{"id":26167,"date":"2025-08-04T07:00:00","date_gmt":"2025-08-04T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=26167"},"modified":"2025-08-01T17:51:37","modified_gmt":"2025-08-01T20:51:37","slug":"cientistas-relatam-interferencia-da-starlink-em-pesquisas-do-espaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/cientistas-relatam-interferencia-da-starlink-em-pesquisas-do-espaco\/","title":{"rendered":"Cientistas relatam interfer\u00eancia da Starlink em pesquisas do espa\u00e7o"},"content":{"rendered":"\n<p>A astronomia, especialmente a radioastronomia, \u00e9 uma ci\u00eancia que depende de sil\u00eancio. <\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto telesc\u00f3pios \u00f3pticos enxergam o cosmos com base na luz vis\u00edvel, os radiotelesc\u00f3pios ouvem os sussurros do universo por meio de ondas de r\u00e1dio extremamente fracas, sinais emitidos por estrelas moribundas, buracos negros, gal\u00e1xias distantes e outros mist\u00e9rios c\u00f3smicos. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas esse sil\u00eancio vem sendo rompido. Um novo estudo da Curtin University, na Austr\u00e1lia, revelou que os sat\u00e9lites da Starlink est\u00e3o gerando um ru\u00eddo inesperado e persistente, capaz de atrapalhar essa escuta atenta do espa\u00e7o profundo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O estudo mais detalhadp j\u00e1 feito sobre o tema<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisa, conduzida por cientistas do Instituto Curtin de Radioastronomia (CIRA), parte do ICRAR (Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia), analisou 76 milh\u00f5es de imagens captadas por um prot\u00f3tipo do SKA (Square Kilometre Array), o maior radiotelesc\u00f3pio do mundo em constru\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo \u00e9 detectar interfer\u00eancias em faixas de frequ\u00eancia que deveriam estar protegidas para uso exclusivo da ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O que os dados mostraram foi alarmante. Foram identificadas 112 mil emiss\u00f5es de r\u00e1dio oriundas de 1.806 sat\u00e9lites da Starlink. Muitas dessas transmiss\u00f5es ocorreram em frequ\u00eancias em que n\u00e3o deveria haver absolutamente nenhum sinal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do que se poderia imaginar, os sinais que causam interfer\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o necessariamente transmiss\u00f5es deliberadas. S\u00e3o ru\u00eddos colaterais, fruto de componentes eletr\u00f4nicos internos dos sat\u00e9lites, um &#8220;vazamento&#8221; n\u00e3o previsto, mas persistente. <\/p>\n\n\n\n<p>Esses sinais indesejados competem diretamente com os dados que os astr\u00f4nomos tentam capturar, obscurecendo descobertas e prejudicando a qualidade das imagens captadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para piorar, muitos desses sinais surgem de forma imprevis\u00edvel. N\u00e3o h\u00e1 como antev\u00ea-los ou filtr\u00e1-los de forma confi\u00e1vel. O resultado \u00e9 que, em alguns momentos, at\u00e9 30% das imagens captadas pelos radiotelesc\u00f3pios estavam contaminadas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mais sat\u00e9lites, mais ru\u00eddo<\/h2>\n\n\n\n<p>A Starlink, rede de sat\u00e9lites da empresa SpaceX, \u00e9 a maior respons\u00e1vel pela interfer\u00eancia observada. Com mais de 7 mil sat\u00e9lites em \u00f3rbita no per\u00edodo do estudo, e um n\u00famero crescente m\u00eas a m\u00eas, a constela\u00e7\u00e3o de equipamentos forma uma verdadeira cortina tecnol\u00f3gica em torno da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante os quatro meses da coleta de dados, a Starlink lan\u00e7ou 477 novos sat\u00e9lites. Isso representa n\u00e3o apenas um aumento na densidade de equipamentos no espa\u00e7o, mas tamb\u00e9m uma multiplica\u00e7\u00e3o dos poss\u00edveis pontos de emiss\u00e3o involunt\u00e1ria de r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Faixas protegidas sendo violadas<\/h2>\n\n\n\n<p>O ponto mais preocupante do estudo foi a detec\u00e7\u00e3o de sinais em frequ\u00eancias que, por norma internacional, deveriam estar livres de qualquer emiss\u00e3o. Um exemplo citado pelos pesquisadores \u00e9 a frequ\u00eancia de 150,8 MHz, usada exclusivamente para observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas. <\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, 703 sat\u00e9lites foram detectados emitindo sinais nessa faixa, o que fere diretamente o princ\u00edpio de preserva\u00e7\u00e3o de \u201czonas de sil\u00eancio\u201d no espectro eletromagn\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa descoberta levanta uma quest\u00e3o s\u00e9ria sobre a efic\u00e1cia das regulamenta\u00e7\u00f5es atuais da Uni\u00e3o Internacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es (UIT), que protegem apenas transmiss\u00f5es intencionais, ignorando essas emiss\u00f5es colaterais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Starlink est\u00e1 dentro da lei<\/h2>\n\n\n\n<p>Legalmente, a SpaceX e sua Starlink n\u00e3o est\u00e3o em desacordo com os regulamentos internacionais. A empresa opera dentro do que \u00e9 permitido, e os pr\u00f3prios cientistas reconhecem que os di\u00e1logos com a SpaceX t\u00eam sido abertos e construtivos. <\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a realidade mudou, e a legisla\u00e7\u00e3o atual parece n\u00e3o acompanhar a velocidade da inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Steven Tingay, diretor executivo do CIRA e coautor do estudo, \u00e9 preciso rever as normas internacionais para incluir esse tipo de emiss\u00e3o n\u00e3o intencional nas regulamenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma corrida contra o tempo<\/h2>\n\n\n\n<p>A urg\u00eancia do tema se intensifica com a expans\u00e3o constante das redes de sat\u00e9lites. A Starlink \u00e9 a maior, mas n\u00e3o est\u00e1 sozinha, empresas como Amazon, OneWeb e outras tamb\u00e9m est\u00e3o lan\u00e7ando constela\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, ampliando ainda mais o risco de interfer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Se as medidas regulat\u00f3rias n\u00e3o forem revistas com rapidez, o futuro da radioastronomia pode ser comprometido. Os cientistas alertam que o tempo para agir \u00e9 agora. <\/p>\n\n\n\n<p>O estudo, publicado com esse intuito, visa promover uma discuss\u00e3o internacional sobre a atualiza\u00e7\u00e3o das normas que regem a presen\u00e7a tecnol\u00f3gica na \u00f3rbita terrestre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A astronomia, especialmente a radioastronomia, \u00e9 uma ci\u00eancia que depende de sil\u00eancio. 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