{"id":26338,"date":"2025-08-05T18:45:00","date_gmt":"2025-08-05T21:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=26338"},"modified":"2025-08-04T19:09:42","modified_gmt":"2025-08-04T22:09:42","slug":"praias-estao-sendo-ameacadas-pelo-maior-cinturao-de-sargaco-ja-mapeado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/praias-estao-sendo-ameacadas-pelo-maior-cinturao-de-sargaco-ja-mapeado\/","title":{"rendered":"Praias est\u00e3o sendo amea\u00e7adas pelo maior cintur\u00e3o de sarga\u00e7o j\u00e1 mapeado"},"content":{"rendered":"\n<p>As praias do Norte e Nordeste do Brasil, famosas por suas \u00e1guas cristalinas e paisagens paradis\u00edacas, podem enfrentar um ver\u00e3o at\u00edpico e preocupante. Um cintur\u00e3o marrom, composto por milh\u00f5es de toneladas de algas flutuantes conhecidas como sarga\u00e7o, avan\u00e7a pelo Oceano Atl\u00e2ntico com dire\u00e7\u00e3o \u00e0 costa brasileira. <\/p>\n\n\n\n<p>O fen\u00f4meno, vis\u00edvel at\u00e9 por sat\u00e9lites, vem se consolidando como uma das maiores amea\u00e7as ambientais para o litoral do pa\u00eds e desafia autoridades, cientistas e a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o litor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O cintur\u00e3o que se formou no Atl\u00e2ntico e n\u00e3o para de crescer<\/h2>\n\n\n\n<p>Batizado de Great Atlantic Sargassum Belt, esse cintur\u00e3o de algas teve seus primeiros sinais mapeados em 2011, mas desde 2015 ganhou for\u00e7a impressionante. <\/p>\n\n\n\n<p>Impulsionado por correntes oce\u00e2nicas, padr\u00f5es atmosf\u00e9ricos alterados e uma oferta crescente de nutrientes, tanto vindos de rios como o Amazonas quanto das profundezas oce\u00e2nicas, o sarga\u00e7o se expandiu a n\u00edveis nunca vistos. <\/p>\n\n\n\n<p>Em maio de 2025, atingiu a marca hist\u00f3rica de 38 milh\u00f5es de toneladas, com expectativa de crescimento nas semanas seguintes. Blocos com mais de 100 km de extens\u00e3o flutuam como verdadeiras ilhas, cruzando o Atl\u00e2ntico do Golfo da Guin\u00e9 at\u00e9 o Caribe, numa trajet\u00f3ria que agora se aproxima do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Da imagem de sat\u00e9lite ao impacto nas praias brasileiras<\/h2>\n\n\n\n<p>Dados de sat\u00e9lite recentes mostram claramente a presen\u00e7a de sarga\u00e7o na costa norte do pa\u00eds, com maior concentra\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas do Maranh\u00e3o e Par\u00e1. <\/p>\n\n\n\n<p>A velocidade de deslocamento \u00e9 cerca de 200 km por semana, o que transforma esse cintur\u00e3o numa esp\u00e9cie de esteira marinha que j\u00e1 afetou gravemente praias em Barbados, Canc\u00fan e agora se aproxima de locais como Alc\u00e2ntara, Atins e Alter do Ch\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas alertam que surtos devem persistir at\u00e9 setembro, devido a condi\u00e7\u00f5es oce\u00e2nicas an\u00f4malas, como temperaturas mais altas e ventos al\u00edsios enfraquecidos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Danos invis\u00edveis que atingem o meio ambiente e a sa\u00fade p\u00fablica<\/h2>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a massiva de sarga\u00e7o desencadeia uma s\u00e9rie de impactos ocultos, mas igualmente devastadores. Trabalhadores respons\u00e1veis pela remo\u00e7\u00e3o da biomassa se exp\u00f5em ao g\u00e1s sulf\u00eddrico, que em concentra\u00e7\u00f5es elevadas pode causar irrita\u00e7\u00f5es nos olhos, nariz e garganta, al\u00e9m de agravar quadros de asma e rinite. <\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no ambiente marinho, a densa cobertura de algas bloqueia a luz solar e esgota o oxig\u00eanio dissolvido na \u00e1gua, sufocando corais, peixes e outros organismos. Tartarugas marinhas, por sua vez, encontram dificuldade para acessar os ninhos ou para que os filhotes cheguem ao mar, afetando diretamente esp\u00e9cies j\u00e1 amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que as pr\u00f3ximas semanas reservam para o litoral brasileiro<\/h2>\n\n\n\n<p>Boletins semanais da Universidade do Sul da Fl\u00f3rida preveem entrada moderada de sarga\u00e7o na faixa litor\u00e2nea entre Maranh\u00e3o e Par\u00e1, com maior intensidade durante as mar\u00e9s cheias de agosto e setembro. <\/p>\n\n\n\n<p>Alc\u00e2ntara, j\u00e1 afetada em outros anos, pode servir novamente como ponto de entrada para as algas, exigindo a\u00e7\u00e3o r\u00e1pida das prefeituras locais. Especialistas destacam a necessidade de protocolos e recursos emergenciais para evitar que o problema se transforme em uma calamidade ambiental.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As praias do Norte e Nordeste do Brasil, famosas por suas \u00e1guas cristalinas e paisagens paradis\u00edacas, podem enfrentar um ver\u00e3o at\u00edpico e preocupante. Um cintur\u00e3o marrom, composto por milh\u00f5es de toneladas de algas flutuantes conhecidas como sarga\u00e7o, avan\u00e7a pelo Oceano Atl\u00e2ntico com dire\u00e7\u00e3o \u00e0 costa brasileira. 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