{"id":23452,"date":"2025-07-10T08:00:00","date_gmt":"2025-07-10T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=23452"},"modified":"2025-07-09T17:47:20","modified_gmt":"2025-07-09T20:47:20","slug":"fim-da-escala-6x1-avanca-mas-nao-pode-sobrecarregar-o-trabalhador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/fim-da-escala-6x1-avanca-mas-nao-pode-sobrecarregar-o-trabalhador\/","title":{"rendered":"Fim da escala 6\u00d71 avan\u00e7a, mas n\u00e3o pode sobrecarregar o trabalhador"},"content":{"rendered":"\n<p>A discuss\u00e3o sobre o fim da escala 6&#215;1 e a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho entrou com for\u00e7a na agenda nacional, especialmente com o evento promovido pela Fundacentro em S\u00e3o Paulo. <\/p>\n\n\n\n<p>Reunindo especialistas, parlamentares e sindicalistas, o encontro trouxe \u00e0 tona a urg\u00eancia de rever modelos de trabalho que h\u00e1 d\u00e9cadas marcam negativamente a sa\u00fade e a qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impactos da escala 6&#215;1 na sa\u00fade dos trabalhadores<\/h2>\n\n\n\n<p>Trabalhar seis dias por semana com apenas um de descanso n\u00e3o \u00e9 apenas cansativo, \u00e9, para muitos, insustent\u00e1vel. A afirma\u00e7\u00e3o de Pedro Tourinho, presidente da Fundacentro, evidencia o problema, a extens\u00e3o da jornada \u00e9 fator direto de risco para acidentes e doen\u00e7as ocupacionais. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, \u00e9 preciso romper com um modelo que coloca os trabalhadores em condi\u00e7\u00f5es de inseguran\u00e7a e exaust\u00e3o, muitas vezes naturalizadas por d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um olhar sindical e social sobre o desgaste invis\u00edvel<\/h2>\n\n\n\n<p>Representantes das principais centrais sindicais brasileiras foram categ\u00f3ricos: a escala 6&#215;1 \u00e9 um sistema que esgota o trabalhador f\u00edsica e mentalmente. <\/p>\n\n\n\n<p>Josiv\u00e2nia Souza, da CUT, destaca que as mulheres s\u00e3o especialmente afetadas por esse regime, pois al\u00e9m da rotina de trabalho, carregam a responsabilidade do cuidado familiar. <\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e1rcio Ayer, da CTB, e Canind\u00e9 Pegado, da UGT, lembram que, apesar da moderniza\u00e7\u00e3o dos setores produtivos, a jornada segue estagnada desde 1988, quando passou de 48h para 44h semanais. A necessidade de atualiza\u00e7\u00e3o \u00e9 evidente, inclusive com base em experi\u00eancias internacionais bem-sucedidas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O papel das conven\u00e7\u00f5es coletivas e da legisla\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Carlos Juruna (For\u00e7a Sindical) e Ribamar Passos (Intersindical) apontam para o esvaziamento das conven\u00e7\u00f5es coletivas e a precariza\u00e7\u00e3o resultante da reforma trabalhista. <\/p>\n\n\n\n<p>Para eles, \u00e9 essencial que o debate sobre jornada retorne \u00e0s mesas de negocia\u00e7\u00e3o e ganhe espa\u00e7o no Parlamento. N\u00e3o se trata apenas de mudar a lei, mas de fortalecer os mecanismos de di\u00e1logo entre trabalhadores e empregadores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O caso do Vida Al\u00e9m do Trabalho<\/h2>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o contra a escala 6&#215;1 ganhou um novo f\u00f4lego com o surgimento do movimento Vida Al\u00e9m do Trabalho (VAT). A partir de um relato nas redes sociais, viralizou a indigna\u00e7\u00e3o de quem se v\u00ea sem tempo para viver. <\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora Leda Leal considera o movimento um marco: trabalhadores que antes se sentiam sozinhos passaram a se reconhecer em um coletivo, ganhando for\u00e7a e visibilidade. <\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o gerou uma peti\u00e7\u00e3o e resultou na apresenta\u00e7\u00e3o de propostas legislativas que buscam reduzir a jornada para 36 horas semanais, distribu\u00eddas em quatro dias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Propostas legislativas que reacendem a esperan\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p>Duas Propostas de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PECs) est\u00e3o em discuss\u00e3o no Congresso Nacional: a PEC 8\/2025, de \u00c9rica Hilton, e a PEC 221\/2019, de Reginaldo Lopes. Ambas convergem para uma jornada semanal de 36 horas, com limita\u00e7\u00f5es de 8 horas por dia. <\/p>\n\n\n\n<p>A medida, se aprovada, poder\u00e1 revolucionar a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho no Brasil. No entanto, especialistas alertam que a redu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser acompanhada de sobrecarga ou metas inalcan\u00e7\u00e1veis. A l\u00f3gica do descanso deve vir junto com uma nova \u00e9tica laboral.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O alerta dos estudos<\/h2>\n\n\n\n<p>O professor Ildeberto Muniz de Almeida, da Unesp, apresentou pesquisas que associam diretamente a extens\u00e3o das jornadas com doen\u00e7as f\u00edsicas e mentais. <\/p>\n\n\n\n<p>Estudos internacionais e brasileiros demonstram que o excesso de horas afeta n\u00e3o s\u00f3 a sa\u00fade, mas tamb\u00e9m a seguran\u00e7a, o conv\u00edvio social e a longevidade no mercado de trabalho. A OIT j\u00e1 alertou para o crescimento global das mortes ligadas a condi\u00e7\u00f5es laborais abusivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a participa\u00e7\u00e3o ativa de pesquisadores, trabalhadores e parlamentares, ficou evidente que o pa\u00eds precisa de um novo desenho de jornada de trabalho, um que respeite o direito ao descanso, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 vida fora da labuta. A escala 6&#215;1, enquanto modelo dominante, representa o passado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A discuss\u00e3o sobre o fim da escala 6&#215;1 e a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho entrou com for\u00e7a na agenda nacional, especialmente com o evento promovido pela Fundacentro em S\u00e3o Paulo. 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