{"id":23756,"date":"2025-07-11T11:40:27","date_gmt":"2025-07-11T14:40:27","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=23756"},"modified":"2025-07-11T11:40:31","modified_gmt":"2025-07-11T14:40:31","slug":"a-ilha-brasileira-onde-ninguem-pode-nascer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/a-ilha-brasileira-onde-ninguem-pode-nascer\/","title":{"rendered":"A ilha brasileira onde ningu\u00e9m pode nascer"},"content":{"rendered":"\n<p>Fernando de Noronha \u00e9 conhecida mundialmente por suas belezas naturais, \u00e1guas cristalinas, praias paradis\u00edacas e vida marinha exuberante. Por\u00e9m, por tr\u00e1s desse cen\u00e1rio, existe uma regra pouco conhecida, nenhuma crian\u00e7a pode nascer na ilha. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa peculiaridade n\u00e3o est\u00e1 embasada em uma lei expl\u00edcita que pro\u00edba o nascimento ou a morte no arquip\u00e9lago, mas sim na falta de infraestrutura m\u00e9dica necess\u00e1ria para garantir seguran\u00e7a \u00e0s gestantes e seus beb\u00eas. Por isso, as mulheres gr\u00e1vidas s\u00e3o obrigadas a deixar a ilha para terem seus filhos no continente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aus\u00eancia da maternidade em Fernando de Noronha<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 maternidade ou hospital com centro cir\u00fargico equipado para partos na ilha. A estrutura local \u00e9 limitada e n\u00e3o conta com profissionais essenciais, como anestesista de plant\u00e3o e banco de sangue, indispens\u00e1veis para o atendimento de emerg\u00eancias obst\u00e9tricas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essa raz\u00e3o, a Secretaria de Sa\u00fade de Pernambuco adota a pol\u00edtica de remo\u00e7\u00e3o das gestantes para o continente, geralmente para a cidade do Recife, onde h\u00e1 melhor suporte m\u00e9dico e hospitalar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impacto na vida das gestantes e das fam\u00edlias locais<\/h2>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de Ana Carolina da Silva, conhecida como Babalu da Tapioca, ilustra bem esse dilema. Quando sua gravidez chegou ao quinto m\u00eas, ela j\u00e1 come\u00e7ou a sofrer press\u00f5es para deixar a ilha, enfrentando uma mistura de sentimentos, revolta, medo e resigna\u00e7\u00e3o. Babalu teve que deixar seu lar e a comunidade para garantir a seguran\u00e7a da filha que carregava.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio \u00e9 repetido para muitas mulheres da ilha, que vivem uma esp\u00e9cie de \u201cex\u00edlio for\u00e7ado\u201d no momento mais delicado de suas vidas, longe de casa, fam\u00edlia e do ambiente que conhecem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pol\u00edtica oficial e a justificativa do Governo<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo a Secretaria de Sa\u00fade de Pernambuco, a decis\u00e3o de n\u00e3o manter uma maternidade em Noronha \u00e9 uma medida de seguran\u00e7a, pois o local n\u00e3o oferece condi\u00e7\u00f5es para garantir atendimento qualificado em casos de complica\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>O governo ainda arca com os custos de transporte, alimenta\u00e7\u00e3o e hospedagem das gestantes removidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a pol\u00edtica tenha base t\u00e9cnica, ela tamb\u00e9m gera cr\u00edticas e questionamentos sobre a falta de investimentos em sa\u00fade local e o impacto social dessa decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Document\u00e1rio \u201cProibido Nascer no Para\u00edso\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>Entre 2017 e 2019, a cineasta Joana Nin coletou depoimentos para seu document\u00e1rio \u201cProibido nascer no para\u00edso\u201d, lan\u00e7ado em 2021 no Globoplay. O filme aborda as contradi\u00e7\u00f5es de uma ilha paradis\u00edaca onde o parto \u00e9 proibido.<\/p>\n\n\n\n<p>Joana destaca a coincid\u00eancia entre a intensifica\u00e7\u00e3o do controle migrat\u00f3rio em 2004 e a publica\u00e7\u00e3o do decreto que proibiu o nascimento na ilha, al\u00e9m da desativa\u00e7\u00e3o da maternidade local, o que levantou suspeitas sobre a real motiva\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s da medida.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a diretora, n\u00e3o se trata de simplesmente exigir uma maternidade, mas sim questionar a aus\u00eancia de servi\u00e7os b\u00e1sicos, como centro cir\u00fargico e banco de sangue, essenciais para uma ilha oce\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fernando de Noronha<\/h2>\n\n\n\n<p>Com cerca de 3.167 habitantes, Fernando de Noronha vive um paradoxo: um para\u00edso ambiental que, no entanto, limita um dos momentos mais humanos e naturais da vida, o nascimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a natureza preserva a ilha, as pol\u00edticas e a falta de infraestrutura mant\u00eam uma barreira invis\u00edvel, impedindo que o ciclo da vida aconte\u00e7a ali completamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando de Noronha \u00e9 conhecida mundialmente por suas belezas naturais, \u00e1guas cristalinas, praias paradis\u00edacas e vida marinha exuberante. 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