{"id":24385,"date":"2025-07-16T20:30:46","date_gmt":"2025-07-16T23:30:46","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=24385"},"modified":"2025-07-16T20:30:50","modified_gmt":"2025-07-16T23:30:50","slug":"estudo-revela-origem-surpreendente-dos-peixes-fluorescentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/estudo-revela-origem-surpreendente-dos-peixes-fluorescentes\/","title":{"rendered":"Estudo revela origem surpreendente dos peixes fluorescentes"},"content":{"rendered":"\n<p>A fluoresc\u00eancia nos peixes n\u00e3o \u00e9 uma novidade do presente, ela remonta a cerca de 112 milh\u00f5es de anos, segundo um estudo recente conduzido por pesquisadores do Museu Americano de Hist\u00f3ria Natural, em Nova York. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa caracter\u00edstica intrigante, presente em centenas de esp\u00e9cies, \u00e9 mais antiga do que se imaginava, e sua origem surpreendente foi revelada em dois artigos cient\u00edficos publicados nas revistas Nature Communications e Plos One. <\/p>\n\n\n\n<p>O foco est\u00e1 nos tele\u00f3steos, o grupo mais diverso de peixes do planeta, que re\u00fane aproximadamente 35 mil esp\u00e9cies.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 fluoresc\u00eancia e por que ela importa?<\/h2>\n\n\n\n<p>Diferente da bioluminesc\u00eancia (que produz luz a partir de rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas), a fluoresc\u00eancia \u00e9 o fen\u00f4meno no qual um organismo absorve luz e a reemite com um comprimento de onda maior e menos energ\u00e9tico. Ou seja, o peixe \u201crecolhe\u201d a luz do ambiente e a transforma em cores vis\u00edveis, geralmente verde ou vermelha.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas observaram esse fen\u00f4meno em ao menos 460 esp\u00e9cies, habitando desde profundezas abissais at\u00e9 \u00e1reas costeiras, como os recifes de corais. A fluoresc\u00eancia pode desempenhar pap\u00e9is importantes, como:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Camuflagem<\/li>\n\n\n\n<li>Comunica\u00e7\u00e3o intraesp\u00e9cie<\/li>\n\n\n\n<li>Identifica\u00e7\u00e3o entre esp\u00e9cies<\/li>\n\n\n\n<li>Atra\u00e7\u00e3o de parceiros sexuais<\/li>\n\n\n\n<li>Captura de presas<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Ainda que os pesquisadores reconhe\u00e7am que o papel biol\u00f3gico da fluoresc\u00eancia ainda n\u00e3o esteja completamente claro, sua recorr\u00eancia ao longo da hist\u00f3ria evolutiva sugere que ela exerce uma fun\u00e7\u00e3o adaptativa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A evolu\u00e7\u00e3o da fluoresc\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo o estudo da Nature, a fluoresc\u00eancia nos tele\u00f3steos evoluiu mais de 100 vezes desde sua origem, o que refor\u00e7a a ideia de que se trata de uma caracter\u00edstica vantajosa. Ela aparece distribu\u00edda em 87 fam\u00edlias e 34 ordens diferentes de peixes, sugerindo m\u00faltiplos pontos de origem evolutiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Curiosamente, os peixes de recifes de corais lideram em variedade de fluoresc\u00eancia. Entre 479 esp\u00e9cies associadas aos corais, 196 apresentam fluoresc\u00eancia, possivelmente por viverem em ambientes onde a luz solar penetra com maior intensidade, favorecendo a emiss\u00e3o de luz fluorescente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um brilho estrat\u00e9gico entre os corais<\/h2>\n\n\n\n<p>O professor Andr\u00e9 Luiz Netto-Ferreira, do Instituto de Bioci\u00eancias da UFRGS, sugere que nos recifes de corais, onde a paisagem \u00e9 extremamente colorida e saturada, a fluoresc\u00eancia pode ter evolu\u00eddo como um c\u00f3digo visual. <\/p>\n\n\n\n<p>Assim, os peixes conseguiriam se destacar entre os outros e encontrar parceiros de reprodu\u00e7\u00e3o com maior efici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, os dois estudos funcionam como um marco de refer\u00eancia para futuras pesquisas. Servem como base para cientistas que queiram aprofundar as investiga\u00e7\u00f5es sobre o papel ecol\u00f3gico e evolutivo dessa curiosa propriedade \u00f3ptica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Verdes e vermelhos<\/h2>\n\n\n\n<p>As duas cores mais frequentes entre os peixes fluorescentes marinhos s\u00e3o verde e vermelho. A luz verde foi a primeira a surgir, aparecendo entre ancestrais das enguias. <\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a luz vermelha, que surgiu mais tarde entre os Syngnathiformes (grupo que inclui os cavalos-marinhos), acabou se espalhando com maior intensidade ao longo da \u00e1rvore evolutiva.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fluoresc\u00eancia por dentro e por fora<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da diversidade de cores, a fluoresc\u00eancia nos peixes tamb\u00e9m \u00e9 variada quanto \u00e0s regi\u00f5es do corpo onde ela ocorre. Nadadeiras, bigodes, olhos e escamas podem emitir luz. Essa variabilidade permite a cria\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es \u00fanicos de emiss\u00e3o entre os indiv\u00edduos de uma mesma esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os pesquisadores, essa diversidade n\u00e3o \u00e9 aleat\u00f3ria, pode ser parte de um sistema de sinaliza\u00e7\u00e3o altamente elaborado, permitindo comunica\u00e7\u00e3o visual em ambientes onde a luz solar j\u00e1 come\u00e7a a se dissipar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Limita\u00e7\u00f5es e pr\u00f3ximos passos<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora os artigos tenham ampliado consideravelmente o conhecimento sobre a fluoresc\u00eancia em tele\u00f3steos, \u00e9 importante destacar que grupos como os tubar\u00f5es ficaram de fora da an\u00e1lise. <\/p>\n\n\n\n<p>Algumas esp\u00e9cies de tubar\u00f5es tamb\u00e9m apresentam fluoresc\u00eancia, e seu estudo poder\u00e1 revelar novos padr\u00f5es e fun\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p>As descobertas recentes marcam o in\u00edcio de uma nova fase para a pesquisa em biofluoresc\u00eancia marinha. Com uma base de dados, cientistas agora t\u00eam em m\u00e3os as ferramentas necess\u00e1rias para explorar mais a fundo as fun\u00e7\u00f5es evolutivas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fluoresc\u00eancia nos peixes n\u00e3o \u00e9 uma novidade do presente, ela remonta a cerca de 112 milh\u00f5es de anos, segundo um estudo recente conduzido por pesquisadores do Museu Americano de Hist\u00f3ria Natural, em Nova York. 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