{"id":23205,"date":"2025-07-08T13:00:00","date_gmt":"2025-07-08T16:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=23205"},"modified":"2025-07-07T19:26:18","modified_gmt":"2025-07-07T22:26:18","slug":"brasil-reivindica-territorio-submerso-no-atlantico-com-riquezas-minerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/brasil-reivindica-territorio-submerso-no-atlantico-com-riquezas-minerais\/","title":{"rendered":"Brasil reivindica territ\u00f3rio submerso no Atl\u00e2ntico com riquezas minerais"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde 2018, o Brasil oficializa sua reivindica\u00e7\u00e3o junto \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para ampliar sua plataforma continental no Oceano Atl\u00e2ntico, incluindo uma \u00e1rea conhecida como Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa forma\u00e7\u00e3o submersa, situada a cerca de 1.200 km da costa do Rio Grande do Sul e a 5 mil metros de profundidade, tem uma \u00e1rea equivalente \u00e0 Espanha, cerca de 500 mil km\u00b2, e pode ter sido, no passado remoto, parte do territ\u00f3rio continental brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A base jur\u00eddica da reivindica\u00e7\u00e3o est\u00e1 na Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), que permite aos pa\u00edses ampliarem suas \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica se comprovarem continuidade geol\u00f3gica entre seu territ\u00f3rio continental e as regi\u00f5es submersas. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa possibilidade abre um caminho estrat\u00e9gico para o Brasil garantir direitos exclusivos sobre recursos minerais e biol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas e ambientais da Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande<\/h2>\n\n\n\n<p>Pesquisas cient\u00edficas conduzidas por institui\u00e7\u00f5es como a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) revelam que a Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande apresenta caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas surpreendentes:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Solo e composi\u00e7\u00e3o<\/strong>: Camadas de basalto (rocha vulc\u00e2nica) e argila vermelha indicam que a \u00e1rea j\u00e1 foi uma ilha vulc\u00e2nica tropical, com solo muito semelhante ao encontrado no interior de S\u00e3o Paulo.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Altitudes impressionantes<\/strong>: Alguns picos da eleva\u00e7\u00e3o ultrapassam 4.000 metros de altura, mais altos que o Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil continental.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica<\/strong>: A regi\u00e3o possu\u00eda clima tropical e provavelmente era coberta por florestas e recifes, mas sofreu eros\u00f5es e sucessivas erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas at\u00e9 afundar.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Biodiversidade<\/strong>: Estudos buscam entender a fauna e flora presentes, ainda pouco conhecidas devido \u00e0 profundidade e ao acesso dif\u00edcil.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Imagens captadas por ve\u00edculos submarinos n\u00e3o tripulados trouxeram detalhes in\u00e9ditos, como c\u00e2nions profundos e forma\u00e7\u00f5es rochosas, que ajudam a entender a geografia e a hist\u00f3ria natural da \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Riquezas minerais <\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos aspectos mais importantes dessa reivindica\u00e7\u00e3o est\u00e1 na enorme concentra\u00e7\u00e3o de minerais estrat\u00e9gicos encontrados no local:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Terras raras<\/strong>: O Brasil j\u00e1 \u00e9 detentor da segunda maior reserva mundial de minerais chamados &#8220;terras raras&#8221;, essenciais para a ind\u00fastria tecnol\u00f3gica e energ\u00e9tica, especialmente na transi\u00e7\u00e3o para fontes renov\u00e1veis e carros el\u00e9tricos. A Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande apresenta uma concentra\u00e7\u00e3o an\u00f4mala dessas subst\u00e2ncias, consideradas \u201cminerais do futuro\u201d.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Minera\u00e7\u00e3o submarina<\/strong>: Apesar do potencial mineral, o Brasil ainda n\u00e3o domina plenamente a tecnologia para beneficiamento e transforma\u00e7\u00e3o industrial dessas riquezas, exportando principalmente mat\u00e9rias-primas brutas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Import\u00e2ncia geopol\u00edtica<\/strong>: O controle desses recursos pode colocar o Brasil em posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica mundial, principalmente frente \u00e0 demanda crescente por minerais cr\u00edticos e \u00e0 competi\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica envolvendo pa\u00edses como a China.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Pesquisadores ressaltam que o foco atual \u00e9 compreender melhor a \u00e1rea, seus minerais e seu ecossistema, sem pressa para explorar comercialmente a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00c1reas reivindicadas <\/h2>\n\n\n\n<p>O Brasil n\u00e3o reivindica apenas a Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande, mas outras duas grandes \u00e1reas fora da Zona Econ\u00f4mica Exclusiva (ZEE), totalizando cerca de 1,5 milh\u00e3o de km\u00b2:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Margem Oriental-Meridional (onde est\u00e1 a Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande)<\/li>\n\n\n\n<li>Regi\u00e3o Sul<\/li>\n\n\n\n<li>Margem Equatorial<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A ZEE brasileira corresponde a uma faixa mar\u00edtima de at\u00e9 200 milhas n\u00e1uticas da costa, onde o Brasil tem direitos exclusivos. Al\u00e9m dela, o territ\u00f3rio \u00e9 considerado patrim\u00f4nio da humanidade, sujeito a regras internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O pedido brasileiro est\u00e1 sendo analisado pela Comiss\u00e3o de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da ONU desde fevereiro de 2025. Em mar\u00e7o, a comiss\u00e3o validou a metodologia usada pelo Brasil, mas a decis\u00e3o final ainda n\u00e3o tem prazo para ser anunciada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Implica\u00e7\u00f5es ambientais e cient\u00edficas<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do aspecto econ\u00f4mico e geopol\u00edtico, a Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande representa um importante objeto de estudo para v\u00e1rias \u00e1reas do conhecimento:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Ecologia submarina<\/strong>: Entender a vida marinha adaptada \u00e0s profundidades extremas e as poss\u00edveis esp\u00e9cies end\u00eamicas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Impactos ambientais<\/strong>: Avaliar riscos da minera\u00e7\u00e3o submarina e criar pol\u00edticas para preservar o ecossistema local.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Legisla\u00e7\u00e3o internacional<\/strong>: Navegar pelas complexas normas ambientais e mar\u00edtimas que regulam a explora\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel dessas regi\u00f5es.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Pesquisadores de universidades como USP, Mackenzie, UFRJ, Ufes e UNB trabalham em conjunto para mapear os m\u00faltiplos aspectos da eleva\u00e7\u00e3o, buscando um equil\u00edbrio entre explora\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado desse processo pode redefinir a presen\u00e7a do Brasil no Atl\u00e2ntico Sul, ampliando seu territ\u00f3rio e seu protagonismo no cen\u00e1rio global.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 2018, o Brasil oficializa sua reivindica\u00e7\u00e3o junto \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para ampliar sua plataforma continental no Oceano Atl\u00e2ntico, incluindo uma \u00e1rea conhecida como Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande. 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