{"id":24630,"date":"2025-07-21T20:00:00","date_gmt":"2025-07-21T23:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=24630"},"modified":"2025-07-18T17:02:21","modified_gmt":"2025-07-18T20:02:21","slug":"como-os-auxilios-sociais-ganharam-um-peso-que-ninguem-esperava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/como-os-auxilios-sociais-ganharam-um-peso-que-ninguem-esperava\/","title":{"rendered":"Como os aux\u00edlios sociais ganharam um peso que ningu\u00e9m esperava"},"content":{"rendered":"\n<p>O economista Fabio Giambiagi, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), publicou recentemente um <a href=\"https:\/\/blogdodesenvolvimento.bndes.gov.br\/blogdodesenvolvimento\/detalhe\/Tendencias-da-previdencia-social-no-Brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>estudo <\/strong><\/a>que acendeu um alerta sobre os rumos dos gastos com aux\u00edlios previdenci\u00e1rios no Brasil. <\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa revela que os aux\u00edlios sociais pagos pelo INSS, em especial os benef\u00edcios equivalentes a um sal\u00e1rio m\u00ednimo, cresceram de forma acelerada nos \u00faltimos anos, atingindo uma propor\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB) que n\u00e3o estava no horizonte das proje\u00e7\u00f5es feitas d\u00e9cadas atr\u00e1s. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o levantamento, o pa\u00eds n\u00e3o disp\u00f5e hoje de um planejamento de longo prazo que garanta a continuidade desses pagamentos sem comprometer o equil\u00edbrio fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, especialistas ponderam que a solu\u00e7\u00e3o sugerida pelo estudo \u2014 como a desvincula\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios do sal\u00e1rio m\u00ednimo \u2014 pode acabar agravando o problema que pretende resolver. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como os aux\u00edlios sociais ganharam um peso que ningu\u00e9m esperava<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com Giambiagi, as despesas com benef\u00edcios e aux\u00edlios de um sal\u00e1rio m\u00ednimo representavam apenas 1,15% do PIB em 1997. Em 2024, essa cifra saltou para 3,1%. Esse crescimento, segundo ele, tem ra\u00edzes principalmente na pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o real do sal\u00e1rio m\u00ednimo adotada a partir dos anos 2000. <\/p>\n\n\n\n<p>Governos anteriores, especialmente os de Lula 1 e 2 e Dilma Rousseff, implementaram reajustes que superaram a infla\u00e7\u00e3o, o que impactou diretamente os pagamentos feitos pelo INSS. <\/p>\n\n\n\n<p>Como o sal\u00e1rio m\u00ednimo serve como base para a maioria dos benef\u00edcios previdenci\u00e1rios, os aumentos sucessivos acabaram elevando os gastos totais da Previd\u00eancia, que hoje consome cerca de 8% do PIB.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo aponta que, al\u00e9m da valoriza\u00e7\u00e3o do piso, outros fatores explicam o crescimento das despesas: o fraco desempenho econ\u00f4mico do pa\u00eds nas \u00faltimas d\u00e9cadas e regras anteriores \u00e0 reforma da Previd\u00eancia de 2019, que permitiam aposentadorias mais precoces. <\/p>\n\n\n\n<p>Como alternativas, Giambiagi prop\u00f5e uma nova f\u00f3rmula para o reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo, baseada em indicadores como o PIB per capita, e a desvincula\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios previdenci\u00e1rios do piso nacional. Isso permitiria, segundo ele, controlar os gastos p\u00fablicos com mais efici\u00eancia e previsibilidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Desvincula\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios e aux\u00edlios do sal\u00e1rio m\u00ednimo pode ter efeito contr\u00e1rio na economia<\/h3>\n\n\n\n<p>Em sentido oposto, diversos economistas e especialistas em seguridade social alertam para os <a href=\"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/rui-costa-afirma-que-aposentadoria-nao-deve-ser-desvinculada-do-salario-minimo\/\"><strong>riscos dessas propostas<\/strong><\/a>. Eles destacam que os benef\u00edcios e aux\u00edlios pagos pelo INSS s\u00e3o, em muitos munic\u00edpios, a principal fonte de renda e movimenta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. <\/p>\n\n\n\n<p>Reduzir o valor real das aposentadorias e aux\u00edlios pode ter um impacto devastador em regi\u00f5es que dependem quase exclusivamente desses repasses. Al\u00e9m disso, argumentam que a dignidade de quem j\u00e1 contribuiu com o pa\u00eds por d\u00e9cadas deve ser preservada.<\/p>\n\n\n\n<p>A Previd\u00eancia enfrenta, de fato, uma crise de sustentabilidade que \u00e9 reconhecida n\u00e3o apenas no Brasil, mas em diversos pa\u00edses com popula\u00e7\u00e3o envelhecendo rapidamente. <\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, retirar o piso legal das aposentadorias, pens\u00f5es e do Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada (BPC) pode levar \u00e0 retra\u00e7\u00e3o do consumo, ao aumento da pobreza e a uma desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica generalizada.<\/p>\n\n\n\n<p>O debate, portanto, vai al\u00e9m de n\u00fameros e gr\u00e1ficos. Ele envolve escolhas sociais profundas: equilibrar as contas p\u00fablicas sem comprometer a subsist\u00eancia dos mais pobres. <\/p>\n\n\n\n<p>Para esses especialistas, qualquer mudan\u00e7a deve partir da premissa de que os benef\u00edcios previdenci\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o apenas despesas \u2014 s\u00e3o tamb\u00e9m investimentos na estabilidade econ\u00f4mica e social do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O economista Fabio Giambiagi, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), publicou recentemente um estudo que acendeu um alerta sobre os rumos dos gastos com aux\u00edlios previdenci\u00e1rios no Brasil. 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