{"id":24522,"date":"2025-07-19T22:45:00","date_gmt":"2025-07-20T01:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=24522"},"modified":"2025-07-17T18:17:53","modified_gmt":"2025-07-17T21:17:53","slug":"cni-afirma-que-eua-irao-sofrer-mais-com-a-taxacao-de-50","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/cni-afirma-que-eua-irao-sofrer-mais-com-a-taxacao-de-50\/","title":{"rendered":"CNI afirma que EUA ir\u00e3o sofrer mais com a taxa\u00e7\u00e3o de 50%"},"content":{"rendered":"\n<p>A recente decis\u00e3o do governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, de implementar uma taxa\u00e7\u00e3o de 50% sobre produtos importados, acendeu um alerta global sobre seus impactos econ\u00f4micos. <\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) divulgou um levantamento que dimensiona as poss\u00edveis perdas para o pa\u00eds, mas surpreendentemente aponta que os pr\u00f3prios EUA devem enfrentar os efeitos mais severos. <\/p>\n\n\n\n<p>A medida, que visa proteger a ind\u00fastria americana, pode provocar uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia com consequ\u00eancias negativas para o com\u00e9rcio internacional, prejudicando tamb\u00e9m aliados estrat\u00e9gicos como o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Previs\u00f5es apontam queda no PIB, no com\u00e9rcio global e na gera\u00e7\u00e3o de empregos<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo dados levantados em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o chamado \u201ctarifa\u00e7o\u201d pode provocar uma retra\u00e7\u00e3o de R$ 19,2 bilh\u00f5es no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e causar a elimina\u00e7\u00e3o de aproximadamente 110 mil empregos, com maior concentra\u00e7\u00e3o nos setores industrial e agropecu\u00e1rio. <\/p>\n\n\n\n<p>As exporta\u00e7\u00f5es brasileiras tamb\u00e9m devem sofrer uma queda expressiva de R$ 52 bilh\u00f5es. No entanto, o estudo estima que o PIB dos EUA pode encolher 0,37%, mais que o dobro da retra\u00e7\u00e3o projetada para o Brasil, de 0,16%. <\/p>\n\n\n\n<p>Globalmente, a expectativa \u00e9 de que o PIB mundial recue 0,12%, enquanto o com\u00e9rcio internacional sofreria uma redu\u00e7\u00e3o de 2,1%, o equivalente a US$ 483 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ind\u00fastria brasileira \u00e9 a mais afetada pela medida americana<\/h2>\n\n\n\n<p>Os setores mais atingidos pela taxa\u00e7\u00e3o s\u00e3o aqueles com maior grau de depend\u00eancia das exporta\u00e7\u00f5es para os Estados Unidos. O setor de equipamentos de transporte, que inclui aeronaves, embarca\u00e7\u00f5es e componentes automotivos, \u00e9 um dos mais vulner\u00e1veis, com 22,1% de seu faturamento atrelado ao mercado americano. <\/p>\n\n\n\n<p>Outros setores, como o de madeira (17%), metalurgia (10,1%) e m\u00e1quinas e equipamentos (4,8%), tamb\u00e9m aparecem na lista dos mais expostos. O impacto vai al\u00e9m dos n\u00fameros brutos, no caso dos tratores e m\u00e1quinas agr\u00edcolas, por exemplo, espera-se uma queda de 23,6% nas exporta\u00e7\u00f5es, com redu\u00e7\u00e3o de 1,86% na produ\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>As exporta\u00e7\u00f5es de aeronaves podem cair 22,3%, com queda de 9,2% na produ\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o setor de carnes e aves deve sofrer recuo de 11,3% nas vendas externas e retra\u00e7\u00e3o de 4,2% na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perdas regionais se concentram nos estados industrializados<\/h2>\n\n\n\n<p>O impacto da medida tarif\u00e1ria n\u00e3o ser\u00e1 homog\u00eaneo entre os estados brasileiros. As regi\u00f5es mais industrializadas, que mant\u00eam maior volume de exporta\u00e7\u00f5es para os EUA, est\u00e3o na linha de frente das perdas. S\u00e3o Paulo lidera a lista, com previs\u00e3o de preju\u00edzo de R$ 4,4 bilh\u00f5es no PIB estadual. <\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida aparecem o Rio Grande do Sul (R$ 1,9 bilh\u00e3o), Paran\u00e1 (R$ 1,9 bilh\u00e3o), Santa Catarina (R$ 1,74 bilh\u00e3o) e Minas Gerais (R$ 1,66 bilh\u00e3o). Esses estados concentram parte das ind\u00fastrias afetadas pela medida, como fabricantes de m\u00e1quinas, metalurgia pesada, aeron\u00e1utica e produtores agroindustriais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cadeias produtivas integradas refor\u00e7am import\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o bilateral<\/h2>\n\n\n\n<p>A CNI destaca que as economias de Brasil e Estados Unidos s\u00e3o complementares, especialmente no setor industrial. Em 2024, 78,2% das exporta\u00e7\u00f5es da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o brasileira tiveram como destino o mercado americano. <\/p>\n\n\n\n<p>Produtos como avi\u00f5es, petr\u00f3leo, a\u00e7o, papel, qu\u00edmicos e caf\u00e9 figuram entre os principais itens enviados ao pa\u00eds norte-americano. <\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos dez anos, os EUA acumularam um super\u00e1vit de US$ 43 bilh\u00f5es na balan\u00e7a comercial de bens com o Brasil, al\u00e9m de outros US$ 165 bilh\u00f5es no setor de servi\u00e7os. Esses n\u00fameros demonstram a interdepend\u00eancia econ\u00f4mica e a necessidade de manter uma rela\u00e7\u00e3o comercial est\u00e1vel e equilibrada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Medida protecionista amea\u00e7a rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas hist\u00f3ricas<\/h2>\n\n\n\n<p>A ado\u00e7\u00e3o de medidas unilaterais de taxa\u00e7\u00e3o tende a enfraquecer as bases da coopera\u00e7\u00e3o internacional. No caso de Brasil e Estados Unidos, o risco \u00e9 de retroceder d\u00e9cadas de parceria constru\u00edda sobre a complementaridade econ\u00f4mica. <\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica de eleva\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria adotada pelos EUA pode at\u00e9 oferecer ganhos pol\u00edticos internos de curto prazo, mas, segundo especialistas, n\u00e3o compensa os efeitos colaterais no longo prazo, nem os custos de produ\u00e7\u00e3o e consumo que os pr\u00f3prios americanos enfrentar\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que \u00e9 urgente retomar o di\u00e1logo e sensibilizar o governo americano sobre a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica da rela\u00e7\u00e3o comercial com o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O futuro das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas entre Brasil e EUA depende, mais do que nunca, da capacidade pol\u00edtica de encontrar caminhos que beneficiem ambos os lados, e evitem uma guerra comercial que ningu\u00e9m realmente pode vencer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A recente decis\u00e3o do governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, de implementar uma taxa\u00e7\u00e3o de 50% sobre produtos importados, acendeu um alerta global sobre seus impactos econ\u00f4micos. 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