folha, o que caracteriza sonega\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Relatos tamb\u00e9m apontam falta de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o e casos de les\u00f5es e doen\u00e7as de pele sem registro oficial.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o inc\u00eandio, 18 trabalhadores foram dispensados por justa causa e centenas pediram demiss\u00e3o ou encerraram o contrato. Cerca de 60 pessoas perderam todos os pertences no fogo. <\/p>\n\n\n\n<p>A for\u00e7a-tarefa determinou que a empresa acomodasse os empregados em hot\u00e9is e casas alugadas, enquanto negocia um Termo de Ajuste de Conduta para garantir indeniza\u00e7\u00f5es, pagamento de verbas rescis\u00f3rias e repara\u00e7\u00e3o de danos.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso permanece sob investiga\u00e7\u00e3o, e novas inspe\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o descartadas. Para as autoridades da \u00e1rea, o epis\u00f3dio \u00e9 s\u00f3 mais um exemplo de como trag\u00e9dias podem expor pr\u00e1ticas ilegais e degradantes ainda presentes em grandes empreendimentos brasileiros, como o trabalho escravo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O inc\u00eandio que destruiu parte dos alojamentos de oper\u00e1rios em Porto Alegre do Norte, no Mato Grosso, acendeu o alerta para uma realidade alarmante: a exist\u00eancia de trabalho escravo no local, segundo autoridades. 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