{"id":25166,"date":"2025-07-24T10:00:00","date_gmt":"2025-07-24T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=25166"},"modified":"2025-07-23T17:52:56","modified_gmt":"2025-07-23T20:52:56","slug":"desmatamento-em-terras-quilombolas-diminuiu-55","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/desmatamento-em-terras-quilombolas-diminuiu-55\/","title":{"rendered":"Desmatamento em terras quilombolas diminuiu 55%"},"content":{"rendered":"\n<p>Um recente estudo publicado na revista Communications Earth &amp; Environment revelou que as taxas de desmatamento em terras de povos afrodescendentes, como quilombolas no Brasil, Col\u00f4mbia, Equador e Suriname, s\u00e3o at\u00e9 55% menores em compara\u00e7\u00e3o com outras \u00e1reas similares sem a titula\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria adequada. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa importante pesquisa foi conduzida pela ONG Conservation International, que analisou 21 anos de dados estat\u00edsticos, espaciais e hist\u00f3ricos para mensurar o impacto ambiental positivo dessas comunidades.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Titula\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e conserva\u00e7\u00e3o ambiental<\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos achados mais relevantes do estudo aponta que a titula\u00e7\u00e3o das terras, ou seja, o reconhecimento legal e formal dos territ\u00f3rios quilombolas, \u00e9 importante para a conserva\u00e7\u00e3o. \u00c1reas protegidas com titula\u00e7\u00e3o apresentam uma redu\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 29% no desmatamento em compara\u00e7\u00e3o com aquelas sem titula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Fora das \u00e1reas protegidas, essa diminui\u00e7\u00e3o chega a 36%, e nas bordas das terras quilombolas, o impacto positivo alcan\u00e7a 55%, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia do reconhecimento jur\u00eddico das terras tradicionais para a preserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quilombolas como guardi\u00f5es da biodiversidade e do carbono<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar de representarem apenas 1% do territ\u00f3rio analisado nos quatro pa\u00edses, as terras quilombolas concentram mais da metade das \u00e1reas com maior biodiversidade do planeta. <\/p>\n\n\n\n<p>Elas armazenam cerca de 486 milh\u00f5es de toneladas de carbono irrecuper\u00e1vel, carbono que, se perdido, n\u00e3o pode ser recuperado em tempo para evitar os efeitos mais graves da crise clim\u00e1tica. <\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, esse armazenamento \u00e9 respons\u00e1vel por 36% do total, concentrado em florestas tropicais, \u00e1reas \u00famidas e pantanosas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quilombolas na linha de frente das pol\u00edticas clim\u00e1ticas<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora a aten\u00e7\u00e3o global costume focar nos povos ind\u00edgenas como guardi\u00f5es ambientais, o estudo destaca que os afrodescendentes t\u00eam sido invisibilizados nos debates clim\u00e1ticos, mesmo sendo protagonistas na conserva\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>L\u00edderes quilombolas, como Hugo Jabini, do Suriname, ressaltam a import\u00e2ncia de terem voz e seus direitos reconhecidos em f\u00f3runs internacionais. A participa\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Internacional de Comunidades Tradicionais, Afrodescendentes e Agricultores Familiares na COP30 de 2025, em Bel\u00e9m, refor\u00e7a essa pauta.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo cient\u00edfico e as vozes dos quilombolas indicam que a prote\u00e7\u00e3o de seus territ\u00f3rios n\u00e3o \u00e9 apenas um ato de justi\u00e7a social, mas uma estrat\u00e9gia fundamental para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e o combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. <\/p>\n\n\n\n<p>O reconhecimento e a valoriza\u00e7\u00e3o dessas comunidades s\u00e3o essenciais para garantir um futuro mais sustent\u00e1vel e justo para todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um recente estudo publicado na revista Communications Earth &amp; Environment revelou que as taxas de desmatamento em terras de povos afrodescendentes, como quilombolas no Brasil, Col\u00f4mbia, Equador e Suriname, s\u00e3o at\u00e9 55% menores em compara\u00e7\u00e3o com outras \u00e1reas similares sem a titula\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria adequada. 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