{"id":25001,"date":"2025-07-23T10:00:00","date_gmt":"2025-07-23T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=25001"},"modified":"2025-07-22T18:23:34","modified_gmt":"2025-07-22T21:23:34","slug":"plantas-banidas-em-cidade-brasileira-prometem-dor-de-cabeca-por-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/plantas-banidas-em-cidade-brasileira-prometem-dor-de-cabeca-por-anos\/","title":{"rendered":"Plantas banidas em cidade brasileira prometem dor de cabe\u00e7a por anos"},"content":{"rendered":"\n<p>Durante anos, a leucena foi celebrada como uma planta \u00fatil: crescia rapidamente em solos pobres, recuperava \u00e1reas degradadas e ainda servia de forragem para o gado. <\/p>\n\n\n\n<p>Origin\u00e1ria da Am\u00e9rica Central, a \u00e1rvore parecia a solu\u00e7\u00e3o ideal para desafios ambientais e produtivos. No entanto, seu comportamento biol\u00f3gico altamente agressivo, com capacidade de suprimir o crescimento de outras esp\u00e9cies e gerar um verdadeiro bloqueio ecol\u00f3gico, a transformou em uma amea\u00e7a grave \u00e0 biodiversidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A nova lei e os primeiros passos para o controle<\/h2>\n\n\n\n<p>A rec\u00e9m-sancionada Lei n\u00ba 7.418\/2025 estabelece um plano para erradicar e substituir a leucena em Campo Grande. Mas, por mais que a assinatura da lei represente um avan\u00e7o, a realidade ainda \u00e9 incerta: n\u00e3o h\u00e1 prazos definidos para o in\u00edcio da remo\u00e7\u00e3o, tampouco h\u00e1 um levantamento preciso da quantidade de leucenas espalhadas pela cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tirar a norma do papel, ser\u00e1 necess\u00e1rio realizar um extenso mapeamento em conjunto com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), identificando onde a esp\u00e9cie est\u00e1 presente, de \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente a quintais urbanos. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse mapeamento ser\u00e1 a base para qualquer plano de substitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Miss\u00e3o quase imposs\u00edvel<\/h2>\n\n\n\n<p>A auditora fiscal da Semades, Silvia Rahe Pereira, \u00e9 categ\u00f3rica: erradicar completamente a leucena \u00e9 um &#8220;sonho inalcan\u00e7\u00e1vel&#8221;. A \u00e1rvore, considerada uma das 100 esp\u00e9cies invasoras mais perigosas do mundo, possui sementes com alta taxa de germina\u00e7\u00e3o, que permanecem vi\u00e1veis por anos no solo. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 helop\u00e1tica, ou seja, libera subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que impedem o crescimento de outras plantas ao seu redor. Dada sua resili\u00eancia e capacidade de dispers\u00e3o, o m\u00e1ximo que se pode esperar \u00e9 o controle da esp\u00e9cie, e isso exigir\u00e1 esfor\u00e7os cont\u00ednuos por muitos anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Estrat\u00e9gias j\u00e1 est\u00e3o em pr\u00e1tica<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar das dificuldades, iniciativas de substitui\u00e7\u00e3o da leucena por esp\u00e9cies nativas j\u00e1 est\u00e3o em curso em Campo Grande. Um exemplo \u00e9 o projeto Ecoplantar, que atua no C\u00f3rrego Segredo, plantando \u00e1rvores nativas em alta densidade para sombrear e sufocar novas germina\u00e7\u00f5es da leucena. <\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, mesmo com essa t\u00e9cnica, a vigil\u00e2ncia deve ser constante, pois rebrotas da esp\u00e9cie invasora continuam a surgir.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como a leucena chegou at\u00e9 aqui?<\/h2>\n\n\n\n<p>Introduzida como planta forrageira por seu alto valor nutricional, a leucena tamb\u00e9m foi testada como esp\u00e9cie regeneradora de solos degradados, devido \u00e0 sua capacidade de fixar nitrog\u00eanio. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas esse \u201csuperpoder\u201d virou um problema. A planta se multiplica com extrema facilidade e cria ambientes in\u00f3spitos para qualquer outra esp\u00e9cie se desenvolver, comprometendo a regenera\u00e7\u00e3o natural e destruindo a diversidade vegetal local.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Outra vil\u00e3<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da leucena, Campo Grande tamb\u00e9m proibiu recentemente o plantio da murta, ou dama-da-noite. Muito usada em jardins por seu aroma forte, essa planta \u00e9 hospedeira do psil\u00eddeo transmissor do Greening, doen\u00e7a fatal para os citros. <\/p>\n\n\n\n<p>A partir de julho de 2025, sua produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e transporte est\u00e3o proibidos por lei.<\/p>\n\n\n\n<p>A murta entra, assim, na lista de esp\u00e9cies proibidas, por representar amea\u00e7a sanit\u00e1ria e ambiental. A proibi\u00e7\u00e3o segue orienta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas da Semadesc, Iagro e do Minist\u00e9rio da Agricultura.<\/p>\n\n\n\n<p>Com tantos desafios, a Prefeitura de Campo Grande tamb\u00e9m est\u00e1 atualizando seu Guia de Arboriza\u00e7\u00e3o Urbana. A nova vers\u00e3o trar\u00e1 diretrizes para o plantio seguro e sustent\u00e1vel de \u00e1rvores, alertando sobre esp\u00e9cies invasoras, t\u00f3xicas ou problem\u00e1ticas para o conv\u00edvio urbano. <\/p>\n\n\n\n<p>A ideia \u00e9 prevenir erros do passado e promover uma arboriza\u00e7\u00e3o que fortale\u00e7a o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que est\u00e1 por vir?<\/h2>\n\n\n\n<p>O caminho at\u00e9 o controle efetivo dessas esp\u00e9cies ser\u00e1 longo e repleto de obst\u00e1culos t\u00e9cnicos, legais e ambientais. A aus\u00eancia de tecnologia barata e escal\u00e1vel para eliminar a leucena em massa \u00e9 um dos principais entraves. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a exig\u00eancia de adapta\u00e7\u00f5es diferentes para cada tipo de \u00e1rea afetada, seja um parque p\u00fablico, uma cal\u00e7ada ou uma reserva ecol\u00f3gica, adiciona complexidade ao plano.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a mobiliza\u00e7\u00e3o de especialistas, poder p\u00fablico e popula\u00e7\u00e3o indica que, embora a vit\u00f3ria sobre as invasoras ainda esteja distante, a luta j\u00e1 come\u00e7ou. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante anos, a leucena foi celebrada como uma planta \u00fatil: crescia rapidamente em solos pobres, recuperava \u00e1reas degradadas e ainda servia de forragem para o gado. Origin\u00e1ria da Am\u00e9rica Central, a \u00e1rvore parecia a solu\u00e7\u00e3o ideal para desafios ambientais e produtivos. 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