{"id":22537,"date":"2025-07-05T14:45:00","date_gmt":"2025-07-05T17:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=22537"},"modified":"2025-07-01T19:34:26","modified_gmt":"2025-07-01T22:34:26","slug":"sem-bacias-do-pre%e2%80%91sal-brasil-voltaria-a-ser-importador-de-petroleo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/sem-bacias-do-pre%e2%80%91sal-brasil-voltaria-a-ser-importador-de-petroleo\/","title":{"rendered":"Sem bacias do pr\u00e9\u2011sal, Brasil voltaria a ser importador de petr\u00f3leo"},"content":{"rendered":"\n<p>Nesta semana, a Shell divulgou proje\u00e7\u00f5es que reacenderam o debate sobre o futuro da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no Brasil. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a gigante brit\u00e2nica do setor energ\u00e9tico, o pa\u00eds corre o risco de voltar a importar petr\u00f3leo j\u00e1 na pr\u00f3xima d\u00e9cada caso n\u00e3o abra novas frentes de explora\u00e7\u00e3o, especialmente na bacia da Foz do Rio Amazonas. <\/p>\n\n\n\n<p>O alerta se baseia no entendimento de que as reservas do pr\u00e9-sal, hoje o principal pilar da produ\u00e7\u00e3o nacional, est\u00e3o se aproximando do esgotamento. <\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, an\u00e1lises como a do portal InfoAmazonia sugerem que esse retorno \u00e0 depend\u00eancia externa poderia ser adiado em v\u00e1rios anos, desde que o Brasil siga seus compromissos com a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a explora\u00e7\u00e3o na Foz do Amazonas, regi\u00e3o sens\u00edvel do ponto de vista ambiental, \u00e9 vista com grande cautela por especialistas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sem bacias do pr\u00e9\u2011sal, Brasil voltaria a ser importador de petr\u00f3leo<\/h2>\n\n\n\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o da Shell foi apresentada pelo presidente da companhia no Brasil, Cristiano Pinto da Costa. Ele apontou que o ritmo de explora\u00e7\u00e3o no pa\u00eds vem diminuindo drasticamente \u2014 o n\u00famero de novos po\u00e7os perfurados caiu de mais de 150 por ano, nos anos 2000, para apenas seis em 2024. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa desacelera\u00e7\u00e3o, combinada \u00e0 maturidade das bacias de Santos e Campos, poderia levar o pa\u00eds a se tornar novamente um importador l\u00edquido de petr\u00f3leo por volta de 2035. <\/p>\n\n\n\n<p>Para evitar esse cen\u00e1rio, a Shell defende a abertura de novas \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o e a realiza\u00e7\u00e3o regular de leil\u00f5es promovidos pela Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP), incluindo a controversa Foz do Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Pinto da Costa, a demanda global por petr\u00f3leo n\u00e3o deve diminuir nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, mesmo com os avan\u00e7os rumo a fontes de energia mais limpas. <\/p>\n\n\n\n<p>Ele lista tr\u00eas principais motores para essa continuidade no consumo: <\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>o crescimento populacional, com dois bilh\u00f5es de pessoas a mais at\u00e9 2050; <\/li>\n\n\n\n<li>o aumento da demanda energ\u00e9tica nos pa\u00edses do Sul Global, onde o consumo per capita ainda \u00e9 muito inferior ao dos pa\u00edses desenvolvidos; <\/li>\n\n\n\n<li>e o impacto crescente de tecnologias como a intelig\u00eancia artificial, que exigem grande capacidade energ\u00e9tica. <\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>O executivo afirma que, diante dessas proje\u00e7\u00f5es, grandes empresas de tecnologia j\u00e1 n\u00e3o priorizam apenas fontes renov\u00e1veis \u2014 elas buscam fornecimento est\u00e1vel, independentemente da matriz energ\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Foz do Amazonas s\u00f3 \u00e9 necess\u00e1rio se pa\u00eds n\u00e3o cumprir metas clim\u00e1ticas<\/h3>\n\n\n\n<p>Em contraste com essa vis\u00e3o, uma <a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2025\/03\/25\/se-cumprir-meta-climatica-brasil-nao-precisara-importar-petroleo-nem-explorar-foz-do-amazonas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>an\u00e1lise feita pela ONG InfoAmazonia<\/strong><\/a>, que atua como portal especializado em not\u00edcias sobre o tema, tra\u00e7a um panorama mais cauteloso e baseado no cumprimento das metas clim\u00e1ticas acordadas pelo Brasil. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o levantamento, que se baseia em dados da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP) e da Ag\u00eancia Internacional de Energia (IEA), mesmo sem a explora\u00e7\u00e3o de novas \u00e1reas como a Foz do Amazonas, o pa\u00eds teria reservas suficientes at\u00e9 pelo menos 2042, desde que avance em sua pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio considera tanto as reservas provadas quanto as prov\u00e1veis e poss\u00edveis, totalizando cerca de 18 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo ainda dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento destaca que a estimativa da Petrobras, que tamb\u00e9m projeta a necessidade de importar petr\u00f3leo a partir de 2035, ignora o potencial represado em \u00e1reas j\u00e1 conhecidas, como o pr\u00e9-sal, al\u00e9m de desconsiderar os compromissos assumidos no Acordo de Paris e no plano Net Zero. <\/p>\n\n\n\n<p>A abertura da Foz do Amazonas s\u00f3 seria necess\u00e1ria, segundo especialistas ouvidos pela InfoAmazonia, se o pa\u00eds optar por n\u00e3o cumprir suas metas clim\u00e1ticas. <\/p>\n\n\n\n<p>E mesmo que o licenciamento ambiental da \u00e1rea fosse aprovado imediatamente, o in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o s\u00f3 ocorreria ap\u00f3s pelo menos uma d\u00e9cada \u2014 ou seja, por volta de 2034.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Caminho para evitar depend\u00eancia futura do petr\u00f3leo \u00e9 aprofundar transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica no Brasil<\/h3>\n\n\n\n<p>O estudo tamb\u00e9m alerta para os riscos financeiros envolvidos na aposta por novos projetos de petr\u00f3leo em tempos de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica global. <\/p>\n\n\n\n<p>Um relat\u00f3rio internacional sobre riscos clim\u00e1ticos estima que at\u00e9 US$ 2,3 trilh\u00f5es em ativos f\u00f3sseis podem se tornar invi\u00e1veis at\u00e9 2040, sendo o Brasil um dos pa\u00edses mais expostos a esse tipo de perda.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, especialistas sugerem que o caminho mais seguro para o pa\u00eds passa por aprofundar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, diversificar a matriz e investir na reclassifica\u00e7\u00e3o de reservas j\u00e1 existentes. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa rota, al\u00e9m de reduzir a press\u00e3o sobre<a href=\"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/marina-silva-deixa-audiencia-apos-embate-com-senadores\/\"><strong> \u00e1reas ecologicamente fr\u00e1geis <\/strong><\/a>como a Foz do Amazonas, alinha o Brasil com tend\u00eancias globais e protege sua economia contra os efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e da obsolesc\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta semana, a Shell divulgou proje\u00e7\u00f5es que reacenderam o debate sobre o futuro da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no Brasil. 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